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Quantum of Solace

Cinquenta e cinco anos após o lançamento do primeiro livro, seis actores e vinte e dois filmes depois, a personagem mais afamada de Ian Fleming, James Bond, continua a dar cartas no mundo do cinema. Agora no mandato de Daniel Craig, o loiro de olhos azuis que conseguiu o maior resultado de bilheteiras em 2006, quando se estreou como herói em Casino Royale, Bond regressa às salas de cinema com o filme Quantum of Solace (QOS), a sequela do anterior. É a Bondmania, meus senhores.

Bond afirma não acreditar na vingança. Vesper Lynd, a mulher que amava, traiu a sua confiança e morreu às mãos de uma organização internacional poderosa. Não admitindo a dor pela morte dela, acaba por tornar as suas missões profissionais numa vendetta pessoal, desobedecendo ao próprio MI6. Encontra Camille pelo caminho, uma agente secreta boliviana que também procura vingança. O seu principal alvo é o vilão Dominic Greene, aparente ecologista, cuja organização (formada por membros do governo britânico e outros órgãos importantes) extingue as reservas de água dos países pobres da América do Sul e toma conta do fornecimento exclusivo de água desses países, em troca de parcelas de terreno, nas quais simula procurar petróleo, mantendo na sua alçada a CIA e os EUA.
M é a eterna consciência de Bond, e o cérebro das suas operações, na pessoa da magnífica Judi Dench, mais presente neste filme. É a verdadeira Bond Girl, talvez a única em quem Bond sempre confiou. Camille também não é uma Bond Girl convencional; quer apenas vingar a morte da família, e alia-se a Bond com o intuito de, juntos, desvendarem os crimes praticados por Greene e vingarem as pessoas que perderam à sua custa.
A questão ambiental, tão debatida nos tempos que correm, é o tema central de QOS. Deixam-se a Guerra Fria e a 2ª Guerra Mundial para trás, adaptando-se as aventuras do agente secreto aos temas da actualidade. Do Haiti a Itália, passando pela Áustria e por Londres, o filme é, maioritariamente, rodado fora do estúdio. As perseguições de avião, barco, carro e a pé, mantêm-se neste QOS, tal como o genérico peculiar, acompanhado pela música original de Alicia Keys e Jack White, “Another way to die”. Pela primeira vez, porém, o agente secreto não é tratado por 007 e não profere a célebre frase “Bond, James Bond”, o que não retira, de todo, a essência à personagem.
Quantum of Solace é a procura de consolo, de paz, de justiça, por parte de Bond, relativamente à morte de Vesper Lynd em Casino Royale. Perdeu a mulher que amava, apesar de ter sido traído por ela; e, mesmo não o admitindo, a vingança era a única forma de encontrar a paz de espírito que necessitava, esquecendo a raiva que sentia por ela e interiorizando que ela dera a vida por ele, de modo a libertar-se da confusão que Vesper deixara no seu coração.
É um filme de acção, típico da saga, marcado pela existência de vilões inconcebíveis e uma realização rápida, tal como o habitual ambiente de eventos sociais luxuosos. As expectativas são elevadas, pela grandiosidade da personagem e pelo sucesso evidente que ainda tem pelo mundo fora, quase cinquenta anos depois da primeira adaptação cinematográfica. Mas, tal como no anterior, Daniel Craig conjuga o charme introduzido por Pierce Brosnan, o carisma de Sean Connery, e ainda oferece à personagem o seu lado mais humano e real, que define o verdadeiro James Bond, e um dos mais aproximados do Bond criado por Fleming. Para ver e rever, claro está.

O melhor: Daniel Craig e a actualidade de uma personagem com 55 anos de idade
O pior: falta muito para estrear o próximo?

1 comentários:

Pedro Sousa disse...

Sou grande fã da série James Bond no geral. Já este filme, não conto ver...dizem que há um progressivo desprendimento da personagem mítica do Bond, certos gestos e tiques muito característicos desaparecem! E é por isso que não concordo com a tua review :)

Não quero um Bond moderno, quero um à antiga! Sean Connery will always be the best!