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07/07/2007 As 7 Maravilhas do Mundo

As novas 7 Maravilhas do Mundo. 07/07/2007. Um espectáculo inédito e único, numa cidade que a história não esqueceu. Uma votação popular e democrática, efectuada por mais de cem milhões de pessoas em todas as partes do planeta. O mundo pousou o olhar sobre Portugal e, num dia curioso e invulgar, fez-se história.
No mesmo dia em que se realizou o espectáculo «Live Earth», concertos em 9 países ao mesmo tempo por uma causa nobre: o aquecimento global e a necessidade de agir. O incentivo, lançado por Al Gore no documentário «Uma Verdade Inconveniente», juntou milhares de pessoas em todo o mundo, num outro evento à escala global. Um dia perigoso para andar na rua, devido ao fetiche que os terroristas aparentemente têm por datas curiosas, mas que não deixou ninguém em casa. E Lisboa não adormeceu sem acompanhar até ao fim a cerimónia mais esperada do ano.
A ideia do evento maravilhoso, que partiu do suíço Bernard Weber, fundador do conceito «New 7 Wonders», foi estudada durante sete anos, e, finalmente, concretizada em 2007. A eleição foi necessária devido ao desaparecimento de seis das sete Maravilhas do Mundo Antigo: os Jardins Suspensos da Babilónia, o Colosso de Rodes, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Templo de Artémis em Éfeso, o Mausoléu de Halicarnasso e o Farol de Alexandria. Até hoje, só as Pirâmides de Gizé sobreviveram, e a reeleição era fundamental para a conservação do património.
Dois mil e duzentos anos depois da primeira eleição das Sete Maravilhas do Mundo, na Grécia Antiga, o público reuniu-se em Lisboa, no Estádio da Luz, para assistir à cerimónia de apresentação oficial das Maravilhas do Mundo Moderno. A sete de Julho de 2007, o mundo parou para ouvir da boca de várias personalidades os 7 vencedores de um total de 21 candidatos às novas Maravilhas do Mundo.
Eram cerca de 40 mil os espectadores no estádio que, há três anos atrás, tinha acolhido a final do Europeu de 2004. Por todo o mundo, um número elevado de pessoas, cerca de 1,6 mil milhões, acompanhou a cerimónia através da televisão. Nem mesmo a ameaça terrorista que pairava sobre Lisboa afastou os presentes, e a festa foi recheada de alegria e esperança.
Portugal organizou um espectáculo ao nível de uma abertura e de um final de Jogos Olímpicos. Tudo começou com o anúncio das 7 Maravilhas de Portugal, uma iniciativa portuguesa para acompanhar o evento, devido ao facto de Portugal ter sido o país escolhido para acolher o acontecimento, com grande impacto mundial. O palco estava muito bem preparado, elevado em relação ao solo, e albergando por debaixo uns autênticos bastidores do espectáculo. Um gigante 7 encontrava-se a servir de escadaria para os convidados descerem das bancadas, e o público já sorria de honra de Portugal.
Mariza, Camané, Rui Veloso e Carlos do Carmo foram os convidados musicais da cerimónia que antecedeu o grande espectáculo. Conseguiram prender o público com o fado de que os portugueses tanto se orgulham, e criaram um espectáculo agradável. Foi feita uma homenagem ao conceito de Sete Maravilhas de Portugal, e aos candidatos. Os vencedores, anunciados por Marisa Cruz e Júlio Magalhães, foram: Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro dos Jerónimos, Palácio da Pena, Mosteiro da Batalha, Castelo de Óbidos, Torre de Belém e Castelo de Guimarães. Vencedores esperados e merecedores, mas numa fraca imitação de uma cerimónia muito mais bem conseguida e organizada que estava para vir.
Como foi várias vezes dito, ao longo da cerimónia, Portugal é um país de maravilhas. E o hino nacional entoado por todos os presentes, diante de uma bandeira de Portugal formada por balões verdes e vermelhos, foi o suficiente para mostrar isso mesmo. A capacidade que Portugal mostrou para organizar eventos trouxe magia a uma festa que estava ainda prestes a começar. O encerramento da pequena cerimónia das 7 Maravilhas de Portugal aconteceu com a largada dos balões para o ar, e o público aguardava impacientemente pelo verdadeiro espectáculo no Estádio da Luz.
Era ainda início de noite quando se deu início ao serão. Mais de quatrocentos jornalistas vindos de todo o mundo juntaram-se no Estádio da Luz, e prestaram atenção ao início do espectáculo. Ginastas portugueses e voluntários proporcionaram momentos de grande emoção, desde o primeiro até ao último momento. A associação portuguesa responsável pelo espectáculo, de seu nome REALIZAR, organizou uma noite receada de grandes momentos, que cativaram o público presente e o que acompanhava a cerimónia de casa.
O 7, o tão famoso 7, símbolo da totalidade perfeita, da conclusão cíclica, da perfeição e da unidade, e sinal de mudança, um símbolo bíblico e pagão, continuava a ornamentar o palco. Um número que diz muito a toda a gente, talvez o número mais falado no mundo. 7 mares, 7 céus, 7 dias, 7 terras… talvez tenha sido o facto de Lisboa ser a cidade das 7 colinas que originou a ideia de realizar a cerimónia na capital de Portugal.
Os apresentadores do serão foram os actores Hillary Swank, Ben Kingsley e Bipasha Basu, simpáticos e alegres. Desde logo identificaram Lisboa como um excelente anfitrião para a cerimónia. Foram cem milhões as pessoas que votaram nas novas 7 Maravilhas do Mundo, através do telefone ou da Internet. Um recorde que não se esperava tão elevado, mas que mostrou o papel do público em todo o processo de fazer história.
Ao longo da cerimonia, Portugal foi retratado através da imagem que o mundo tem do país: as caravelas, o mar… os descobrimentos e o nosso papel na história mundial. Um vídeo muito bem conseguido que mostrou Portugal de Norte a Sul, até às ilhas, e que divulgou o nosso país por todas as partes do planeta. Um grande exercício de publicidade que valeu para o turismo e para o país em si. O público aplaudia e a festa continuava, com uns efeitos visuais e sonoros que valeram a organização do evento em Portugal.
Dulce Pontes e José Carreras cantaram o hino do evento, «One World», composto pela cantora portuguesa. Um tema em português, espanhol e inglês, que protagonizou um dos grandes momentos da noite. A letra projectada permitia ao público compreender e cantar em simultâneo, e as vozes dos cantores em uníssono combinaram na perfeição com o resto do espectáculo.
Outro grande momento foi o aparecimento de um livro gigante no centro do palco. À medida que o livro se ia abrindo, o suspense aumentava e o público aguardava pela surpresa. Nas páginas do livro, foram projectadas imagens das 7 Maravilhas do Mundo oficiais até àquele dia. Uma esfera gigante, similar à esfera armilar, elevou-se no ar com 21 ginastas em cima, simbolizando os 21 candidatos.
Simbolizando a importância da Internet e das novas tecnologias no tempo moderno, um computador portátil em tamanho gigantesco foi aberto no palco. A partir daquele momento, serviu de ecrã gigante e emitiu a cerimónia.
Os candidatos foram dados a conhecer, e a expectativa ia aumentando em relação aos vencedores. A música como elo de ligação foi a explicação utilizada para os momentos musicais de diferentes países que se seguiram. Actuações de José Carreras, Joaquín Cortés e Alessandro Safina antecederam a grande e esperada actuação de Jennifer Lopez, uma cantora cheia de exigências e na sua primeira vez em Portugal. No público, conseguia ver-se José Sócrates, ao lado de Cavaco Silva, e logo atrás Cristiano Ronaldo; também Luiz Felipe Scolari estava entre os presentes.
Jennifer Lopez dançou, cantou e encantou; primeiro em espanhol, depois numa compilação das suas mais conhecidas músicas. Com danças mexidas e bem coreografadas, o seu grupo de bailarinos arrasou e Jennifer criou um espectáculo único e próprio durante mais de quinze minutos. A sua interacção breve mas forte com o público fez valer a pena estar ali a muitos milhares de espectadores.
O grande momento tinha chegado, e estava na altura de anunciar as novas 7 Maravilhas do Mundo. Neil Armstrong, Cristiano Ronaldo, Frederico Mayor, Bertrand Piccard foram algumas das personalidades chamadas para anunciar as maravilhas. Os vencedores, escolhidos por cem milhões de pessoas pelo mundo fora (dez vezes a população de Portugal), foram a Grande Muralha da China; Petra, na Jordânia; o Cristo Redentor, no Brasil; Machu Picchu, no Peru; Chichen Itzá, no México; o Coliseu de Roma, em Itália; e o Taj Mahal, na Índia. Vencedores que eram esperados, excepto o Cristo Redentor, e perdedores que mereciam mais do que ser reconhecidos como derrotados num evento global e decisivo como aquele.
Momentos como a vestimenta do representante de Machu Picchu, e o suspense criado por Cristiano Ronaldo, ficaram escritos na cerimónia de 07/07/2007. A frase «Our heritage is our future», «O nosso património é o nosso futuro», lema do espectáculo, aplica-se na perfeição a todos os momentos da noite. E o encerramento de uma festa que o público não queria abandonar estava cada vez mais próximo.
As bancadas da Luz entoaram «PORTUGAL», agradecendo o maravilhoso espectáculo que presenciavam. Porque vivemos num mundo maravilhoso, a música final, cantada por Chaka Khan, foi «What a Wonderful World», e pôs todo o público e todos os participantes no espectáculo a cantar e saltar de alegria. O fogo-de-artifício finalizou a cerimónia que muitos recordarão como única, e pôs fim à noite de magia que todos protagonizaram.
Um acontecimento centrado em Portugal, que todos recordarão para sempre. Um acontecimento bem organizado que atrairá turistas e curiosos a um país que até agora parece esquecido pelo resto do mundo.
Uma das contradições da cerimónia das novas 7 Maravilhas do Mundo, é o facto de o voto popular não ser totalmente justo; um país muito populado como o Brasil teve a vantagem de poder votar em si próprio e eleger o Cristo Redentor, que ganhou vantagem em relação, por exemplo, ao monumento fantástico que é a Acrópole de Atenas, entre outros. A outra contradição, ainda mais grave, é um erro matemático: o objectivo da fundação N7W era modernizar o conceito de 7 Maravilhas do Mundo, devido ao desaparecimento de 6 das maravilhas actuais. O que se esqueceram é que as Pirâmides de Gizé ainda existem, e não basta identificá-las como candidato. Se ainda existem, é incoerente e injusto deixarem de ser consideradas uma maravilha do mundo, ainda mais porque não foram eleitas. O objectivo deveria ter sido eleger as novas 6 Maravilhas porque uma delas ainda existia.
Assim sendo, e visto que as novas Sete Maravilhas do Mundo estão eleitas, deveria aplicar-se o conceito de 8 Maravilhas do Mundo, e não de 7. Aliás, as maravilhas do mundo são muitas mais; nem os 21 candidatos eram suficientes para completar o rol de belezas que existem pelo mundo fora. Mas um 7 é um 7; um número mágico que deve ser respeitado, e que funciona como limite para as maiores maravilhas que o mundo conheceu até hoje.
Mais do que podermos dizer que estivemos onde e quando se fez história, podemos dizer que fizemos história. Que vivemos um dia que ficará escrito nos livros, e que perdurará para sempre. E nós, portugueses, podemos orgulhar-nos de termos feito parte desse dia, em todo o mundo.

2 comentários:

Anónimo disse...

Lindo texto Raquel. Já sabes que sou fã de tudo aquilo que escreves e este texto não é exepção. Está muito bem escrito. Beijinhos

Anónimo disse...

Sim, provavelmente por isso e