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17 Again...

Será que tomámos o caminho correcto? Teremos vivido tal como estava destinado, ou podíamos ter alterado o nosso percurso, lutado por coisas diferentes e ter sido mais felizes? Estas são algumas questões levantadas pelo filme 17 Anos, outra vez! e as principais indecisões do protagonista, Mike O’Donell. Mike tem quase quarenta anos e está prestes a divorciar-se da esposa, Scarlet, namorada do liceu com a qual se viu ‘obrigado’ a casar precocemente ao saber que estava grávida. Culpando-a sempre por ter destruído toda uma vida que se apresentava brilhante à sua frente, Mike torna-se alguém que não queria ser, um homem que nem sequer consegue ser promovido no emprego e manter uma relação estável com os filhos. Ao desejar regressar ao passado e remediar o que fez e não fez, a oportunidade é-lhe dada sem que se aperceba… e quando dá por si tem, de novo, dezassete anos, e uma vida inteira pela frente.

O conceito de comédia romântica com leves toques de drama e ficção científica não é novo. Temos em Big um dos melhores exemplos do género, e em De Repente, já nos 30! outro filme bem-humorado e com características muito semelhantes. Mas o ‘voltar atrás no tempo’ é uma fórmula que pode sempre ter sucesso, dependendo da história que envolve a situação, a realização e as interpretações. E no caso deste filme, é uma fórmula ganha, que o torna um dos melhores do género entre os que já tivemos oportunidade de ver este ano. É de louvar a realização brilhante de Burr Steers, um ilustre desconhecido neste mundo cinematográfico. O filme tem um ritmo impressionante, permite a absorção de cada momento e não leva o espectador a dispersar a sua atenção para pormenores desinteressantes. Como história em si, não figurará no panorama de grandes argumentos de cinema. É previsível, é lamechas (se assim o quisermos chamar…), é banal, até. Mas capta a atenção, é comercial, cativa o público pela sua simplicidade. De realçar ainda a banda sonora, contemporânea, juvenil, fresca, e o genérico final, ilustrado com fotografias dos actores quando eram novos… original e divertido.Em relação às interpretações, há também muito a apontar. Mattthew Perry é um senhor da comédia, um actor que nunca foi muito aclamado mas que dá passos nesta indústria há muitos e vai captando, de tempos a tempos, a atenção dos mais distraídos. Representando Mike O’Donell enquanto adulto, não se adequa na perfeição às exigências do papel, mais dramático e maduro… mas ainda assim consegue realizá-lo. Falta-lhe talvez um pouco mais de protagonismo, apenas. Thomas Lennon é o protagonista dos momentos mais humorísticos do filme, na pele de Ned, amigo inseparável de Mike, o que retira alguma seriedade ao filme e é, seguramente, propositado, de modo a tornar mais leve o ambiente carregado da história.

Quanto a Zac Efron, as coisas são totalmente diferentes. Primeiro aviso: esqueçam High School Musical, Hairspray, e tudo o mais que já viram com o actor de comédias adolescentes. Em 17 Anos, outra vez!, Zac torna-se um homem, ao interpretar Mike O’Donell enquanto jovem. A forma como capta a maturidade da personagem e como corresponde na perfeição às suas exigências, é simultaneamente surpreendente e fascinante, no verdadeiro sentido das palavras. Representa um homem de quarenta anos na pele de um rapaz de dezassete… a tarefa não parece fácil, mas Zac consegue cumpri-la. E nunca pensei dizer isto, mas acredito que o rapaz de vinte e dois anos pode vir a tornar-se um grande actor dramático, para além da comédia e do romance. Fiquemos atentos. Acima de tudo, 17 Anos, outra vez! é mais um típico filme de Domingo à tarde, para toda a família, divertido, com alguns momentos mais sérios, mas que prima sobretudo pela mensagem que pretende transmitir. Ao voltar ao liceu, Mike compreende que a sua missão é não só ajudar os filhos adolescentes a ultrapassar os momentos difíceis da juventude, como também aproveitar a segunda oportunidade, não para remediar o passado, mas para melhorar o futuro e mudar quem é no presente. E as pessoas identificam-se com essa mensagem, tenham elas dezassete anos ou quarenta, porque todos vivemos e nos arrependemos de algumas acções efectuadas no passado. Vale a pena ver o filme, pela realização, pela mensagem, e pela consagração de Zac Efron como um dos actores em ascensão no panorama de Hollywood. E porque saí da sala de cinema com uma sensação enorme de preenchimento, de dever cumprido, de realização. Aconselha-se vivamente.

Publicado em Red Carpet

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