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Liga dos Campeões: Benfica-Manchester: 7/12/2005

Não tinha grandes esperanças. Dirigi-me ao Estádio da Luz pelas dezoito horas, num dia de muito frio que até não tinha corrido mal. Os adeptos do Benfica eram já muitos, mas o Estádio estava ainda longe de estar cheio. Nas bancadas viam-se algumas mensagens de apoio ao nosso clube, como “QUEREMOS UM SUPER-BENFICA” e “ACREDITEM E VENÇAM”. Mas a minha moral estava ainda muito em baixo. Quem a conseguisse levantar fazia um grande milagre. Comecei a ver nos ecrãs do Estádio “SLB – MUFC”, e comecei a pensar no jogo que se adivinhava grande. As nossas probabilidades eram escassas: ocupávamos o último lugar do Grupo D, e estávamos prestes a defrontar uma das melhores equipas de Inglaterra e da Europa. Nomes como Cristiano Ronaldo, Scholes, Van Nistelroy, Rooney, Van der Sar e Giggs, entre outros, assombravam o meu pensamento naquela noite de receio. Pensei: «só se ganharmos é que poderemos ter um motivo de orgulho». E repensei: «não vale a pena tentar, sequer. Como estamos neste momento vamos sair daqui com uma derrota 0-3.». Não sentia pena de sair da Liga dos Campeões, porque, se perdêssemos, sei que merecíamos.
As equipas começaram o aquecimento e o lote dos titulares fora divulgado. O Benfica ia jogar sem Simão, Miccoli, Karagounis ou Karyaka. Nuno Gomes iria jogar atrás de Geovanni, a apoiá-lo no ataque, o que, aparentemente, não fazia qualquer sentido. Koeman atrevia-se a fazer experiências num jogo importante como aquele? As bancadas foram ficando cheias de pessoas com cachecóis vermelhos, não sei se de medo se de força. O ambiente era fantástico, mas eu não estava confiante. Queria ver um bom jogo, com uma boa equipa, o Manchester, que nunca tinha visto ao vivo. O jogo começou com um golo inacreditável do Manchester United, marcado por Scholes, numa jogada na qual o jogador levou a bola até à baliza, e o guarda-redes Quim se atrapalhou. O 0-1 confirmava a minha expectativa de um jogo de desilusão. Mas, dez minutos depois dos seis do primeiro golo, Geovanni surpreende todos os que o assobiavam, até mesmo eu, ao marcar um golo de cabeça, na consequência de um cruzamento de Nelson. Os adeptos levantam-se numa grande euforia, porque a esperança regressara. Aos trisnta e poucos minutos de jogo, Beto remata sem ângulo para a baliza contrária, e Scholes desvia a bola para a própria baliza, provocando o momento mais marcante da noite: o nosso segundo golo, que nos colocava no segundo lugar do Grupo D. Os que, como eu, também os tinham criticado, foram obrigados a aplaudir os grandes heróis da noite.
Nunca pensei que o jogo acabasse assim, mas o Benfica defendeu bem a vantagem na segunda parte, e o Manchester não esteve à altura. Quando o árbitro grego apitou o final da partida, eu e todos os benfiquistas, os sessenta e cinco mil que estavam no estádio e os muitos milhões que se encontravam a ver o jogo na ver televisão, ou a ouvir o relato na rádio, por tudo o mundo, explodimos de alegria e de orgulho. Os nossos olhos encheram-se de lágrimas, ao ver os nossos heróis a festejar, no relvado, a passagem à próxima fase da Liga Milionária e, sobretudo, a história que acabara de ser escrita. Pela primeira vez, as águias venciam o clube inglês. E a nossa águia Vitória surpreendeu, até, os adeptos ingleses que estavam na Luz. A noite que eu pensava ser para esquecer, fora precisamente o contrário: o melhor jogo da minha vida. Para sempre, Benfica.

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