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Foi Feitiço...?

A primeira vez que a ouvi foi um momento, no mínimo, estranho. Não me recordo por que razão, mas fui ao quarto dos meus pais e comecei a ouvir uma música, que vinha do rádio da casa de banho. Não sei porquê, mas parei para a ouvir melhor. É impossível exprimir o que senti naquele segundo, ao ouvir a música, porque, entretanto, já a ouvi milhares de vezes. Mas sei que foi uma sensação fora do normal. Pareceu-me uma melodia simples, mas, ao mesmo tempo, complexa. Senti que já a conhecia há imenso tempo, apesar de a estar a ouvir pela primeira vez. E parecia que aquele momento não ia ter fim, que ia durar para sempre. O facto de eu estar ali, parada, a ouvir aquela voz melodiosa a cantar uma letra que me dizia algo, foi, simplesmente, maravilhoso.
Será que foi feitiço? Ainda hoje não sei a resposta, mas acredito que sim. O que é certo é que, nos minutos a seguir, a primeira coisa que fiz foi escrever no quadro que tenho no meu quarto, o refrão daquela música misteriosa: «Eu, não sei o que me aconteceu... foi feitiço, o que é que me deu? P’ra gostar tanto assim de alguém... como tu...». Foi e ainda é a frase que mais me fascina na música. Mas toda a ela me faz sentir feliz. É nela que penso quando estou triste, embora, se virmos bem, a letra não seja, propriamente, alegre. Mas todo o universo de a estar a ouvir, da melodia e da voz do cantor André Sardet, faz com que pareça, verdadeiramente, feitiço.
É com regularidade que ouço a música. Sempre que ligo o rádio, lá está ela, sempre a perseguir-me para os lugares mais distantes. Um dia destes, quando estava a ouvir e a cantar a música no carro, olhei para a frente e vi que ela estava ali. Vi, e percebi que ela está sempre lá. Num carro que passou por nós, estava um homem a cantar a música, que estava também a ouvir na rádio. O mais curioso, é que esse homem cantava-a sem falhar uma única palavra da letra. E aí, só aí, percebi: aquela é a música dos portugueses. Quer queiramos quer não, é aquela a música que fica no nosso ouvido, e é ela que permanece nos nossos corações. Não há ninguém que não goste dela, e isso faz com que ela ganhe mais sentido na nossa vida. Parece que enfeitiça, literalmente, quem a ouve, e, pela primeira vez, sentimos que podemos fazer o que quisermos, e sonharmos até não podermos mais. É como se fôssemos ao fim do mundo e voltássemos, sem nos sentirmos diferentes. Tenho a certeza que é feitiço o que acontece sempre que a ouço, apesar de não acreditar em magia. Talvez comece a acreditar, agora.

3 comentários:

Anónimo disse...

Olá.
As palavras leva-as o tempo, é verdade.
Mas as que tocam, as que que se escrevem, as que se ouvem, as que se se sentem... FICAM.
Ficam em cada um de nós em forma de poema, de historia, de sentimento, de vivência ou simplesmente, em forma de um viver que se quer, mas que nunca se viveu, embora se tente viver.
Bonito texto.
Continua.
Virei aqui de vez em quando para navegar e também para me espantar com as tuas palavras.
Boas leituras e boas escritas.
Kit4

. disse...

From Here to eternity? Isso é uma adaptaçao da musica do Nick Cave? Acho estranho ouvires Nick Cave e ao mesmo tempo gostares tanto dessa musica do feitiço.

Raquel disse...

caro/a .
Não conheço tal música, o nome do blog vem do filme "From here to eternety", e porque gostei da expressão. E este post é de há dois anos atrás, quando tinha os meus catorze anos e escrevia sobre qualquer coisa que me viesse à cabeça, por isso os posts mais recentes estão mais actualizados e de acordo com o que penso neste momento :)