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HOME - é demasiado tarde para ser pessimista

Home – O Mundo é a Nossa Casa é o filme mais comentado dos últimos dias e uma das novidades do realizador Luc Besson, que produz este documentário de alerta quanto aos problemas ambientais. A estreia mundial, a 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, aconteceu em diversas plataformas: na Internet, no cinema, em DVD, na televisão, e ainda em inúmeras iniciativas em cerca de cinquenta países em simultâneo. Mais do que um filme, mais do que um documentário, Home é um evento à escala mundial, que pretende sensibilizar, de forma interactiva, os mais cépticos, para a reconstrução do equilíbrio do planeta e a inversão da tendência de destruição que se verifica há mais de cinquenta anos.

O planeta Terra existe há mais de quatro biliões de anos, com um certo equilíbrio entre as espécies, a natureza, o clima, os recursos e a evolução. O Homem, que existe há cerca de duzentos mil anos, ou seja, há pouco tempo relativamente à vida da Terra, tem destruído, talvez inconscientemente, esse equilíbrio necessário, com a industrialização, a urbanização, a superprodução, o consumo em massa, o uso exagerado dos combustíveis fósseis e a despreocupação com as questões ambientais. De facto, a evolução tem sido feita sem olhar a meios para atingir os fins, e hoje o aquecimento global e as suas consequências são evidentes e estão na ordem do dia.

Nos últimos cinquenta anos, a Humanidade alterou os ciclos naturais e comprometeu o futuro do planeta. A primeira parte do filme de Yann Arthus-Bertrand alerta exactamente para estar história da Terra, que está a ser destruída por uma das suas espécies e pode não vir a recuperar dos danos que esta lhe tem causado. A voz de Glenn Close, que acompanha todo o documentário, consegue dinamizar os temas abordados e captar a atenção do espectador, mas talvez faltem alguns testemunhos de especialistas, de modo a quebrar o ritmo monótono de documentário nesta abordagem geral. Apesar disso, a simplicidade e preocupação com que é tratado o tema, no argumento, demonstra um cuidado especial com a transmissão da informação para todas as pessoas, independentemente da idade ou instrução, o que é fundamental numa obra sem fins lucrativos e repleta de um forte conteúdo institucional.

A certa altura, o filme faz um resumo de todas as imagens e factos já enunciados, compilando a informação em estatísticas e números que intimidam mesmo os mais cépticos no assunto. Através de paisagens fascinantes de inúmeros países do mundo, Home mostra os principais problemas ambientais, as acções humanas e o futuro comprometido que pode estar mais próximo do que esperamos. A segunda parte, mais dinâmica e interessante do que a primeira, demonstra a inversão da tendência destrutiva e alguns investimentos e actos que têm sido levados a cabo individual e governamentalmente para a reconstrução do equilíbrio da Terra, em todo o mundo.
O passado já lá vai, não há nada que possamos fazer para o remediar. O futuro, porém, encontra-se nas nossas mãos. Tal como o Homem conseguiu deteriorar a situação do planeta, conseguirá prevenir que tal aconteça no futuro, desde que altere os seus padrões de vida a partir de agora e tente inverter a situação nos próximos dez anos. Uma acção individual conta para ajudar a salvar o planeta, e as mentalidades começam já a ser alteradas nesse sentido, sendo que Home pretende aumentar a confiança na mudança de hábitos e na protecção das gerações futuras. É demasiado tarde para ser pessimista – esta é a principal mensagem do filme. Mais do que portugueses ou europeus, todos somos cidadãos do planeta Terra, cidadãos do Mundo, e temos o dever de viver e evoluir com a prudência necessária para recuperar o equilíbrio natural perdido. Home é um documentário fundamental na construção de uma mentalidade ambiental, que vale a pena pela mensagem sensibilizadora e pelo alerta mundial. Não perca, no cinema, em DVD, ou no Youtube.


Publicado em Red Carpet

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