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Pedro e Inês - um amor eternamente belo

Por mais que o queiramos ignorar, ele está sempre aí, e aparece sempre quando menos esperamos. O amor é assim, seja ele antigo ou recente. Ele nunca deixa de nos iluminar a vida.
É impossível alguém não ter ouvido falar do amor mais trágico, mais belo e mais inesquecível de toda a história de Portugal, que faz também parte das maiores histórias de amor do mundo. É aquele amor que, por mais que não nos lembremos dele, num dia ou no outro, aparece para nos fazer recordar a lenda mais falada e mais bonita de todos os tempos. E ainda bem que ele não se deixa esquecer, porque faz-nos sempre falta recordar a história de Pedro e Inês. Tenho a certeza absoluta que eles queriam ser lembrados pelo amor que partilharam.
Durante o século XIV, no reinado de D. Afonso IV, D. Inês de Castro, uma nobre galega, chegou a Portugal como dama de companhia de D. Constança, que tinha vindo para casar com o príncipe D. Pedro. Este apaixonou-se desde logo por Inês, não se preocupando com as suas responsabilidades como futuro rei, e vivendo com a galega uma das mais envolventes histórias de amor de sempre. Segundo se conta, Pedro e Inês tiveram filhos, e terão casado em segredo após a morte de D. Constança. Mas quando o seu pai descobriu o que os unia, temendo a perda do trono para o país rival, decidiu matar Inês para proteger o estado. A raiva de Pedro e o seu amor por Inês fizeram-no vingar-se dos seus assassinos, ficando conhecido na história como “Cruel ou Justiceiro”. Diz-se que ele a coroou rainha, já depois de morta. Pouco mais de setecentos anos depois, ambos continuam sepultados um ao lado do outro, em túmulos rigorosamente decorados com cenas das suas vidas. E a sua história de amor ainda não foi esquecida.
Camões e muitos outros homenagearam aquela história, contribuindo para a sua eternidade. Mas quem precisa de provas de que o amor é o melhor sentimento do mundo, e que com ele nada mais interessa, aqui tem o que procurava. Aqui está a resposta à pergunta “o que é o amor, e até onde nos leva?”. Eu diria, Pedro e Inês – um amor eterno e belo.
É uma história que correu mundo, e que continua a correr. Mas, acima de tudo, é um amor que não morreu com o tempo, e que se manteve firme até mesmo depois da morte. Nada nem ninguém vai mudar isso, não agora. Nem que seja por um dia, ou, apenas, por um momento só, vale a pena ser Pedro e Inês. E valerá sempre.

“Dos olhos corre a água do Mondego,
Os cabelos parecem os choupais.
Inês! Inês! Rainha sem sossego,
Dum rei que por amor não pode mais.

Amor intenso que também é cego,
Amor que torna os homens imortais.
Inês! Inês! Distância a que não chego,
Morta tão cedo por viver demais.

Os teus gestos são verdes, os teus braços
São gaivotas poisadas no regaço,
Dum mar azul turquesa intemporal.

As andorinhas seguem os teus passos,
E tu morrendo com os olhos baços,
Inês! Inês! Inês de Portugal.”

José Carlos Ary dos Santos

1 comentários:

Anónimo disse...

"Nem que seja por um dia, ou, apenas, por um momento só, vale a pena ser Pedro e Inês. E valerá sempre."

Que nunca te esqueças do que aqui deixas escrito.

Quando chegar a tua vez ama assim,com entrega e sem medo.

Essa é a recompensa de uma vida.

Olhar para trás e saber que se amou desesperadamente e que se foi desesperadamente amado.

Esse é o tipo de amor que todos queremos encontrar. É desta materia que são feitos os sonhos de amor.

PS-Em todo o caso, quando amares deixa que te amem sempre um pouco mais do que aquilo que tu amares.