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O 25 de Abril… 32 anos depois


Passaram trinta e dois anos desde o dia que deu esperanças ao povo, desde que nos vimos salvos do mundo cruel em que estávamos presos. Quem me dera ter estado lá, só pela sensação que, outros contam, foi das melhores que já sentiram. Foi o dia da concretização de um sonho para todos os portugueses e, principalmente, para todos os militares envolvidos na revolução que trouxe de novo liberdade a todos os que a desejavam. A todos eles, agradecemos pela coragem e determinação com que planearam, enfrentaram e venceram um regime de insegurança e censura, temido por todos os que eram obrigados a vivê-lo. Se não fossem eles, o que seria de nós hoje? Estaríamos aqui, a escrever livremente até onde a mente nos levasse? Muito provavelmente, não.
Por mais tempo que tenha passado, é bastante simples imaginar como era Portugal há quarenta anos atrás: um país onde as leis eram censuras, onde só vivia bem quem dizia apoiar o regime, e onde o povo não tinha direitos de ser o próprio povo. A Ditadura governava imperiosamente; os que a apoiavam, eram beneficiados, os que não o faziam, eram torturados até ao limite pela PIDE, sendo obrigados a denunciar todos os que sabiam também ser contra. A maior parte não era a favor, pois o que é um país sem a opinião dos seus habitantes? As eleições eram boicotadas, a televisão e a rádio só passavam músicas e programas autorizados, os jornalistas só diziam o que fosse a favor do regime, e os escritores não podiam lançar livros que fossem contra a Ditadura. Ao fim e ao cabo, todos os caminhos iam dar à censura. Nada que fosse a favor da Democracia era permitido em Portugal.
Mesmo depois de António Salazar falecer (dizer este nome ainda provoca calafrios e raiva no coração de muitos que sofreram à sua custa), a Ditadura continuou com a máxima força. O governo perseguia e matava todos os que não lhes agradassem.
Até que um dia, 25 de Abril de 1974, houve alguém que se preocupou, não só consigo, mas com todo o povo português.
A versão mais simples conta que o General António Spínola e alguns militares planearam aquela revolução cuidadosamente. Depois de tomarem várias rádios, e a própria RTP, o Capitão Salgueiro Maia e os seus militares invadiram o Terreiro do Paço. Nesta altura, Marcelo Caetano já se encontrava no Quartel do Carmo, refugiado. O povo ignorou os avisos da televisão e da rádio para ficar em casa, e saiu à rua para ver o que estava a acontecer. Não se arrependeu, decerto. A censurada música “Grândola Vila Morena” de Zeca Afonso podia ouvir-se, naquela noite, na rádio, como que para avisar da chegada do MFA (Movimento das Forças Armadas) à revolução. Depois de cercarem os Quartel do Carmo, os militares negociaram a rendição de Marcelo Caetano, que acabou por não ter escolha. O povo podia ser, de novo, livre para viver.
A revolução ficou conhecida como “Revolução dos Cravos”, porque quase não foi derramado sangue na operação democrática (apenas foram abatidas a tiro pela PIDE quatro pessoas, e quarenta e cinco ficaram feridas). Ainda hoje, o cravo significa democracia para todos os portugueses.
O MFA introduziu em Portugal os três princípios da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A Revolução conduziu-nos para um mundo melhor. E é lá que nos encontramos.

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