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the biggest movie event of the year

This is the biggest movie event of the year because this is the biggest movie event of the year. Disse-o Sid Ganis, Presidente da Academia, e é opinião unânime. Um espectáculo sem igual, que junta as maiores estrelas da actualidade e premeia as que mais se destacaram no ano anterior. Desta vez, a 22 de Fevereiro de 2009, a 81ª Cerimónia dos Óscares da Academia contou com o glamour habitual e muito mais: um novo formato de apresentação de vencedores, um novo apresentador que canta e dança, e um filme que arrebatou oito estatuetas numa noite recheada de emoções. Sem dúvida, uma das melhores cerimónias dos últimos anos. Aqui falarei apenas das principais categorias, pois a esta hora o mais provável é toda a gente já ter consigo uma lista completa dos vencedores da noite.

Primeiro a Red Carpet no canal E! (75 da powerbox), e ver a chegada de actores e realizadores ao Kodak Theatre, em Los Angeles, com a passadeira vermelha a receber vestidos de todas as cores e feitios. Depois a cerimónia integral na TVI, não fosse a TV Cabo dar o berro cerca das 4 horas da manhã, e ter perdido meia hora de prémios, mas regressou para me permitir ver os principais galardões da noite. Toda a emissão – das 23 horas às 5 horas da madrugada – foi munida dos habituais petiscos nocturnos (leia-se bolachas, fatias de bolo e iogurtes), e acompanhada com a maior expectativa e curiosidade.

Hugh Jackman, eleito o homem mais sexy do mundo, correspondeu e superou as expectativas como apresentador da cerimónia. Ele canta, ele dança, ele corre, ele sorri, ele diz piadas, ele encanta. Melhor do que qualquer comediante dos últimos anos (leia-se Jon Stewart, Ellen Degeneres, e outros da mesma laia), teve uma interpretação refrescante, inovadora, tal como toda a cerimóia proporcionada pela Academia. De destacar o fantástico número musical coreografado pelo fantástico Baz Luhrman, uma grande homenagem aos musicais de Hollywood, com a voz melodiosa de Jackman e a colaboração de Beyoncé. O primeiro acto musical merece também destaque, com a participação especial de Anne Hathaway e o bom humor de Hugh Jackman. Para repetir, sem dúvida alguma.

A cerimónia abriu (ao contrário do habitual) com o prémio de melhor actriz secundária, para Penélope Cruz, pelo seu desempenho em Vicky Cristina Barcelona. Agradeceu emocionadamente, questionando o público: ‘Alguém já desmaiou aqui? Porque eu posso muito bem ser a primeira’. Disse ainda que ficava acordada para ver os prémios da Academia, quando era pequena, e sempre achou que ‘esta cerimónia era um momento de união para todo o mundo’ (nesse aspecto concordamos). Agradeceu depois em espanhol, emocionada com o facto de ser a segunda espanhola (desde Javier Bardem no ano passado) a receber um Óscar pelo seu desempenho. Destronou Viola Davis pelo seu (quase) monólogo em Dúvida, e Marisa Tomei em The Wrestler, uma concorrência que se pode considerar forte.

O Óscar mais esperado da noite, e ainda assim um dos momentos mais aguardados da cerimónia, foi o prémio de melhor actor secundário. Sem questões, foi atribuído a Heath Ledger pelo seu overwhelming desempenho em O Cavaleiro das Trevas. Já ouvimos todo o tipo de críticas da boca do mundo, e vamos continuar a ouvi-las, seja porque Heath só recebeu o prémio por ter falecido no ano passado, ou porque a Academia deve premiar os actores vivos para os incentivar, e não os mortos para os homenagear por uma carreira curta. Whatever, Heath Ledger recebeu o Óscar póstumo e foi mais do que merecido, pelo seu extraordinário Joker no filme de Christopher Nolan. Os pais e a irmã de Ledger receberam o Òscar em seu nome, e alguns actores (como Adrien Brody, Kate Winslet e o casal Brangelina) não conseguiram esconder as lágrimas – destaco o discurso da sua irmã Kate: ‘Ambos sabíamos que o que tu criaste no Joker era extraordinariamente especial, e até falámos sobre estar aqui neste mesmo dia. Quem nos dera que estivesses aqui’. True. Quem nos dera…

Um dos melhores discursos da noite foi o de Dustin Lance Black, argumentista de Milk, que venceu na categoria de melhor argumento original: ‘Ouvi a história de Harvey Milk, e ela deu-me esperança. Deu-me esperança para viver a minha vida. Deu-me esperança para um dia poder viver a minha vida abertamente como sou e talvez até apaixonar-me e um dia casar-me’. Disse ainda que queria agradecer a Milk, e que se ele não tivesse sido assassinado, quereria que Dustin dissesse a todos os homossexuais que eram criaturas bonitas, de valor, e que prometesse que teriam direitos políticos iguais. Um discurso político, verdadeiramente do coração, que demonstra que, mais do que profissional, este prémio teve uma dimensão pessoal, íntima, que toca no fundo. Só tenho a dizer que nos trouxe um grande argumento baseado numa grande história verídica, um verdadeiro manifesto a favor da igualdade de direitos, e só pelo brilhante discurso que nos trouxe merece o prémio que recebeu.

Finalmente, seis nomeações depois (incluindo Titanic), Kate Winslet, a diva, uma das melhores actrizes nos dias de hoje, viu consagrada a sua já brilhante carreira, ao ganhar o tão merecido Óscar de melhor actriz principal, pelo filme O Leitor. Nomeada com actrizes como Meryl Streep e Angelina Jolie – uma forte concorrência –, conseguiu destacar-se, tal como nos BAFTA e nos Globos de Ouro, levando para casa o galardão que lhe parecia fugir das mãos há muitos anos. Pena que o amigo Leonardo DiCaprio não tenha estado lá para ver – e pena que não tenha vencido pelo filme Revolutionary Road, do marido, que parece ter sido esquecido nesta cerimónia. Mas enfim. Agradeceu, uma vez mais (como nos discursos a que nos já habituou este ano), emocionadamente: ‘Ok, Penélope, aquela ideia de desmaiar… Estaria a mentir se dissesse que não fiz uma versão deste discurso antes; penso que tinha cerca de oito anos, e estava a olhar fixamente para o espelho da casa de banho. E isto (elevando a estatueta no ar) seria uma garrafa de shampoo. Bem, isto não é uma garrafa de shampoo agora!’. Agradeceu também ao marido, Sam Mendes, a Sidney Pollack e a Anthony Minghella, ambos falecidos em 2008; e quis reconhecer as restantes nomeadas, ‘estas Deusas. Acho que nenhuma de nós consegue acreditar que está numa categoria com a Meryl Streep. (…) Meryl, vais ter que engolir essa!’. Finalmente, at last. Totalmente merecido.

Nas categorias principais de interpretação, restava a aguardada consagração de Mickey Rourke, o renascido das cinzas, pelo seu papel em The Wrestler. Mas às vezes o destino prega-nos partidas, e decerto foi isso que Mickey pensou quando ouviu o nome do grande Sean Penn ser aclamado no Kodak Theatre, o que marcou a maior surpresa da noite. Pela sua interpretação em Milk, Sean Penn ganhou o segundo Óscar da sua carreira, contrariando a tendência de vitória de Rourke nos BAFTA e nos Globos. Quem o viu em The Wrestler diz que merecia. Quem viu Penn como Milk diz o mesmo (e eu encontro-me nesse grupo). O seu discurso foi ainda mais político e um grande manifesto a favor da homossexualidade: ‘Eu não esperava isto, mas quero que fique bem claro, sei como torno difícil que me apreciem com mais regularidade… (…) Temos de ter direitos iguais para toda a gente. (…). Mickey Rourke eleva-se de novo e é o meu irmão’. Merecido, for sure.

Mais aguardada não podia ser também a consagração de Slumdog Millionaire como o melhor filme do ano, e de Danny Boyle como o melhor realizador, deixando para trás David Fincher e o seu maravilhoso Benjamin Button, grande perdedor da noite (quando tinha 13 nomeações). Boyle afirmou ‘Que bonito espectáculo fizeram. Não sei o que parece na televisão, pessoal, mas na sala, é totalmente fantástico’. Agradeceu e pediu desculpa ao coreógrafo da dança final do filme, que esqueceu nos créditos, e mostrou-se emocionado com o seu primeiro Óscar. Só espero que o facto de ter ganho oito estatuetas não o faça desaparecer, ser esquecido da história do cinema, pois as vitórias não incluíram interpretações, foram na sua maioria categorias técnicas. E porque é um filme bloody wonderful, damn.

Em lugar da habitual apresentação dos vencedores deste ano por parte dos vencedores do ano passado, a Academia decidiu inovar e partilhar os vitoriosos com o público através do aparecimento de cinco anteriores vencedores, que apresentaram os nomeados e desvendaram os mistérios. Para quem dizia que a cerimónia seria mais curta do que as anteriores, devido à falta de popularidade televisiva, o espectáculo estendeu-se bastante, para além das quatro horas e meia habituais. E nós agradecemos, porque foi a melhor cerimónia de Óscares que já vi. Peculiar, refrescante, emotiva, recheada de tudo e de nada. Abençoado Carnaval e respectivas férias, que nos permitiram aguentar a noite inteira sem pregar olho e recuperar do sono esta manhã. Podia ter sido ainda maior, que nós continuaríamos a ver. E tenho de deixar aqui um agradecimento especial a leitores e redactores da revista
Red Carpet que, num chat que durou a madrugada inteira, me acompanharam nesta maratona de Óscares, entre previsões de vencedores e discussões de merecimentos ou não. Para repetir em 2010, sem dúvida. Tudo.

1 comentários:

Marco Almeida disse...

Raquel, ainda bem que gostaste do chat! Cá estaremos para o ano que vem para repetir a experiência! :D