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King of QUEEN

“Eu odeio fazer a mesma coisa uma e outra vez. Gosto de ver o que está a acontecer na música, no cinema e no teatro, e incorporar todas essas coisas.”
“Se tivesse de fazer tudo de novo? Porque não? Faria tudo um pouco diferente.”
Freddie Mercury


Assim era o homem por detrás de uma das maiores bandas musicais de sempre: extrovertido em palco, sentimental como compositor, e um pouco tímido por dentro. Durante cerca de vinte anos, escreveu e interpretou canções que tocaram todas as pessoas, sem excepção, pela sua originalidade e melodia, e consolidou-se como um ícone musical para a eternidade. Considerado detentor da melhor voz alguma vez ouvida, viveu uma vida recheada de sucessos, enquanto vocalista dos Queen. Malogrado na hora da morte, deixou a vida sem dar tudo o que tinha para dar, mas legou músicas e momentos que nunca se esquecerão. Dezassete anos após ter abandonado o mundo, recordamos Freddie Mercury, a lenda do passado e do futuro.

Nasceu Farrokh Bulsara, um rapaz tímido e sossegado, a 5 de Setembro de 1946, num país denominado Zanzibar, e adquiriu a cidadania inglesa quando se mudou para Londres, aos dezassete anos. Cedo se distinguiu pela sua capacidade extraordinária para tocar piano, imitando os sons que ouvia na rádio, e pela sua voz poderosa, mostrando sempre um grande interesse pela música.
No ano de 1970, em Londres, Freddie Mercury juntou-se ao guitarrista Brian May e ao baterista Roger Taylor, fundando a banda Queen. Um ano depois, o baixista John Deacon completou o grupo. O sucesso internacional chegou em 1974, e desde aí os Queen nunca pararam de surpreender. Não se sabe ao certo quantos álbuns da banda foram vendidos por todo o mundo; as estimativas vão de 130 milhões para mais de 300 milhões de álbuns.
Mercury contribuiu fortemente para o sucesso da banda. Compôs uma grande parte das canções, conferindo-lhes uma complexidade invulgar nos anos 70 e 80, particularmente com a música “Bohemian Rapsody”, diversas vezes votada a melhor música de todos os tempos. É uma mistura de vários géneros, de vários tons vocais e de diversas cordas que, combinados, resultaram em algo que nem os próprios membros da banda conseguiram explicar. Entre outros grandes sucessos dos Queen, destacam-se ainda “We are the champions”, “We will rock you”, “A kind of magic”, “Somebody to love”, “Too much love will kill you”, “The show must go on”, “I was born to love you”, “Who wants to live forever”, “These are the days of our lives”, “The great pretender”, “I want it all”, “Radio Ga Ga”, “It’s a hard life”, “Under Pressure”. É impossível não reconhecer pelo menos uma das suas músicas.
As actuações da banda, ao vivo, destacavam-se pela originalidade teatral, e pelo sempre peculiar Mercury, que procurava incessantemente a interacção com o público. Nas palavras de David Bowie, “De entre todos os cantores de rock mais teatrais, Freddie levou as actuações mais longe do que os outros. Ele conseguia sempre virar um cliché para a sua vantagem.”. No decurso da sua carreira, Mercury actuou em mais de 700 concertos espalhados pelo mundo, com os Queen. O público contava-se aos milhares, e a banda esforçava-se sempre por fazer mais e melhor em palco.
Freddie Mercury tentou uma carreira a solo, cerca dos anos 80. Entre essa experiência, destaca-se o dueto com Montserrat Caballé, na música “Barcelona”, uma espécie de ópera, constituída como música oficial dos Jogos Olímpicos de Verão de 1992, em Espanha.
Pouco se sabe sobre a sua vida pessoal, que Mercury tentava manter privada. Mantinha uma amizade forte com Mary Austin, uma ex-namorada, e assumiu a sua homossexualidade, começando uma relação de longo prazo com Jim Hutton. Correram rumores na imprensa britânica de que podia sofrer de SIDA, embora Mercury sempre tivesse negado essas afirmações. A doença foi-lhe diagnosticada em 1987, mas apenas foi dada a conhecer ao público no ano de 1991, pouco antes da sua morte.
Mercury nunca deixou de colaborar com os Queen, apesar do seu fraco estado de saúde. Apercebendo-se de que tinha pouco tempo para viver, tentou fazer o maior número de gravações possível, dando instruções ao resto da banda para completar as canções mais tarde. May, Taylor e Deacon estavam também conscientes do pior: “Nós sabíamos que estávamos totalmente apertados de tempo, porque tinha sido dito ao Freddie que não conseguiria chegar muito mais longe. Penso que o nosso plano era ir até onde o Freddie se sentisse suficientemente bem, só para fazer o máximo uso dele possível. Ele disse-nos: ‘Façam-me cantar qualquer coisa, escrevam-me qualquer coisa, e eu cantá-la-ei e deixar-vos-ei o máximo que puder’,”, contou Brian May. “Foi difícil”, completou Roger Taylor, “mas nós tentámos apoiá-lo durante aquele tempo, e ele foi incrivelmente corajoso.”.
A 23 de Novembro de 1991, o agente dos Queen dirigiu-se ao público e leu uma declaração escrita por Mercury, confirmando que tinha SIDA. Pouco mais de vinte e quatro horas depois, Mercury faleceu devido a uma pneumonia, causada pela SIDA, a 24 de Novembro de 1991, em Londres. Tinha quarenta e cinco anos.
Sobre o seu falecimento pronunciaram-se algumas figuras conhecidas do grande público, que demonstraram a sua mágoa pelo cantor. David Bowie lamentou: “Vamos todos sentir a falta dele. Juntamente com a banda Queen, ele deu um grande contributo à música popular.”. George Michael disse: “Freddie Mercury era uma grande fonte de inspiração para mim, enquanto criança. Eu presenciei religiosamente os concertos do Queen, ano após ano. Este é um dia triste.”. Phil Collins afirmou: “Esta é uma grande tragédia… eu tinha a maior admiração e uma grande afeição por ele.”. Os colegas de banda também se pronunciaram: “Ninguém o conhecia totalmente. Ele era uma pessoa muito privada. Era muito tímido, gentil, amável, dedicado. Tinha uma personalidade muito vincada, e deixou uma marca muito forte em todas as pessoas, especialmente em nós. Éramos muito unidos como grupo, fomos sempre, durante vinte e dois anos; mas é estranho: nós não sabíamos muito sobre ele, porque ele era definitivamente um mistério. Não sei quem criou aquele entertainer em palco, porque ele era muito a sua própria criação.”, disse Roger Taylor. Brian May afirmou: “Ele era uma pessoa muito generosa e preocupada com todas as pessoas que conheceu durante a sua vida. Era muito independente, forte, talentoso, magnífico em todos os aspectos que se pode pensar. O palco era um sítio no qual ele podia ser outra pessoa e orgulhar-se do que fazia.”. Quanto aos últimos anos de vida, disse: “Tomou uma decisão muito cedo na vida: que ia fazer as coisas à sua maneira. Nós podíamos não concordar, mas respeitávamos. E a atitude que ele tomou em relação à doença fazia parte dele. Foi difícil para nós não podermos desabafar sobre isso com amigos. Mas penso que ele foi muito corajoso em desvendar ao público que tinha SIDA. A vida dele mudou, definitivamente, o mundo, e acho que a morte dele é igualmente uma grande mudança no mundo.”.
Apesar de toda a controvérsia que rodeava a sua pessoa – sobre o encobrimento da sua doença, e a sua sexualidade – lançada pela imprensa britânica, a popularidade de Freddie Mercury cresceu desde a sua morte, sendo considerado um dos ‘heróis mais influentes’. Os Queen viram também a sua própria popularidade crescer. Apesar do falecimento do seu líder e vocalista, os três restantes membros mantiveram a banda, lançando novos singles e, mais recentemente, encontraram Paul Rodgers, cuja voz se assemelha à de Mercury. Intitulam-se agora Queen+Paul Rodgers, e o último álbum da banda, o primeiro sem a voz de Mercury, “The Cosmos Rocks”, foi lançado neste ano de 2008.
A escultora Irena Sedlecka ergueu, em Montreux, na Suíça, uma estátua de Mercury, com cerca de três metros de altura. Desde 2003, fãs de todo o mundo juntam-se anualmente, na Suíça, junto à estátua, no primeiro fim-de-semana de Setembro, de modo a pagar tributo a Mercury. Apesar da sua curta vida, Mercury teve uma carreira cheia, deixando ao mundo um enorme legado de letras e músicas impossíveis de esquecer. Dezassete anos depois da sua morte, continua a arrebatar corações e a ser ouvido pelo mundo inteiro. Tornou-se um herói, apesar de todas as controvérsias de que foi alvo. E é um dos maiores símbolos musicais de todos os tempos.
“Eu não vou ser uma estrela de rock”, disse Freddie, uma vez; “Eu vou ser uma lenda”. E foi mesmo. É uma espécie de magia…

Recomendamos:
“Made in Heaven”, Queen.
Lançado em 1995, quatro anos após a morte de Freddie Mercury, “Made in Heaven” é o último álbum entoado pelos quatro membros originais da banda. Roger Taylor, Brian May e John Deacon trabalharam com vocais que Mercury tinha gravado meses e anos antes de falecer, e com novas gravações suas. O álbum contém êxitos como “Let me live”, “I was born to love you”, “Heaven for everyone”, “Too much love will kill you”, e “You don’t fool me”; e outras músicas menos conhecidas do público em geral, mas que confirmam o forte talento musical de Mercury e a excelente edição por parte dos restantes Queen, como “It’s a beautiful day”, “Made in heaven” e “A Winter’s tale”. Na capa do álbum encontra-se uma fotografia da estátua erguida em honra de Mercury, em Montreux, na Suíça. O álbum foi tripla platina em Portugal, e registou cerca de 120 mil vendas. Foi dedicado pelos Queen “ao espírito imortal de Freddie Mercury”.

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