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Super-Homem: a lenda de uma estrela

Nunca gostei de ficção científica. Nunca me deixei fascinar pelas histórias do Super-Homem. E nunca pensei acreditar nele. Até hoje.

Em meados de Julho, os canais de televisão e as estações de rádio já estavam a anunciar o tão esperado “Super-Homem – O Regresso”. Eu adorava ver “Smallville”, a série televisiva sobre a vida de Clark Kent, antes de ser o herói da humanidade, mas não me agradou nada a ideia da estreia daquele filme. É ficção científica, e é baseado numa banda desenhada. Porque é que as pessoas gostam tanto do Super-Homem?
A resposta à minha pergunta veio, exactamente, no dia em que a RTP exibiu o filme “Super-Homem”, de 1978, com Christopher Reeve no papel principal, Gene Hackman como Lex Luthor e Marlon Brando no papel de Jor-El, o verdadeiro pai do Super-Homem, Kal-El. Comecei a ver o filme e logo fiquei agarrada ao ecrã. A qualidade não era a melhor, é claro, mas o filme transmitia uma ideia do Super-Homem que eu ainda não conhecia.
Porque é que as pessoas gostam tanto do Super-Homem? Talvez porque ele nos leva onde não conseguimos chegar: ele voa, e usa esse dom para salvar o mundo, em vez de o usar para seu próprio bem; e a história é emotiva, não a conseguimos deixar de acompanhar. A sua paixão por Lois Lane leva-o ao limite, porque o próprio Clark chega a ter ciúmes do seu outro “eu”. O Super-Homem é o herói de todo o mundo. E as pessoas adoram-no por isso mesmo.
Depois de ver aquele filme na televisão, também eu tive curiosidade de ver o filme no cinema. Só havia um problema: Christopher Reeve era o eterno Super-Homem, e não havia ninguém que o pudesse substituir. Mas o realizador foi eficaz na sua escolha. Um rapaz chamado Brandon Routh, de apenas vinte e seis anos, apareceu-lhe no casting para o filme. A maior curiosidade é que o jovem era muito parecido com o seu antecessor no filme, Christopher Reeve. O problema ficou resolvido, e Brandon Routh tornou-se o novo Super-Homem, quase sem ninguém dar pela mudança.
A imagem de marca da personagem é o caracol. Clark Kent está sempre penteado, com o cabelo brilhante e os óculos grandes que o diferenciam do Super-Homem. O herói tem sempre um caracol no cabelo, não usa óculos e mostra um charme irresistível. Ainda assim, é incompreensível que ninguém os reconheça como sendo a mesma pessoa. Se calhar, não querem reconhecer.
O filme que vi no cinema, dias depois, “Super-Homem – O Regresso”, é como uma continuação para o original, de 1978. Kate Bosworth é Lois Lane, e Lex Luthor é representado pelo tão famoso actor, Kevin Spacey. No primeiro filme, depois de conhecer os seus poderes, Clark conhece Lois e apaixona-se por ela, usando a sua faceta de Super-Homem para a conhecer melhor e a conquistar. Mas tem de se confrontar com Lex Luthor, quem consegue pôr na prisão, no fim do filme. No segundo filme, o maléfico criminoso sai da prisão, voltando a instalar o crime e tentando acabar de vez com o Super-Homem, como vingança. Descobre o seu ponto fraco, a criptonite, e faz um plano para o destruir. Entretanto, as pessoas percebem que o Super-Homem não as abandonou, quando ele regressa da sua viagem de cinco anos pelo universo. Também Clark Kent regressa ao trabalho, verificando que Lois vive com Richard, de quem tem um filho, Jason. As coisas complicam-se quando ela e Jason são raptados. Mas resistirá o Super-Homem à criptonite e ao amor que pensa não ter de Lois? E será Jason mesmo filho de Richard? As perguntas acabam neste Verão.
Com uns efeitos especiais de cortar a respiração, e com uma realização espectacular, até eu fiquei a gostar de ficção científica. A história está original e é a continuação perfeita do outro filme. Não podia ser melhor. Tem suspense, embora demasiado fictício, e está feito com uma acção impressionante. Estamos sentados na cadeira do cinema, mas sentimos que estamos mesmo no sítio onde se passa a acção. E só nos apetece participar no filme. Queremos saber logo o que vai acontecer, mas optamos por ver o filme até ao fim e descobrir o tão maravilhoso final. Não digo que seja mais emocionante que o primeiro filme, porque a época é outra e a tecnologia está muito mais desenvolvida. Mas a história é mais emotiva e centra-se na personalidade do herói, não tanto na salvação da humanidade.
O filme é dedicado a Christopher Reeve, e tenho a certeza absoluta que, esteja onde estiver, ele se sentiu grato pela homenagem. Nada melhor do que aquele filme para o glorificar. Brandon Routh também o homenageou como ele merecia, dando continuidade à imagem do Super-Homem e à sua personalidade, embora com um pouco mais de classe.



Neste Verão, olhem para o céu. Se adoram o Super-Homem, estejam bem atentos. Ele anda aí. E não se esqueçam: ele está sempre nas redondezas.

2 comentários:

Cristina Silva disse...

Muito bem escrito! Parabéns

Anónimo disse...

Escreves muito bem...mereces a luz do SOL...já te enviei uma mensagem por e-mail.

Um abraço

Elanajanela