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Blood Diamond - Diamante de Sangue

Um país que atravessa uma incontrolável guerra civil.
Um pescador desesperado, que procura a sua família.
Um ex-mercenário que quer abandonar o continente esquecido, África.
Uma jornalista que procura uma história, para desvendar o mundo do contrabando.
E um diamante “sujo” que pode mudar para sempre as suas vidas.
É esta a história de “Diamante de Sangue”.

A realidade nem sempre é o que queremos ver. E em África existe a prova disso mesmo. Em 1999, os revolucionários rebeldes revoltaram-se, apoderando-se também de uma mina de diamantes, e deram início a uma guerra que os permitiu matar e usar milhares de pessoas na Serra Leoa. Tal como o filme mostra, as famílias eram separadas por esses soldados rebeldes, e provavelmente nunca mais se voltariam a encontrar. Os homens fortes eram levados para trabalhar na mina, para encontrarem diamantes e os entregarem aos rebeldes. Os seus filhos eram ensinados a usar armas de fogo, e a lutarem pela revolução, sendo obrigados a participar na guerra, contra as suas próprias famílias. As suas famílias eram mortas, ou tinham a sorte de conseguir fugir. Esta é a parte real do filme. Mas a ficção confunde-se com a realidade quando descobrimos que o mundo de hoje não mudou nem um bocadinho.
Essa vida de escravos não acabou, até que um pescador, chamado Solomon Vandy, que tinha sido levado para a mina, encontrou um diamante grande, bastante raro, e conseguiu roubá-lo sem o entregar aos revolucionários, escondendo-o enterrado na terra. Desde esse dia, não disse a ninguém a localização a pedra, esperando poder ir buscá-la quando as coisas acalmassem, para poder resgatar a sua família. Foi enquanto estavam na prisão que Danny Archer o conheceu.
Archer era um branco do Zimbabué, um ex-mercenário que vendia armas em troco de diamantes. Estava a par de toda a história de contrabando, pois ele próprio contrabandeava para uma super potência até agora desconhecida. Na prisão, cumprindo uma pena por contrabando, ouviu uma conversa sobre Solomon. Quando soube do diamante, depressa fez com que os tirassem aos dois da prisão, para poderem negociar o diamante. O objectivo de Archer era entregá-lo ao governo britânico, o maior contrabandista mundial de diamantes, embora da maneira mais clandestina possível. Archer não queria saber do objectivo de Soloman, só queria usar o diamante para sair definitivamente de África, e deixar a vida de contrabandista que até ali levara.
Há uma expressão referida no filme que reflecte bastante genuinamente a situação do diamante: TIA – “This is Africa”. E é a verdade. Isto é África. Um continente esquecido por Deus, onde todos lutam para sobreviver, mesmo que isso inclua matar e deixar para trás. Um continente onde tudo tem um preço, e onde tudo se compra.
Entretanto, continuando a história do filme, aparece Maddy Bowen, uma jornalista decidida a desvendar a história de contrabando que se faz sentir em África. Procura Archer para lhe pedir informações, mas é ela própria que acaba por se envolver na história do diamante, ajudando-os numa caça à pedra escondida. Archer propõe um acordo a Solomon, dizendo que o ajuda a procurar a família se o deixar ficar com o diamante. E o pescador não pode fazer nada senão aceitar. Então, fazem de tudo para conseguir chegar lá, com a ajuda de Maddy, que, em troca, recebe nomes que a ajudem a descobrir a rede de contrabando mundial. Archer querendo o diamante cor-de-rosa, e Solomon querendo o seu filho de volta, depois de se ter tornado uma criança-soldado, lançam-se numa perseguição ao diamante. Archer está a usar Solomon, para conseguir o diamante, mas Maddy está a usar Archer, para conseguir a sua história. E há-de ser sempre assim; pessoas usando outras pessoas p+ara atingirem os seus fins. A não ser que as pessoas façam alguma coisa contra isso. E é por essa razão que se deve ir ver o filme: para se perceber o verdadeiro valor do dinheiro, e o valor das vidas das pessoas.
Um filme realista. Talvez até demasiado. Exagera um bocado nas cenas de perseguição por parte dos rebeldes, mas isso talvez aconteça para mostrar a sua perícia e a maneira “suja” como tratavam tudo e todos. Consegue mostrar verdadeiramente o inferno que era para as crianças tornarem-se soldados, e o desespero das famílias separadas. Conta uma história que, embora ficcionária, podia ter acontecido mesmo. Uma história em que o diamante é o bilhete de saída de África para Archer, e a única maneira de Solomon recuperar o filho.
Só há algumas dúvidas que permanecem até ao final do filme: irá Archer deixar Solomon morrer só para ficar com o diamante? Depois da amizade que criaram ao longo do tempo, e depois do que passaram juntos? Poderão ambos ficar vivos, tendo apenas um diamante para dois fins diferentes?
E, mais importante ainda, poderá o ciclo de sobrevivência acabar, definitivamente, com o desvendar da história que Maddy há-de escrever ao mundo?
Só há uma certeza: o mundo nunca vai mudar, quer queiramos quer não. E o contrabando nunca vai acabar. As pessoas não mudam, nem mesmo quando se vêem em situações difíceis. A sua faceta benigna está lá, algures, escondida no coração. Só resta saber se alguma vez elas a vão encontrar.
Com uma banda sonora impressionante, adequando cada música a cada momento do filme, com uma mistura de rock com sons africanos, o filme dá-nos a ideia de trabalhar para um mundo melhor, já que há quem faça o contrário. Uma interpretação fantástica de Leonardo DiCaprio, como Danny Archer, que merece a nomeação, e, talvez, o Óscar para melhor actor principal; uma grande interpretação do também nomeado pela Academia para melhor actor secundário, Dijmon Housou, como Solomon Vandy; e uma interpretação harmoniosa de Jennifer Connelly, que carrega o crítico papel de jornalista Maddy Bowen nas costas.
Uma excelente realização, com o máxima descrição quanto a efeitos especiais, que merece também o prestígio que o filme tem. E um filme soberbo, muito realista e íntimo (quanto a aspectos derivados da realidade), que mostra o quão difícil pode ser uma vida, e a quantidade de decisões que temos que tomar quanto aos outros. Um filme que valia, decididamente, a nomeação para melhor filme do ano, e que merecia, sem dúvida alguma, um Óscar. Um drama intenso que deve servir de exemplo às sociedades dos dias de hoje, e que deve incentivar outros realizadores a fazerem filmes como aquele.

1 comentários:

sofia faustino disse...

Opa ainda nao vi este filme! :(
Toda a gente me fala bem e eu ainda nao o vi... parece ser giro :D tenho de ver, alugo e depois venho ca' outra vez dizer o que achei do filme :P