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Into the wild - Chris McCandless

"So many people live within unhappy circumstances and yet will not take the initiative to change their situation because they are conditioned to a life of security, conformity, and conservatism, all of which may appear to give one peace of mind, but in reality nothing is more dangerous to the adventurous spirit within a man than a secure future. The very basic core of a man's living spirit is his passion for adventure. The joy of life comes from our encounters with new experiences, and hence there is no greater joy than to have an endlessly changing horizon, for each day to have a new and different sun."
Chris McCandless


"I now walk into the wild". Foi com esta simples frase que Chris McCandless desapareceu para sempre na floresta selvagem das montanhas do Alasca, a 28 de Abril de 1992. 16 anos depois, a história da sua vida ainda ecoa nas paredes do mundo, dispersando uma sensibilidade invulgar nas almas dos que a contemplam

Logo após acabar o curso na Universidade de Atlanta, em 1990, Christopher McCandless doou os 24 mil dólares que tinha no saldo bancário a instituições de caridade e desapareceu sem avisar a família. Já não era a primeira vez que Chris decidia fazer uma viagem pelos vários estados americanos, sozinho, dependendo da natureza e do que encontrava no caminho. Mas daquela vez foi diferente. A sua raiva quanto à civilização em que vivia, quanto aos pais e às mentalidades e materialismos da época, foi fundamental para a sua tomada de decisão. A partir daquele dia, nunca mais regressou a casa.
Devido a um problema com o seu velho Datsun amarelo, Chris foi impelido a abandonar a viatura junto ao lago Meade, em Detrital Wash, mas isso não o impediu de continuar. Encarou a situação como um sinal do destino e, abandonando junto ao carro grande parte dos seus pertences e queimando todas as notas que trazia consigo – cerca de cento e vinte e três dólares –, Chris McCandless partiu a pé em direcção a Oeste, adoptando um novo estilo de vida, no qual era livre e assumia o nome de Alexander Supertramp, seguindo os ideais de Henry David Thoreau, Leon Tolstói e Jack London, em busca de experiências novas e enriquecedoras.
Foi à boleia que chegou a Fairbanks, no Alasca, fazendo amigos e conhecendo lugares magníficos pelo caminho. Entre as suas aventuras destacam-se uma descida do rio Colorado em canoa, perigosa e cheia de adrenalina. Walt e Billie McCandless, pais de Chris, ainda tentaram encontrá-lo, mas em vão. Apenas a sua irmã Carine recebia uma carta de quando em vez, e mesmo ela não sabia a sua localização. Os anos foram passando, e Chris continuava sozinho, algures na América, passando por Carthage, Bullhead City, Las Vegas, Orick, Salton City, entre outros, até chegar finalmente ao destino pretendido: o Stampede Trail. Conheceu Jan e Bob Burres, Wayne Westerberg, Ronald Franz (nome fictício), que se tornaram seus amigos inseparáveis; permaneceu em alguns sítios durante meses, mas partia de seguida para outras aventuras.
Por onde passou, Chris alterou as vidas das pessoas que o conheceram. A sua personalidade forte, muito inteligente e simpática convenceu Franz a mudar-se para uma roulotte, e deu uma nova vitalidade a Jan e Westerberg. Raramente falava de Annandale e de casa, e por vezes era misterioso e ponderado. Mas o rapaz de vinte e quatro anos, que todos conheceram como Alex, cumpriu o seu destino e partiu de Fairbanks em direcção ao Monte McKinley, dois anos depois de ter iniciado a sua viagem.
Gallien deu boleia a Chris até ao Parque Nacional Denali, através do Stampede Trail, um caminho que levava ao interior do Alasca. Também ele simpatizou com o rapaz, que gentilmente lhe contou os planos de permanecer alguns meses na floresta. A única comida que levava era um saco com cinco quilos de arroz, e o seu equipamento era pouco adequado a quem planeava fazer o que ele se propunha. Ainda assim, o rapaz parecia determinado, e nada o podia dissuadir. Partiu assim para o desconhecido, ignorando a hora e o dia, numa quinta-feira de Abril, sem deixar rasto.
Através de um diário que manteve na contracapa de vários livros, com cento e treze entradas, podemos compreender o que realmente aconteceu a Chris McCandless na sua viagem ao interior do Alasca. Alimentou-se do que trazia e de algumas bagas que colhieu na natureza, tal como de alguns animais que caçou, com sucesso; leu vários livros, rabiscando-os com pensamentos próprios sobre a vida; passeou por diversos bosques, mas o local onde permaneceu mais tempo foi logo abaixo da Cordilheira Externa, onde ainda hoje se encontra um autocarro abandonado. O autocarro 142 do Fairbanks Transit System serviu de residência a Chris, que pernoitou e escrevinhou algumas frases no seu interior, nos meses que se encontrou na floresta como: “(…) SEM JAMAIS TER DE VOLTAR A SER ENVENENADO PELA CIVILIZAÇÃO, FOGE E CAMINHA SOZINHO PELA TERRA PARA SE PERDER NA FLORESTA”. Permaneceu cerca de quatro meses nas montanhas, sobrevivendo à custa do que encontrava, totalmente sozinho, livre. O seu corpo foi encontrado em decomposição em Agosto de 1992, embrulhado num saco-cama no interior do autocarro, já morto há cerca de duas semanas, com um pedido de socorro colado na porta. Mas foi tarde demais.
Uns dizem que morreu à fome, outros pensam que foi envenenado despropositadamente por algumas bagas que ingeriu. Nunca se saberá bem a verdade. Mas Chris McCandless morreu feliz; ele próprio o disse numa entrada no diário, apercebendo-se do seu fraco estado de saúde: “Tive uma vida feliz, e agradeço ao Senhor. Adeus e que Deus vos abençoe a todos”.
Quando foi descoberto no Alasca, sem vida, a tarefa de escrever um artigo sobre o viajante, na altura desconhecido, foi incumbida a Jon Krakauer, jornalista da revista Outside. A história de McCandless tocou-o profundamente, e o facto de a sua própria vida se assemelhar à viagem do rapaz, levou-o a investigar a fundo toda a sua jornada desde Anandale até ao Alasca. Tudo o que descobriu, depois de falar com diversas pessoas, e visitar vários locais por onde o viajante Alex passou, foi agrupado num livro ao qual deu o nome de “Into The Wild – O Lado Selvagem”. O livro, bestseller desde que foi lançado, em 1996, deu agora origem a um filme, com o mesmo nome, realizado por Sean Penn.
Muitos o acusam de egoísmo e superficialidade, considerando a sua atitude de abandonar tudo, sem falar com a família, e partir para o desconhecido, como uma forma de satisfação pessoal e ostentação, e até mesmo de suicídio. Outros, como Krakauer, admiram a sua coragem inabalável de viver melhor, com simplicidade, tirando partido das pequenas coisas da vida, vivendo aventuras e experiências que mais tarde poderia contar aos seus netos; sendo livre e feliz. Os dois anos que viveu servem ainda hoje de exemplo para milhares de jovens que decidem mudar não só o seu futuro, mas o seu presente, tal como outros serviram de inspiração à viagem do próprio Chris McCandless. Uma lição de vida a que vale apena atender.

16 comentários:

Aluguel de Computadores disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Ricardo S. disse...

É fantástica a forma como escreves, gostava de poder falar contigo. Bjs**

Rita Pacheco disse...

A história do Chris é verdadeiramente inspiradora. Se todos nós tivessemos a sua coragem, a coragem de abandonar as comodidades da vida para seguirmos os nossos instintos mais aventureiros, todos nós seríamos mais felizes. Obrigada por contares esta história triste, mas maravilhosamente inspiradora!

Rita Pacheco

Rabib al Jahara disse...

Oi. Achei a história desse aventureiro lindíssima. Eu também faço isso aqui no Brasil, mas espero não morrer ainda! Um forte Abraço.

Rabib "Al Jahara" Floriano Antonio

Mr. Cod Scum disse...

Depois de ler o livro e ver o filme fiquei também comovido pela história, pelo heroísmo e, sobretudo pelo idealismo revelado. Mas uma coisa é é o romance e outra é a realidade nua e crua. Depois de saber que ele não preparou minimamente a deslocação ao Alaska (em termos de aprender a sobreviver, conhecer a área onde se movimenta etc..), fica um sentimento um bocado dúbio. Não terá sido um mero suicidio?

chris disse...

Convém recordar que, alguns dias antes de morrer, se arrependeu e escreveu um bilhete a implorar que o ajudassem. Não retira brilho, mas nem tudo são rosas...

Natércia disse...

Eu não deixo de pensar se ele não sofreria de alguma tipo de bipolaridade!Faz-me confusão a falta de racionalismo!Eu pessoalmente não consigo compreender a simplicidade de sentimentos, para mim o filme é um turbilhão de sensações, medos, confusão...etc...assusta-me

mariana disse...

É mais que inspirador, é um exemplo a seguir. Sem duvida que é preciso muita coragem para fazer o que ele fez, mas ter a maneira de ver a vida com ele já é optimo. Um idolo.

mariana disse...

É mais que inspirador, é um exemplo a seguir. Sem duvida que é preciso muita coragem para fazer o que ele fez, mas ter a maneira de ver a vida como ele já é optimo. Um idolo.

Anónimo disse...

É natural que esta história faça confusão a tantas pessoas...afinal a máxima "quanto menos pensares sobre a vida mais feliz serás" parece ganhar cada vez mais adeptos (idiotas).

Anónimo disse...

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carla paiva da silva de miranda disse...

Meu idolo!!!Um exemplo a seguir!!!

Wild disse...

Eu Adorei a historia de Chris ele nos mostra valores importantes que já estão perdidos na sociedade capitalista... Exemplos como o dele são muito bem vindos sempre...

GRH SUPORT disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Tiago Barbosa lopesdasilva.tiago@gmail.com disse...

A história do Chris McCandless nada tem a haver com capitalismo ou socialismo ou qualquer tipo de agenda política. Tem a haver, sim, com a sensibilidade que existe no interior de cada ser humano, que anseia por ser preenchida de alguma forma. A necessidade de sermos reais, a necessidade de auto-realização interior e de sentirmos prazer no que olhamos da nossa história, sentir que a vida vale a pena acima das ideologias.

Anónimo disse...

o valor da vida não pode ser medido em anos vividos,mais na intensidade dos dias. Supertramp buscava algo mais em sua jornada,viver para cumprir deveres não fazia parte do seu extinto. Morreu com a certeza de que alimentou cada pedaço de sua alma.