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banda sonora de um sonho concretizado

Não é novidade nenhuma que gosto de música, e que ela me faz esquecer todos os problemas e arranjar coragem para sorrir. E também não é novidade nenhuma que gosto de história, porque acho que nós não somos nada nem ninguém sem sabermos o que aconteceu antes de nascermos. As duas coisas juntas adequam-se perfeitamente ao momento que quero descrever, como se fossem uma só: a banda sonora da minha viagem ao Egipto.
Era época de Carnaval, em finais de Fevereiro do ano de 2006. Estava frio, e a ideia de passar uma semana num país quente agradava a qualquer pessoa que a tivesse. E foi assim, quase sem mais nem menos, que dei por mim num avião, a caminho de uma das viagens que mais queria fazer.
Apesar de alguns atrasos e de esperas infernais, todos os dias foram fantásticos e emocionantes. Quase parecia um filme, com tantas emoções e coisas estranhas à minha volta. Estive em Luxor, fui num barco até Assuão, vi os Templos de Luxor, Hatshepsut, Karnak, Edfu, Kom Ombo e Abu Simbel; fui ao Vale dos Reis, ao Museu do Cairo, andei de camelo, comprei papiros, bebi sumo de cana-de-açúcar, vi as pirâmides de Gizé, a Esfinge, ri-me imenso e passei um dia de anos divertidíssimo. Lembro-me de olhar para o sarcófago do Tutankamon e para a múmia de Ramsés II e de pensar estar a sonhar; lembro-me de não perceber metade do que os guias disseram, porque só falavam espanhol; lembro-me de ver os hieróglifos e de arranjar um papel com a tradução, de modo a poder escrevê-los e percebê-los; e lembro-me de quando me cantaram os parabéns, depois de um dia exaustivo em que quase tinha caído do camelo. O nosso guia no cairo chamava-me “mi novia”; um dos empregados do cruzeiro fazia esculturas com as toalhas em cima da cama, como cisnes e flores, a cada dia que passava; as paisagens eram espectaculares, cheias de vegetação; os vendedores de roupa iam de barco até ao nosso cruzeiro e atiravam a roupa lá para cima, para a venderem; o deserto era super monótono e aterrador, mas a sensação de o estar a ver era quase inimaginável; o ar era quente, para nós quase irrespirável, mas só a ideia de estarmos naquele sítio já nos fazia ter vontade de ficar ali para sempre.
Tudo parecia um grande sonho, a começar pelo facto de estar ali, no Egipto, talvez o país do mundo com mais história, e de estar a ver exactamente o que sonhava ver, um dia. Sempre disse que iria lá, nem que tivesse que ir sozinha. Era um dos meus sonhos que, felizmente, concretizei. E ainda por cima arranjei-lhe uma banda sonora, sem saber, durante a viagem.
Eram duas músicas que mal conhecia, e com as quais pensava não me identificar. Só as tinha ouvido umas duas vezes, mas decidi levá-las no mp3, para o caso de me apetecer ouvi-las. A verdade é que, assim que as ouvi, já em terras egípcias, tudo desapareceu, e quando voltei a abrir os olhos em sinal de surpresa, tudo pareceu mais claro. Eu estava ali, sim, estava a viver um sonho. Mas ao ouvir essas duas músicas percebei que não estava a sonhar, e que estava a viver a realidade. Era como se o sonho e o real se fundissem num só, originando um autêntico filme. Todos os momentos menos bons, e os melhores que passei lá, eram acompanhados pelas duas músicas que me faziam sentir diferente, apesar de nenhuma delas ter a ver com o Egipto. Ouvi-as milhares de vezes; sempre que acabava uma, punha a outra, e quando essa acabava, voltava a ouvir a primeira. Identifiquei-me mais com essas duas músicas nessa semana do que alguma vez me identifiquei com outras músicas em toda a minha vida. Para mim, elas ficarão ligadas ao Egipto para sempre. E os Greenday e o Jesse McCartney, com Time of Your Life e Because You Live, farão sempre parte da banda sonora de uma das mais inacreditáveis viagens da minha vida.

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