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Porreiro, pá!

Portugal é não mais um país do passado; um país que se guia pelo exemplo dos outros, e pelos seus objectivos. A partir de 2007, Portugal tornou-se num modelo para o resto da Europa, superando até os países mais notáveis. Neste momento, deixa lentamente de ocupar a ponta mais ocidental da Europa, e dirige-se velozmente para o centro da vida política e social do continente europeu. Não era Camões que dizia para se esquecerem todos os feitos dos heróis da antiguidade, “Que eu canto o peito ilustre Lusitano”? Talvez esteja na hora de lhe dar ouvidos…
Tudo começou há cerca de três anos, quando o primeiro-ministro de Portugal, José Manuel Durão Barroso, abandonou o cargo e foi convidado a ocupar a função de Presidente da Comissão da União Europeia. Portugal foi, finalmente, dado a conhecer ao resto da Europa, não só como um país de descobrimentos, de história, de grande cultura, mas também como um exemplo de inovação e de futuro.
Agora em 2007, e devido à rotatividade da Presidência do Conselho da União Europeia, o primeiro-ministro português, José Sócrates, assumiu o cargo de Presidente em funções da União Europeia. Desde logo seguiu as suas prioridades, e criou uma agenda semestral repleta dos assuntos mais importantes a tratar, até ao final do ano. Um desses assuntos foi o Tratado Reformador.
Estavam reunidas todas as condições para se chegar a um acordo sobre o Tratado, aquando da Cimeira Informal Tripartida de Lisboa. José Sócrates estava confiante de que ele se chamaria Tratado de Lisboa, e que tudo ia ficar decidido durante os dias da cimeira, 18 e 19 de Outubro. Não foi preciso ir muito longe na noite do primeiro dia para se encontrarem 27 líderes sorridentes e dispostos a assinar o tão falado Tratado de Lisboa.
Mais do que uma vitória para a Presidência, e para a própria Europa, foi uma vitória para Portugal. Há sempre o risco de o Tratado não ser ratificado pelos 27 países membros, durante o ano de 2008, como está previsto. Mas o facto de terem conseguido chegar a acordo, e assinarem o tratado, numa cerimónia memorável, a 13 de Dezembro, com a proposta do governo português, foi, por si só, um ponto a favor da Presidência e do próprio país.
Até ao fim da Presidência, Portugal vai continuar a deter esse cargo importante na União Europeia. Toda a Europa está de olhos postos em Portugal e, até ao fim do ano, o governo português continuará a ter um papel fundamental nas relações entre os estados-membros e o resto do mundo, nomeadamente o continente africano, na Cimeira UE-África, já realizada nos dias 8 e 9 deste mês; nas restantes cimeiras com a Turquia e a Rússia, realizadas ao longo do semestre; e na Conferência de Bali, sobre o aquecimento global, onde se conseguiu chegar a acordo sobre um novo Protocolo, para substituir o Protocolo de Quioto, que chega agora ao fim; entre muitas outras actividades.
Tal como disse José Sócrates, depois de acordado o Tratado de Lisboa, “o trabalho ainda não acabou. Temos muito pela frente. Quero garantir-vos que a Presidência continuará a trabalhar com o mesmo empenho e com a mesma convicção da primeira hora por uma Europa mais forte ao serviço de um Mundo melhor”. “A Presidência Portuguesa escreveu uma importante página da História da Europa”, afirmou, por seu lado, José Manuel Barroso. O Presidente da Comissão Europeia disse ainda que Portugal se pode orgulhar da sua presidência. Apesar das diferenças políticas entre Barroso e Sócrates, a pátria acabou por juntá-los e torná-los amigos, ficando célebre a expressão abrupta “Porreiro, pá!”, do primeiro-ministro português.
A grande prosperidade externa não atrai particularmente os portugueses. Muitos depreciam os líderes, José Sócrates neste caso, por se preocuparem muito com a tal promoção de Portugal, e com os assuntos externos, deixando o próprio país em espera. A verdade é que Sócrates não o fez; conseguiu interessar-se pela Europa sem se desviar dos assuntos internos. E isso fez também com que alguma da prosperidade externa se alastrase até Portugal.
Para além de um centro político, Portugal foi também um país acolhedor de iniciativas a nível europeu e mundial, como a cerimónia das 7 Maravilhas do Mundo, que promoveu e muito o nosso país e o divulgou pelo resto do mundo. Portugal está a apostar fortemente na sua promoção, atraindo mais turistas e curiosos a visitar Portugal. Durante todo o ano, Portugal foi um país de transição: entre um passado merecedor de louvor, que não deve ser esquecido; e um presente modernizado e fulcral, que levará a um futuro melhor.
A partir dos próximos anos, tudo vai mudar. Portugal deixou de ser o que era ontem, e passou a ser o que será amanhã, não só devido ao seu papel inesperado e surpreendente na União Europeia e no mundo, como pelo seu papel no próprio país, que parece disposto a crescer nas áreas menos desenvolvidas, e a manter o estatuto de modelo para uma Europa com futuro. A tarefa não será fácil; mudar nunca o é. Mas Portugal está preparado para o fazer. Para melhor.

2 comentários:

NETMITO disse...

ESCUTA O SOM MAIS PURO DA TUA VOZ...


Boas festas:)

Rúben Nunes disse...

Sim concordo plenamente contigo.
Portugal já nao é um país mais absurdo,é sim um país mais conhecido e que vai abrir novos horizontes a todos, até mesmo para quem não é de cá. O tratado de Lisboa foi inteiramente revolucionário, no sentido de haver, não´só a finalidade do mesmo, como haver um maior conhecimento do nosso país. Hoje a UE. Amanhã o Resto do Mundo, quem sabe.
Adorei o teu texto. Beijos =)