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O cenário, em si, é um choque à primeira vista. Pequeno, acolhedor, mas totalmente diferente do que se vê na televisão, parece ter encolhido uns bons metros desde que o vimos na noite anterior a partir da caixinha mágica que temos em casa. Colorido, vivo, hospitaleiro, faz adivinhar um ambiente de enorme descontracção e alegria entre a equipa do programa, o que se denota imediatamente na forma como o público é permitido de entrar e conhecer o espaço antes do início do espectáculo. Salta à vista o frigorífico esverdeado, com o verbo da semana, lucubrar, fixo por íman (dentro do frigorífico, podem encontrar-se canecas com o ícone do programa, das que se oferecem aos convidados, e inúmeras buzinas que o Nilton e o Boinas tanto gostam de usar), tal como o relógio que marca irremediavelmente a meia-noite menos cinco minutos e o aquário com os peixinhos de diversos tamanhos e feitios.| Reacções: |
O Twitter e a sua utilização foram recentemente analisados num estudo da Pear Analytics, que mostrou alguns pormenores curiosos acerca desta rede social. O estudo examinou duas mil mensagens (tweets), escritas em inglês, divididas por seis categorias: ‘notícias’, ‘spam’, ‘auto-promoção’, ‘conversas’, ‘nada’ e ‘RTs’. Contrariamente ao que se previa, os tweets categorizados como ‘spam’ e ‘auto-promoção’ não foram os mais registados no período analisado. A principal conclusão retirada deste estudo foi o predomínio dos tweets sobre ‘nada’, mensagens sem conteúdo relevante, como por exemplo “estou a comer uma sandes”.Publicado em TwitterPortugal Blog
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Em relação às interpretações, há também muito a apontar. Mattthew Perry é um senhor da comédia, um actor que nunca foi muito aclamado mas que dá passos nesta indústria há muitos e vai captando, de tempos a tempos, a atenção dos mais distraídos. Representando Mike O’Donell enquanto adulto, não se adequa na perfeição às exigências do papel, mais dramático e maduro… mas ainda assim consegue realizá-lo. Falta-lhe talvez um pouco mais de protagonismo, apenas. Thomas Lennon é o protagonista dos momentos mais humorísticos do filme, na pele de Ned, amigo inseparável de Mike, o que retira alguma seriedade ao filme e é, seguramente, propositado, de modo a tornar mais leve o ambiente carregado da história.
Acima de tudo, 17 Anos, outra vez! é mais um típico filme de Domingo à tarde, para toda a família, divertido, com alguns momentos mais sérios, mas que prima sobretudo pela mensagem que pretende transmitir. Ao voltar ao liceu, Mike compreende que a sua missão é não só ajudar os filhos adolescentes a ultrapassar os momentos difíceis da juventude, como também aproveitar a segunda oportunidade, não para remediar o passado, mas para melhorar o futuro e mudar quem é no presente. E as pessoas identificam-se com essa mensagem, tenham elas dezassete anos ou quarenta, porque todos vivemos e nos arrependemos de algumas acções efectuadas no passado. Vale a pena ver o filme, pela realização, pela mensagem, e pela consagração de Zac Efron como um dos actores em ascensão no panorama de Hollywood. E porque saí da sala de cinema com uma sensação enorme de preenchimento, de dever cumprido, de realização. Aconselha-se vivamente.| Reacções: |
Estamos na era digital, das novas tecnologias e da sua adaptação cada vez maior à vida quotidiana. Para termos uma ideia clara, são cerca de 625 milhões os utilizadores activos da Internet, em todo o mundo, segundo o mais recente estudo da Universal McCann. No caso específico do nosso país, contam-se 2,9 milhões de utilizadores activos – muito abaixo dos cerca de 23 e 19 milhões registados, respectivamente, na Alemanha e em França, países europeus líderes neste ponto; mas ainda assim um número considerável tendo em conta os 10 milhões de portugueses. Agora o aspecto mais surpreendente deste estudo, no que diz respeito a Portugal: destes utilizadores activos, 2,1 milhões criaram perfis em redes sociais. Cerca de 73 por cento, valor superior à média universal de dois terços.
O estudo já referenciado revela outro pormenor curioso: ao nível global, os principais objectivos dos frequentadores de redes sociais na Internet, ao criarem os seus perfis, são o envio de mensagens a amigos, a publicação de fotografias, o reencontro de antigos amigos e o estabelecimento de novas amizades. Revela ainda que, no domínio da Internet, os blogs estão a perder terreno no que respeita à partilha de informação e de conteúdos multimédia, que tem vindo a crescer progressivamente nas redes sociais. As redes permitem aos utilizadores fazerem tudo o que quiserem num blog e mais ainda, apesar de diferentes tipos de redes se adequarem a diferentes tipos de utilizadores e mercados dominantes. Estas plataformas continuam a crescer, enquanto outros elementos dos social media estagnam ou entram
Entre
Ilações gerais a retirar destes dados são a perda de terreno do MySpace em relação ao Facebook, nos últimos anos, e a vulgarização deste como meio de partilha de informação. Se observarmos bem, a maioria destas redes de social network foi fundada entre 2003 e 2004 (hi5, Facebook, MySpace, LinkedIn…), sendo as diferenças de utilizadores entre elas justificadas pelas suas diferentes funcionalidades e a sua atractividade para os utilizadores da Internet. O LinkedIn, exemplificando, é uma rede voltada para as empresas, registando mais de 170 indústrias diferentes, não sendo tão vulgarizado como, por exemplo, o hi5, que foi abraçado maioritariamente pelas camadas etárias mais jovens. O Twitter é a excepção neste grupo de redes sociais: fundado há três anos, está neste ano de
A questão não é, portanto, se vale ou não a pena aderir, se há ou não interesse em criar um perfil numa rede social, se x ou y são redes para aderir ou evitar. A verdadeira questão é: será que o entusiasmo de aderir a uma rede social e criar um perfil se desvanece passado algum tempo? Depende, claro, como tudo na vida… Depende da rede social em causa, do tempo, da disponibilidade do utilizador, das suas intenções ao criar o perfil. Para além disso, existe a questão das modas: a rede que está em voga hoje pode já não estar amanhã, e a rotatividade é constante. A própria moda das redes sociais pode vir terminar num abrir e fechar de olhos. No entanto, o estudo da Universal McCann revela que quase 65 por cento dos utilizadores activos da Internet, com perfis em redes sociais, gastam tempo a actualizar as suas informações e conteúdos exibidos nos perfis, o que contradiz a opinião de muitos que referem a perda de interesse das redes sociais e o consequente perecimento do interesse depositado nelas por parte dos utilizadores.
Em relação à importância das redes sociais, sabemos que têm os seus prós e contras. Por um lado, promovem a abertura à informação global (aproveitando a expressão, são uma “janela aberta para o mundo”) e ao conhecimento do que nos rodeia. Por outro, podem levar à exclusão social e à supressão do contacto face-to-face, principal crítica endereçada às redes na Internet. Porém, ao nível do jornalismo, com a revolução que se está a verificar, através da partilha de informação em tempo real, o valor destas redes é incalculável. Estão a alterar por completo a face da informação, a impulsionar o jornalismo de cidadão – qualquer um de nós pode relatar um acontecimento para o mundo –, a mudar o papel do jornalista na sociedade de informação. Ao nível das empresas, as redes sociais surgem como meios de divulgação de actividades, de produtos, de informação, e podem vir a tornar-se fundamentais como elemento de contacto entre trabalhadores e clientes. Ao nível da política institucional, surgem também como meio de aproximação entre eleitos e eleitores, como forma de divulgação de eventos e opiniões, e até como sensibilização para as questões que preocupam o país e o mundo.
Queiramos ou não fazer parte do progresso, é fundamental abraçar e acompanhar a modernização que se verifica nos dias de hoje, e a adesão e exploração das redes sociais faz parte desse processo evolutivo.
Publicado em TwitterPortugalBlog.
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Sempre na vanguarda das novas tecnologias e da sua utilização na política, o deputado Jorge Seguro, em conjunto com Rui Grilo e o jornalista Paulo Querido, convidaram o Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates, para um encontro com bloggers, ao estilo de uma conferência de imprensa. A blogconferência teve lugar na Segunda-feira dia 27 de Julho, pelas cinco horas e meia da tarde, na Cantina Lx Factory em Lisboa.
Paulo Querido, pivô e moderador da conferência, deu início à sessão, colocando desde logo a sua questão para José Sócrates. No twitter, em simultâneo, criticava-se o facto de a transmissão do encontro na Internet ter falhado, o que ainda não foi explicado. Paulo Querido, Jorge Seguro e Rui Grilo lamentaram a falha técnica que impossibilitou os ausentes da Cantina Lx Factory da visualização da conferência. Os presentes, por seu lado, sobretudo os bloggers, contribuíam através dos seus twitters pessoais para a transmissão das ideias da conferência, utilizando a hashtag #BlogConf, um dos trending topics do dia entre os twitters portugueses.
As questões para o Primeiro-Ministro sucederam-se, sempre num ambiente leve, informal, com algum humor à mistura e a maior descontracção possível, mesmo durante as intervenções dos bloggers ditos “de direita”. José Sócrates afirmou logo no início: “Dizem que os blogues falam mal de mim, e eu quis verificar isso e ter oportunidade de me defender.” Durante mais de quatro horas, os bloggers presentes intervieram com as suas questões. Mais do que uma conferência, a sessão tornou-se uma conversa, uma espécie de debate ponderado, com troca de ideias e de opiniões. Interrompido sucessivamente pelo pivô, preocupado com os seus discursos alongados, José Sócrates respondia prontamente: “Eu tenho tempo…”.
Aqui fica a lista dos participantes, entre os quais se inclui este blog (que, ao contrário do que se diz na comunicação social, não se chama Cronistas Para Mais Tarde Recordar… o endereço é www.cronicasparamaistarderecordar.com, o nome do blog é From Here To Eternity :D). Esclarecimento: a comunicação social, e o próprio José Sócrates, referiram diversas vezes que os vinte bloggers eram os principais do país, os mais famosos de Portugal. A verdade é que eram, simplesmente, os que primeiro se inscreveram no site http://blogconf.org/ , e nada mais do que isso. Fica o esclarecimento.
Aqui ficam algumas notícias referentes à blogconferência: | Reacções: |
Existem inúmeros cursos de Jornalismo / Comunicação em Portugal. Apesar da elevada taxa de desemprego e das dificuldades que o sector está a viver, centenas de jovens candidatam-se, anualmente, a cursos relacionados com a área das ciências da comunicação e do jornalismo, em Portugal.
O que devem os estudantes que pretendem seguir Jornalismo procurar num curso? Nos dias que correm, as boas médias não são suficientes para captar atenções; é necessária uma certa persistência, alguma experiência e diversificação de capacidades. O mundo da comunicação está a tornar-se cada vez mais exigente, valorizando cada vez mais a parte prática dos cursos, a experiência no terreno, do que propriamente o que se aprende dentro das salas de aula.O SONHO DE SER JORNALISTA
As expectativas de quem quer seguir um curso de comunicação/jornalismo são sempre elevadas. Há uma boa dose de visão romântica do jornalismo e um desconhecimento do que o espera durante a licenciatura. A parte prática e formação profissional de jornalismo são por norma pontos comuns nas expectativas de quem aspira a ser jornalista.
Pedro Coelho tem 18 anos, é de Oliveira do Hospital, e terminou este ano o Ensino secundário. O passo seguinte será a candidatura à universidade e a tentativa de colocação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tal como refere na entrevista, apesar de não ter ainda a formação em jornalismo, a experiência na rádio Boa Nova, rádio Local de Oliveira do Hospital, tem-no ajudado a compreender o difícil mundo da comunicação e a contactar com esta realidade. [ entrevista]
A REALIDADE FACE ÀS EXPECTATIVAS
Se as expectativas são muitas a realidade acaba sempre por desiludir. Alguns alunos de cursos de comunicação de várias universidades portuguesas dão-nos conta das expectativas iniciais e da realidade que encontraram sem deixar de falar do futuro que esperam.
Diogo Cavaleiro tem 19 anos e é aluno do segundo ano de Ciências da Comunicação, vertente Jornalismo, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.
Quando entraste no curso, esperavas que fosse como é, na realidade, ou tinhas uma ideia totalmente diferente do que seria estudar jornalismo?
Tinha uma ideia diferente. Apesar de me ter informado sobre o curso e a faculdade, a diferença face ao que esperava foi notória. Pensei em algo muito teórico mas também que houvesse um complemento prático maior do que o que, efectivamente, existe. E as ideias que temos sobre o que é estudar jornalismo alteram-se conforme o que se vai aprendendo. Todos os dias vamos aprendendo e percebendo novos objectivos.
Achas que o curso está adequado ao que se pretende num jornalista?
Por um lado sim, porque tem uma vertente teórica importante, com partes de cultura essenciais para alguém que quer ser um jornalista. No entanto, por ser um curso de Ciências da Comunicação e não de Jornalismo, essa parte sofre em termos de quantidade e de qualidade. Na área do jornalismo, fazia-nos falta mais condições técnicas e mais cadeiras. E essencialmente, segundo penso, um olhar mais real para o jornalismo actual com o qual só temos contacto com certos professores.
Porquê este curso?
Na altura das candidaturas, tive dúvida entre a FCSH e a UCP. Acabei por optar pela UNL por ser pública, porque tinha prestígio, porque achei interesse na oferta curricular.
Quais as perspectivas de futuro com a licenciatura em jornalismo?
Não são muito grandes. Toda a gente sabe que é uma área saturada e não há medidas em relação a isso. Não se diminuem as vagas e continua-se a aceitar um número enorme de pessoas na área em que dificilmente conseguem todos emprego. É tudo uma questão de trabalho, esforço, interesse mas também sorte.
A frequentar o segundo ano do curso de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Ana Fernandes de 19 anos considera que o curso corresponde às suas expectativas destacando que a falta de tempo para desenvolver assunto e matérias será o maior problema. [ entrevista]
Marco Almeida Paulo é um jovem de 22 anos, estudante de Ciências da Comunicação e da Cultura, vertente Jornalismo, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa. O jornalismo é a sua grande paixão, a par do cinema, da música e dos videojogos. Participa na revista online de cinema Red Carpet, e tem ainda outros blogues e sites onde escreve sobre os mais diversos assuntos.
Quando entraste no curso, esperavas que fosse como é, na realidade, ou tinhas uma ideia totalmente diferente do que seria estudar jornalismo?
Quando entrei no secundário não tinha qualquer intenção de seguir jornalismo. Só após dois anos num outro agrupamento é que comecei a despertar para o jornalismo, assim como o meu gosto por essa área começou a aumentar. Quando então decidi mudar de agrupamento comecei desde logo a informar-me acerca de todas as saídas que tinha após terminar o secundário e quais me interessavam. Sabia que um curso baseado em teoria, onde a verborreia fosse uma constante, não me seria útil. Hoje em dia interessa saber o que fazes e não o que outros possam ter feito. Certamente ajuda, para que não caias nos mesmos erros, mas tem muito mais relevância saber com o que irás lidar na vida profissional do que propriamente com o que outros lidaram. A Universidade Lusófona foi assim a minha primeira, talvez única, escolha pois era o curso que apresentava, e apresenta, as cadeiras mais práticas, que realmente ensinam algo de útil, não pondo de parte alguma teoria, mas não a usando como base. Posso assim dizer que a ideia que tinha do curso em ser bem mais focado na prática do que as restantes universidades não se mostrou falso e hoje em dia não podia estar mais contente com a escolha. Tenho estudado todas as bases do jornalismo, que em todo o lado as ensinam, e que preparam o aluno para o futuro.
Achas que o curso está adequado ao que se pretende num jornalista?
Como respondi anteriormente, o curso é bem focado no mercado de trabalho, com a realidade do jornalista. E como mostrar essa realidade? Usando profissionais, actualmente no activo, a leccionar as cadeiras, que cativem os alunos, que realmente mostrem o que se passa fora das quatro paredes de uma sala de aula. Num curso como jornalismo não basta colocar um professor qualquer a relatar matéria para que o aluno mais tarde a despeje num exame, aliás, várias cadeiras dispensam o exame obrigando o aluno a realizar trabalhos práticos que irá efectuar no seu emprego, se houver emprego! Reportagens televisivas, radiofónicas ou de imprensa ou notícias para os vários meios, é tudo feito a pensar na melhor forma de ensinar os jornalistas de amanhã. Se está bem adequado, ou não, ao que se pretende num jornalista é uma questão que talvez não possa responder da forma mais correcta, já que não frequentei outros cursos, mas olhando para as cadeiras, e respectivos objectivos, de outras universidades, acho que o curso onde estou, Ciências da Comunicação e da Cultura, é dos melhores que actualmente existem na grande Lisboa. Aliás, nem sou só eu que o digo, mas sim todo um conjunto de profissionais e instituições que elegem este curso como um dos mais competentes na actual formação de jornalistas.
Porquê este curso?
Repetindo algumas das coisas já ditas, este curso é mais prático que os demais. Tinha mais alternativas para além de uma Universidade privada, que actualmente o único senão é pagar-se bem mais que o normal, além de não ser assim tanto quanto isso, pois de resto é tão boa ou melhor que uma pública! Contudo, se vou pagar, seja que quantia for, para uma formação a pensar no meu futuro, que pague por algo que realmente vá valer a pena, que não tenha como único e simples propósito chegar ao final e poder dizer que tenho um curso mas que me tenha dado boas bases para continuar a aprender na minha profissão e, ao mesmo tempo, praticá-la da melhor forma que me for possível!
Quais as perspectivas de futuro com a licenciatura em jornalismo?
Quais as exigências a que deve um curso de jornalismo responder?
Artigo completo em COMUNICAMOS
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Tudo começou há semanas atrás, quando Jorge Seguro Sanches, deputado do Partido Socialista por Castelo Branco, teve a ideia de organizar um encontro de twitters na Assembleia da República. O Twitter, para quem desconhece, é uma espécie de rede social que funciona num sistema de microblogging, com a emissão de mensagens com 140 caracteres, no máximo, e a sua difusão para utilizadores em todo o mundo. Jorge Seguro foi um dos primeiros deputados portugueses a aderir à nova moda e a utilizar as novas tecnologias para contactar directamente com o público.
O debate do Estado da Nação, marcado por esta inovação tecnológica, foi também distinto, como era esperado, pela intervenção do Primeiro-Ministro José Sócrates, defendendo as políticas do Governo e as medidas tomadas ao longo dos quatro anos da legislatura, e pelas intervenções críticas da oposição. O Primeiro-Ministro reforçou a ideia de qualificação e formação profissional da população como aposta para o futuro, ideia essa que tem vindo a defender desde o início da legislatura e à qual o seu Governo tem procurado dar resposta. No discurso inicial, reforçou ainda a aposta fundamental nas energias renováveis, histórica e decisiva para o futuro do país e da Europa, e da qual Portugal é um país pioneiro. José Sócrates revelou ainda o investimento público na requalificação de centros de saúde e urgências, e o reforço na construção de novos equipamentos sociais, sendo esta uma das principais medidas anunciadas neste debate.
Em nome do PSD, Paulo Rangel criticou sobretudo a falta de capacidade do Governo para contornar os chamados três D’s - desemprego, dívida externa e défice –, falando num Sócrates a viver “no país das maravilhas”. Pedindo para interpelar o Primeiro-Ministro e começando a criticar, durante a interpelação, novos temas e políticas executadas pelo Governo, o direito à palavra foi-lhe imediatamente retirado pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, originando um certo ambiente pesado entre os presentes. Este debate foi também mercado pela última intervenção de Paulo Rangel na Assembleia portuguesa, ele que foi agora eleito para o Parlamento Europeu e deixará o seu cargo como deputado. Agradeceu a todos os partidos, sem excepção, pelos momentos que passou na Assembleia.| Reacções: |
O twitter continua a surpreender, todos os dias. Não, não se tornou uma moda passageira, como todos pensavam que aconteceria. Não, os seus membros não deixaram de passar metade dos seus dias na rede social que parece constituir um vício eterno. Pelo contrário. O conceito está mais vivo do que nunca, as conversas via twitter estão cada vez mais difundidas, e as utilizações do serviço diversificam-se a cada dia que passa. Hoje, pela primeira vez na história do twitter, um grupo de oito pessoas foi esperar uma outra, apenas conhecida no twitter, ao aeroporto. Será a amizade nas novas tecnologias?
Entretanto, e sem @Calvas suspeitar de tal coisa, alguns dos seus amigos twiterianos preparavam uma recepção para o «emigrante» na Portela, desde as onze horas e pouco. Com rissóis, cerveja, uma mesinha onde colocar os aperitivos e pequenos cartazes a dizer «Missão Croquete» e «@Calvas, estamos aqui!», a designada Comissão de boas-vindas a João Calviño preparava-se para surpreender e receber de braços abertos o amigo que apenas conheciam do twitter, e que chegaria no voo TP 6700 FRANKFURT.
Paula Pico confirma: «Por brincadeira nasceu a ideia… e hoje foi o cumprir da promessa». @Calvas diz ainda que a brincadeira começou quando o grupo fez uma petiscada com a Alberta Marques Fernandes e ele próprio disse que, quando regressasse, tinham de combinar uma refeição juntos, ideia que recebe a confirmação de Joel e Sandra Silva, também membros da Comissão de boas-vindas.
Terminada a missão, que todos os participantes declararam cumprida, Luís Lopes, também da Comissão de boas-vindas, fez o ponto da situação: «E foi assim mais um episódio do twitter. Obrigado a todos os participantes, aos rissóis, broa, às minis,...à mãe do @Calvas». E foi realmente um episódio do twitter, mas não apenas mais um. Foi algo inédito na história. Oito pessoas que não se conheciam de lado nenhum, que nunca se tinham visto na vida, que apenas tinham comunicado através do twitter, encontraram-se no aeroporto da Portela, em Lisboa, para receber e dar as boas-vindas a outra pessoa que apenas conheciam da Internet, e que regressava de uma longa viagem de avião. É inédito. E é uma fantástica prova de amizade.| Reacções: |
Home – O Mundo é a Nossa Casa é o filme mais comentado dos últimos dias e uma das novidades do realizador Luc Besson, que produz este documentário de alerta quanto aos problemas ambientais. A estreia mundial, a 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, aconteceu em diversas plataformas: na Internet, no cinema, em DVD, na televisão, e ainda em inúmeras iniciativas em cerca de cinquenta países em simultâneo. Mais do que um filme, mais do que um documentário, Home é um evento à escala mundial, que pretende sensibilizar, de forma interactiva, os mais cépticos, para a reconstrução do equilíbrio do planeta e a inversão da tendência de destruição que se verifica há mais de cinquenta anos.
Nos últimos cinquenta anos, a Humanidade alterou os ciclos naturais e comprometeu o futuro do planeta. A primeira parte do filme de Yann Arthus-Bertrand alerta exactamente para estar história da Terra, que está a ser destruída por uma das suas espécies e pode não vir a recuperar dos danos que esta lhe tem causado. A voz de Glenn Close, que acompanha todo o documentário, consegue dinamizar os temas abordados e captar a atenção do espectador, mas talvez faltem alguns testemunhos de especialistas, de modo a quebrar o ritmo monótono de documentário nesta abordagem geral. Apesar disso, a simplicidade e preocupação com que é tratado o tema, no argumento, demonstra um cuidado especial com a transmissão da informação para todas as pessoas, independentemente da idade ou instrução, o que é fundamental numa obra sem fins lucrativos e repleta de um forte conteúdo institucional.
O passado já lá vai, não há nada que possamos fazer para o remediar. O futuro, porém, encontra-se nas nossas mãos. Tal como o Homem conseguiu deteriorar a situação do planeta, conseguirá prevenir que tal aconteça no futuro, desde que altere os seus padrões de vida a partir de agora e tente inverter a situação nos próximos dez anos. Uma acção individual conta para ajudar a salvar o planeta, e as mentalidades começam já a ser alteradas nesse sentido, sendo que Home pretende aumentar a confiança na mudança de hábitos e na protecção das gerações futuras. É demasiado tarde para ser pessimista – esta é a principal mensagem do filme. Mais do que portugueses ou europeus, todos somos cidadãos do planeta Terra, cidadãos do Mundo, e temos o dever de viver e evoluir com a prudência necessária para recuperar o equilíbrio natural perdido. Home é um documentário fundamental na construção de uma mentalidade ambiental, que vale a pena pela mensagem sensibilizadora e pelo alerta mundial. Não perca, no cinema, em DVD, ou no Youtube.| Reacções: |
Luís Pinto-Bastos. Perdão… Luís Franco-Bastos. O nome não lhe diz nada? Talvez o conheça como «o gajo que imita o Bruno Nogueira melhor que o próprio Bruno Nogueira»…? Lá está. De facto, Luís Franco-Bastos é aquele sujeito jovem que aparece, de vez em quando, num ou outro episódio de “Os Contemporâneos”, e imita toda e qualquer personalidade, do futebol à política, de Cristiano Ronaldo a Cavaco Silva. Vencedor incontestado da primeira edição do programa-concurso “Cómicos de Garagem”, em Janeiro de 2008, apadrinhado por inúmeros humoristas da actualidade e pelas Produções Fictícias, Luís Franco-Bastos tem já o seu próprio one man show a várias vozes, o espectáculo “Papel Químico”, que esteve em cena nos dias 14, 15, 16, 22 e 23 de Maio, sempre com lotação esgotada.
É apenas um homem em palco, mas as personagens são mais de trinta. Mais do que um simples espectáculo de stand up comedy, “Papel Químico” é um monólogo com uma multidão de vozes, no qual Luís Franco-Bastos conta um pouco da história da sua vida e vai incluindo no diálogo as suas melhores imitações, transpondo para o palco as suas impressões da realidade. Ele é Alberto João Jardim, ele é José Hermano Saraiva, ele é Barack Obama. Ele canta, ele berra, ele discursa com vozes que não são suas. Perguntem-lhe qual é a sua verdadeira voz, que provavelmente vos dirá que não sabe. Em palco, parece estar numa grave crise de identidade… mas não passa de um bom humorista que nasceu para utilizar as vozes dos outros e fazer rir meio mundo.
O último dia de exibição de “Papel Químico” foi sábado, 23 de Maio, no Jardim de Inverno do Teatro Municipal São Luiz. Entre amigos, família e simples curiosos, o espaço intimista voltou a esgotar para ver Luís Franco-Bastos e todas as personagens que interpreta. Bruno Nogueira e Maria Rueff foram alguns dos convidados especiais que se juntaram para apoiar o jovem humorista neste projecto que, para quem perdeu, voltará nos dias 20, 21, 22, 27, 28 e 29 de Julho. Para além desta estreia gloriosa no teatro, “Os Contemporâneos” pretendem contratá-lo para fazer parte integrante da equipa, quanto mais não seja para substituir a voz do Bruno Nogueira, que o levou para a televisão e o tornou relativamente conhecido do grande público.
Numa época em que existe cada vez mais competitividade e se torna difícil agradar, no que toca à comédia, Luís Franco-Bastos encontra-se em ascensão, captando as atenções dos portugueses e construindo uma carreira que tem ainda muito para dar. Com apenas vinte anos e um metro e oitenta e seis centímetros de altura, apesar de a timidez inicial ainda não o ter abandonado por completo, está a viver um sonho e a iniciar uma etapa da sua vida que lhe está a ensinar a crescer como humorista e como pessoa. Não é uma estrela, nem o quer ser. Para isso basta imitar José Mourinho e fingir que é o special one. No entanto, Luís Franco-Bastos caminha a passos largos para o sucesso e para um futuro recheado de imitações, sendo já acarinhado pelos grandes humoristas que admira desde criança. Por enquanto, talvez seja apenas conhecido como «o gajo que imita o Bruno Nogueira melhor que o próprio Bruno Nogueira». Daqui a uns anos, porém, ninguém se enganará a escrever o seu nome. E Luís Franco-Bastos, que hoje vimos nascer e crescer, poderá tornar-se um senhor do humor português. Fiquem de olho nele.| Reacções: |
Baseado numa etapa particularmente instável da vida do grande poeta galês do século XX, Dylan Thomas, No Limite do Amor é um bom filme de época que retrata a relação entre a poesia de Dylan e a sua vida conturbada. Em 1940, o Reino Unido está em guerra e Vera Phillips entretém a população cantando nos abrigos do metropolitano. Ao reencontrar o seu primeiro amor, o poeta Dylan Thomas, o passado comum volta a assombrá-los e a interligá-los de forma intensa. No entanto, Dylan está casado com Caitlin, uma mulher extrovertida, que depressa inicia uma amizade profunda com Vera. Por sua vez, William, um soldado prestes a partir para a guerra, apaixona-se por Vera e os dois casais tornam-se unidos apesar do ciúme que os intimida. Quando William parte, Vera continua a não conseguir amá-lo e Dylan não consegue esconder o seu afecto por ambas as mulheres da sua vida.
É interessante observar a relação entre Vera e Dylan. A única realidade que os une é o passado em comum, uma primeira relação que os marcou para o resto da vida, e o reencontro, alguns anos depois, não reacende a paixão, simplesmente os reporta para a infância no País de Gales e o que ela significa para ambos. Caitlin aparece como um impedimento àquela relação, não exactamente devido ao seu papel de esposa de Dylan, mas por se ter tornado a melhor amiga de Vera e relativamente aberta quanto à amizade entre ela e o marido. William (Cillian Murphy, numa interpretação consistente) é talvez a única personagem que não se enquadra naquela familiaridade, mas ama Vera com todo o coração e ela, por mais que tente, não consegue libertar-se do primeiro amor e corresponder-lhe. O trio amoroso constitui a principal atracção do filme, pois Dylan vive dividido entre Vera e Caitlin, perdido no que sente em relação a ambas, para além da intensidade da amizade entre elas.
Por mais que este seja um filme acerca da vida de Dylan Thomas, é inevitável associá-lo mais à personagem de Vera Phillips do que ao poeta em si. Ela é a força unificadora do filme, a personagem que realmente se destaca entre os quatro protagonistas, e isso deve-se, em grande parte, à interpretação fabulosa de Keira Knightley, que parece amadurecer mais a cada papel que representa. Disponibilizou-se até para cantar, algo que os espectadores provavelmente não esperam dela, e durante o filme duvidam se aquela será realmente a sua voz. É mesmo. Uma vez mais consegue adaptar-se na perfeição a um papel de época, que a encaminha numa ascensão irreversível para a fama. O mesmo ou melhor se pode dizer de Sienna Miller que, apesar de não ser uma estrela no mundo do cinema, tem vindo a mostrar o seu engenho natural. Em No Limite do Amor, quaisquer dúvidas que se tivessem quanto ao talento da actriz são totalmente dissipadas. As suas beleza e simplicidade, conjugadas com a personagem Caitlin, que lhe assenta na perfeição, mostram que nenhuma actriz poderia ter realizado melhor a missão de interpretar aquele papel.
A realização de John Maybury é para lá de maravilhosa, consistente, utópica. Num contraste entre grandes e pequenos planos, cores quentes e frias, uma fotografia fantástica e uma banda sonora perfeitamente adequada, este é talvez o ponto mais envolvente e estimulante do filme, que inicialmente parece não ter muito a dar mas que, após uma revisão geral da história, dá a sensação de desejo cumprido. Ao longo do filme, contudo, sentimos que a história nunca se chega realmente a desenvolver, que falta algo para equilibrar o drama e chamar a atenção do espectador, algo que esperamos até ao final e não chega a acontecer. Em parte, a personagem de Dylan Thomas é responsável por essa sensação. Matthew Rhys, apesar de tentar agarrar a personagem, nunca chega a captar a sua essência, ou talvez seja apenas o verdadeiro Dylan Thomas que não consegue afirmar a sua personalidade. A verdade é que assistimos a um certo período da sua vida e não compreendemos honestamente o que pretende, de quem gosta, quem é na realidade. E essa é a principal falha de um filme que tinha tudo para ser perfeito mas que, apesar de se aproximar da plenitude, não a consegue alcançar.
Sobra-nos um bom filme, um drama intenso que, embora não seja perfeito, não deixa de merecer algum mérito. Não é puro entretenimento, nem pretende ser belo simplesmente para ser comercial. Pelo contrário, é profundamente desgastante, desmoralizador, até; mas o resultado final acaba por ser favorável e dar alguma esperança. Marcado pelo ciúme, pelas traições, pelas feridas que o amor pode causar, No Limite do Amor dignifica o melhor da vida através do olhar destas quatro personagens e, mais do que um simples filme biográfico, transforma-se num hino à amizade e o amor.| Reacções: |
Robert Langdon é, como já o sabemos, historiador, professor em Harvard, especialista na análise de símbolos e o aventureiro dos tempos modernos, sem pistola nem espada, armado apenas com o seu conhecimento e coragem. Desta vez, e após ter desvendado um dos maiores segredos da história da Igreja, é convocado pelo próprio Vaticano, para ajudar a investigar o aparente ressurgimento da sociedade secreta Illuminati, constituída por grandes nomes como o próprio Galileu. Estes indivíduos procuram vingança, depois de a Igreja os ter marcado com ferros em brasa no massacre conhecido como ‘la purga’, há séculos atrás. Os quatro cardeais preferidos para serem eleitos no Conclave que decorre naquele mesmo dia, 'il preferiti', são também raptados pelos Illuminati. Porém, outra ameaça está a pôr em causa a eleição do novo Sumo Pontífice e toda a Cidade do Vaticano: um contentor de antimatéria, a mais recente descoberta da cientista Vittoria Vetra, que se encontra algures no Vaticano, ou algures em Roma, escondido pelos Illuminati, de modo a destruir a Igreja Católica e a vingar as mortes do passado. Ao longo da tarde e da noite, tempo no qual se passa a acção do filme, Robert Langdon e Vittoria Vetra tentam, a todo o custo, impedir o assassino Illuminati de matar os cardeais raptados, um por um, de hora a hora, entre as oito e as onze da noite, tal como encontrar o contentor de antimatéria antes da meia-noite e impedir a destruição da cidade. No topo da hierarquia religiosa encontra-se o camareiro do Papa falecido, ‘il camerlengo’, um homem profundamente entregue a Deus, que não consegue afirmar o seu poder sobre os outros por ser um simples padre, jovem, que não passa de um protegido do anterior Papa.
É importante compreender a componente religiosa e a sua importância no drama e na realidade. A Igreja Católica tem vindo a perder influência sobre as pessoas, e sente-se cada vez mais incapaz de atrair apoiantes. Por seu lado, a ciência aproxima-se cada vez mais da Igreja, tentando justificar a existência ou não de Deus e a criação do universo. A antimatéria é, efectivamente, produto de uma colisão que se assemelha à teoria do Big Bang, demonstrando que os progressos científicos das últimas décadas têm conduzido a uma maior descoberta do passado e à sua comprovação empírica. E isto é totalmente ameaçador para a Igreja, segundo uma perspectiva mais conservadora. De facto, a conjugação da ciência com a religião, apoiada por alguns, pode significar uma profanação das bases da Igreja, caracterizadas por uma componente não científica, cuja barreira está a ser quebrada. A Igreja precisa de algo que faça as pessoas serem mais crentes, mais fiéis; precisa de um milagre, de um herói, que volte a dar esperança ao povo e confiança na religião. Assim, anjos tornam-se demónios, e vice-versa, num jogo que aparentemente nada tem a ver com Deus, mas que no fundo acontece em seu nome. E a ameaça presente neste Conclave, ao nível dos raptos e das mortes dos cardeais favoritos, da antimatéria e do ressurgimento dos Illuminati, se é que esse ressurgimento se dá de facto, acaba por ser esse milagre, por conduzir a uma maior crença na religião, no caso particular de Robert Langdon e no caso geral dos fiéis. Esta é a base da história, do livro e do filme, e constitui o ponto fulcral e mais fascinante de ambos. Os desígnios de Deus, como se diz por aí, são misteriosos e insondáveis.
Embora com ligeiras alterações em relação à obra de Dan Brown, Ron Howard teve uma preocupação espiritual com o conteúdo do best-seller, ignorando praticamente o romance existente entre os personagens principais e a importância do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear, sedeado na Suiça) no desenrolar da história, concentrando-se no tema religioso que dá forma a todo o thriller e que, no meio cinematográfico, acaba por fazer mais sentido. Um filme com mais de duas horas tem, obrigatoriamente, de ser apelativo e misterioso até ao final, e este Anjos e Demónios consegue transpor para a realidade o mistério e a emoção que Dan Brown oferece à obra original, do início até ao fim. O argumento contém diálogos fascinantes e foi brilhantemente escrito a partir do original, identificando-se desta forma com as personagens e o ambiente. Com uma realização consistente e uma banda sonora perfeitamente adequada, Tom Hanks enquadra-se de forma mais realista na personagem de Robert Langdon, com os seus habituais momentos de humor, e Ewan McGregor demonstra uma vez mais o seu talento versátil, no papel de camerlengo. Quanto a Ron Howard, imortaliza-se definitivamente como um génio da actualidade, com altos e baixos ao longo da carreira, mas com grandes filmes que dificilmente serão esquecidos.
O único pormenor menos positivo a registar acerca deste Anjos e Demónios é talvez o excesso de protagonismo atribuído a Robert Langdon, após uma dispersão do protagonismo em O Código DaVinci, e a consequente aposta débil na personagem de Vittoria Vetra, que não passa de uma figurante, de uma acompanhante de Tom Hanks, não por culpa própria, pois é o único rosto feminino num elenco de homens, mas pelo argumento que não favorece a sua personagem. De resto, a acção e todo o mistério trazidos para o grande ecrã encaixam-se na perfeição no espírito do filme, tal como os actores se encaixam nas personagens que representam. Os efeitos especiais, embora suaves, não deixam de estar presentes nos momentos necessários, e o filme vive à base do argumento que o constitui, das imagens que lembram palavras, da realização coerente de Ron Howard, da semelhança com a actualidade e da realidade da história. É uma verdadeira obra-prima, que pode e deve figurar entre os grandes filmes já exibidos neste ano de 2009, e que decerto superará o sucesso e as expectativas criadas à sua volta.| Reacções: |

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O drama torna-se um pouco incoerente ao nível temporal, particularmente no início, com uma certa desordem de ideias e pormenores desnecessários a receberem demasiado destaque. De facto, a segunda parte do filme (embora não possamos verdadeiramente dividir a história em duas partes) é mais consistente; até a realização é mais bela e harmoniosa. Um pormenor interessante é a comparação subjectiva entre a história da Segunda Guerra Mundial, no passado, e os ataques do IRA, em 1991, na Irlanda do Norte. O filme transporta-nos para uma nova guerra, para novos heróis e novos inimigos, e também para uma pronúncia diferente, um sotaque irlandês muito peculiar, especialmente protagonizado pelo jovem Jimmy. Os poucos momentos humorísticos do filme são conseguidos exactamente através desta personagem, apesar de não se enquadrarem muito bem no clima trágico da história, mas dão-lhe uma certa ligeireza e não retiram por completo a sua credibilidade dramática.
A banda sonora, composta por Jeff Danna, acompanha e suaviza, de certa forma, toda a acção, auxiliada pelas magníficas paisagens, tanto do Michigan como de Belfast. O argumento, escrito por Peter Woodward, foi criado a partir da descoberta verídica de um anel, em Belfast, cerca de cinquenta anos após a queda do avião B-17, durante a segunda grande guerra, concebendo a história de Ethel Ann à volta deste acontecimento. Efectivamente, o sofrimento de Ethel Ann é justificado por aquele elo, aquele anel que não a liberta de um passado irreversível, de um amor impossível de consolidar. E este regresso ao passado permitirá libertá-la desse amor e até, quem sabe, começar de novo a viver. Não é um grande filme, e provavelmente só valerá a pena na primeira vez que se visualiza. Mas é uma boa história que não deve ser passada ao lado. | Reacções: |
Diz-se por aí que uma crise económica está a afectar meio mundo, e que esse meio mundo se está a afundar, lenta mas acentuadamente, numa recessão de que não há memória. Alguns preços começam a descer, para acompanhar a diminuição do poder de compra, e o desemprego mostra-se cada vez mais fatal. A especulação também não ajuda, provocando um medo crescente nas pessoas e a sua constante preocupação com o dinheiro que gastam. Medidas proteccionistas começam, inevitavelmente, a ser tomadas pelas grandes potências, como forma de combater a crise iminente e atacá-la antes que seja tarde demais. Especialistas dividem-se quanto às implicações económicas que este pico negativo pode vir a ter no presente, no futuro e na história, não havendo ainda uma certeza da sua gravidade. Mas ela está aí. Pelo menos é o que dizem. Porém, a indústria cinematográfica não tem sido muito afectada pela crise. Filmes continuam a ser produzidos, lançados mensalmente nos cinemas de todo o mundo, e as receitas não deixam de ser favoráveis.| Reacções: |
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Baseado num best-seller dos mesmos autores de O Sexo e a Cidade, Greg Behrendt e Liz Tuccillo, Ele não está assim tão interessado - He's just not that into you é um filme com um título longo e de uma veracidade inevitável, que nos transporta para o mundo das relações amorosas, dos compromissos e das rejeições.
Alex (Justin Long), amigo de Conor e gerente de um bar, é um céptico no que toca ao amor, sabendo de cor e salteado todos os passos que um homem dá num encontro, se está ou não interessado numa mulher, se ela pode ou não ter esperança. Acredita que, na maior parte das vezes, o homem não fica interessado na mulher após um encontro; é raro o que fica. A regra é, então, uma mulher ficar desapontada após esperar desesperadamente pelo telefonema de um homem, sendo que o interesse dele é apenas obra da sua mente. A excepção, no entanto, é possível, ou seja, o homem pode estar realmente interessado na mulher. Mas nesse caso ele demonstra-o logo, não demora dias e dias para telefonar à mulher que conheceu. Quando ele está interessado, ele mostra-o. Estes são alguns dos conselhos que Alex começa a dar a Gigi, após a conhecer no seu bar. Céptico quanto ao verdadeiro amor e à excepção de que fala, acaba por se interessar, lentamente e sem se aperceber, pela mulher que guia no mundo do amor, a mulher com quem não houve qualquer faísca, mas que pode muito bem ser a tal.| Reacções: |
É a nova moda. Depois dos célebres hi5 e Facebook, que conquistaram inúmeros adeptos em todo o mundo (cerca de 70 e 125 milhões de utilizadores activos, desde as suas fundações, em 2003 e 2004, respectivamente), chega-nos a mais recente rede de interacção social na internet: o Twitter. Apesar de ter o objectivo comum de conectar pessoas de qualquer parte do mundo, o Twitter não segue os mesmos critérios das outras comunidades, contendo uma base inovadora, e o marketing beneficia também desta nova rede, aproximando-se progressivamente das pessoas. O Twitter é uma comunidade social que, por ser ainda recente, não está sobrelotada de perfis falsos e de amizades desconhecidas, havendo até a possibilidade de comunicar com as verdadeiras estrelas do mundo dos famosos.| Reacções: |
A nós não, as queijadas de Sintra não escaparam. O percurso percorrido por Carlos e Cruges, desde o palácio da vila até Seteais, é marcado por uma subida inclinada em direcção à serra, com o Palácio da Pena como guia, no centro da vegetação que concede à vila um ar puro reconfortante em relação à cidade. A viagem circular empreendida, desde Lisboa a Sintra, e até ao regresso a Lisboa, simboliza o ciclo vicioso da vida, o eterno retorno, a impossibilidade de percorrer um caminho que não está escrito no destino, como Carlos encontrar Maria Eduarda em Sintra. Com um guia do percurso que parecia literalmente a reencarnação de Eça de Queiroz, sabendo na ponta da língua toda e qualquer frase da obra, a viagem a Sintra foi fundamental para a compreensão do capítulo VIII e um complemento à leitura do romance.| Reacções: |
This is the biggest movie event of the year because this is the biggest movie event of the year. Disse-o Sid Ganis, Presidente da Academia, e é opinião unânime. Um espectáculo sem igual, que junta as maiores estrelas da actualidade e premeia as que mais se destacaram no ano anterior. Desta vez, a 22 de Fevereiro de 2009, a 81ª Cerimónia dos Óscares da Academia contou com o glamour habitual e muito mais: um novo formato de apresentação de vencedores, um novo apresentador que canta e dança, e um filme que arrebatou oito estatuetas numa noite recheada de emoções. Sem dúvida, uma das melhores cerimónias dos últimos anos. Aqui falarei apenas das principais categorias, pois a esta hora o mais provável é toda a gente já ter consigo uma lista completa dos vencedores da noite.| Reacções: |
A Revolução de 1820 revelou-se inevitável face à situação política, económica e social do reino no século XIX: as invasões francesas, a dominação inglesa, a permanência do rei no Brasil, a elevação da principal colónia a reino, o tratado de comércio com Inglaterra, a abertura dos portos brasileiros ao comércio internacional, a decadência da indústria e a grave crise financeira que o país atravessava, bem como a organização anacrónica da sociedade, nas vésperas da revolução, favoreceram o desfecho da situação. Todos estes factores levaram ao descontentamento geral e ao consequente movimento liberal.| Reacções: |
Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar vinte milhões de rupias. Como conseguiu chegar até ali? A: Sorte; B: Batota; C: Inteligência; ou D: Destino? O apresentador da versão indiana de Quem Quer ser Milionário? acredita na hipótese B:, e Jamal é levado pela polícia por suspeita de fraude. De modo a justificar o facto de saber responder a todas as perguntas que acertou, Jamal começa a contar a história da sua vida: como ficou órfão, sozinho com o irmão; como conheceu Latika e se apaixonou por ela; como foi parar àquele programa e porque ali está. Jamal, dezoito anos, estava a poucas horas de se tornar milionário. E a única coisa que lhe interessava era encontrar a rapariga que amara e perdera.
O romance entre os protagonistas Jamal e Latika, brilhantemente interpretados por Dev Patel e Freida Pinto, reúne todas as características de um romance juvenil vulgar, como a impossibilidade de ficarem juntos, a amizade em crianças, as coincidências do destino e a luta pela ultrapassagem de todas as barreiras. Mas consegue conter muito mais do que duas pessoas apaixonadas. As personagens viveram algo que as uniu para sempre, momentos das suas vidas que não conseguiriam esquecer, mesmo que tentassem. Para além de toda a vulgaridade aparente, temos duas pessoas que sobreviveram juntas, que precisavam da companhia da outra para poderem ser felizes, que nunca desistiram de se encontrar. E esse é o ponto alto de um amor que nunca se concretizou até ao momento final do filme, mas que é a base de toda a história.
O final, embora previsível, encerra uma singularidade digna de Slumdog Millionaire, uma emotividade esperada mas necessária para completar o romance. Jamal caminha pela estação vazia, em direcção a Latika, a única razão de todo o seu sofrimento e da sua nova conta bancária. Um jovem pobre, com um passado dramático, foi a um concurso de televisão, pôs em êxtase milhões de indianos, que pararam nas ruas e em frente aos televisores para verem se conseguiria tornar-se milionário, e encontrou o amor da sua vida. Mas o entretanto, todas as histórias e momentos que levaram a esse desfecho, tornam este Slumdog Millionaire um filme maravilhoso e invulgar. E a banda sonora de A.R. Rahman, nomeada e provável vencedora de Óscares, completa a visão oriental que os espectadores devem ter desta grande obra de entretenimento, cujo principal objectivo parece ser obrigar os espectadores a acreditarem no destino. E consegue-o.
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Nos anos 50, April e Frank Wheeler são um casal modelo para a vizinhança, que os considera especiais. Dois filhos, um casamento de revista, um marido que trabalha na cidade e sustenta a família, e uma mulher que fica em casa a tratar das lides domésticas. Mas não são um casal especial, nem feliz. Pelo contrário. Ambos abandonaram os sonhos que tinham para seguirem o que estava correcto, o que todas as outras pessoas faziam: casar, ter filhos e assentar, ainda que isso significasse um emprego que não agradava a Frank e uma cada vez maior incompatibilidade entre eles. Numa rotina que os levava a discussões constantes, April e Frank decidem partir para Paris e começar uma vida nova, na qual April trabalharia para sustentar a família e Frank teria tempo para descobrir o que queria fazer. A proposta irrealista de April é abalada por uma conjuntura desfavorável à realização do plano: um novo filho está a caminho, e Frank é impelido pela sociedade da época a permanecer no conformismo e assumir o papel de trabalhador na família. Contudo, April continua a desejar uma mudança, algo que a faça, de novo, querer viver.
Os Wheeler precisavam urgentemente de uma mudança, e procuraram-na fora do casamento. Frank teve um caso amoroso com uma secretária, no emprego, e April deixou-se levar por Shep. É curioso observar o arrependimento de Frank ao chegar a casa, após ter estado com Maureen, e ser surpreendido por April e os filhos a fazerem-lhe uma festa de anos casual e acolhedora. Tudo o que acontecera naquela tarde, aquela tão desejada fuga à rotina, acabou por servir apenas para se sentir mal consigo próprio por ter traído a família, por ter tentado fugir dos problemas em lugar de os tentar resolver ou, neste caso, ignorar, como April fizera. April tentava apenas remediar tudo o que estava a acontecer entre eles; tentava fazer com que sobressaísse o amor existente entre eles, e não os pontos em que discordavam.
Para o conseguir, contou com a colaboração de dois dos melhores actores da actualidade, a sua esposa, Kate Winslet, e Leonardo DiCaprio. Amigos de longa data, com uma relação fantástica na vida real e uma química estrondosa no grande ecrã, deixaram para trás qualquer ligação a Titanic, desta vez num registo ainda mais dramático e sincero. Kate e Leo são ambos perfeitos para os papéis. Eles fazem o filme, sem tirar nem pôr. Conseguem criar um ambiente mundano à volta das personagens, uma atmosfera de tensão e, ao mesmo tempo, de grande afeição entre Frank e April. Toda a história se baseia na relação entre eles, nas suas expressões, nas suas discussões e momentos de esperança. Sem eles, não teríamos o Revolutionary Road que temos. De destacar ainda Michael Shannon no papel de John Givings, que conseguiu uma nomeação para os Óscares. De resto, o filme de Sam Mendes foi esquecido pela Academia, tal como o seu brilhante realizador e os seus grandes protagonistas. É pena, porque merecia muito mais. E Kate Winslet tinha razão ao dizer, no seu discurso de agradecimento pelo Globo de Ouro ganho sobre este filme, que DiCaprio merecia igualmente um prémio pela sua interpretação. São ambos espantosos.
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A justiça portuguesa é um tema de grande controvérsia. Processos arquivados precocemente, outros arrastados por muito tempo e sem resolução à vista. Falta de provas e excesso de testemunhas, que muitas vezes não dizem a verdade. Ou seja, demasiadas acusações e pouco tempo para as processar; demasiados julgamentos e poucos meios para fechar os casos. As coisas não funcionam tão rápida e eficazmente como nos filmes e séries, nem correm sempre de forma tão organizada e favorável às partes envolvidas. Em Portugal e no mundo real, os tribunais fazem os possíveis para dar conta de todos os processos judiciais, mas a burocracia e o exagero de processos tendem a complicar a tarefa dos funcionários. O Tribunal de Sintra é um desses locais, onde se procura exercer o mais correctamente possível a autoridade judicial da nação. O lema DOMVS IVSTITIAE ilustra a frente do edifício moderno. Lá dentro, faz-se justiça. Ou, pelo menos, tenta-se.| Reacções: |
Benjamin Button atravessa a Segunda Guerra Mundial, a ascensão dos Beatles, o início da vida cosmopolita de Nova Iorque, cada vez mais novo mas também mais experiente. Conhece a vida ao contrário, começando por experimentar a velhice a acabando a experimentar ser criança. Brad Pitt interpreta este homem diferente que tem de enfrentar uma vida invulgar, surpreendente enquanto idoso, e encantador e inocente enquanto jovem. Partilha o ecrã com Cate Blanchett no papel de Daisy, numa interpretação segura e profunda. Juntos, protagonizam os momentos mais belos do filme, encontrando uma química que não tinha sido conseguida em Babel (2006). Vivem um amor possível durante aqueles escassos anos em que têm a mesma idade, mas impossível a partir do momento em que ela começa a envelhecer muito e ele a rejuvenescer muito. Por isso, queriam recordar-se um do outro como estavam naquele momento exacto, que talvez tenha sido a única coisa que durou para sempre, através da sua filha Caroline. Foi a primeira vez que senti lágrimas prestes a caírem dos meus olhos, a ver um filme, no cinema, numa sala cheia de gente petrificada com o que acabara de ver. Não pela beleza da história ou do filme em si; antes pelo peso afectivo que tem sobre Benjamin e nós próprios, espectadores. A dor de ver partir todas as pessoas à sua volta, de sentir que
está a tornar-se numa criança saudável à medida que todos os que ama começam a desaparecer. A dor de abandonar Daisy apenas porque não pode dar uma melhor vida à sua filha, porque não pode envelhecer com ela e morrer com ela; porque acabará por morrer como uma criança e ela merece mais do que isso. A dor de, numa primeira fase, nascer e crescer como uma pessoa idosa e amar Daisy como criança; e, numa segunda fase, morrer como um bebé nos braços de uma Daisy já idosa, não se recordando de toda uma vida que passara e deixara para trás, a não ser quando a olha nos olhos uma última vez.
Cada pessoa verá esta história com olhos diferentes, e sentirá de forma diferente o que ela transmite, pois o que verdadeiramente importa é o que se sente durante a visualização do filme. Mas é do senso comum a sua essência mágica, a profundidade que atinge, a emoção que transmite a cada frame, a cada momento. Não pode ser contado; tem de ser visto para ser acreditado. E a verdade é que acreditamos em tudo o que vemos. Encontramos uma nova forma de encarar a vida e a morte, o envelhecimento e o passar do tempo, como se, em vez de andarem para a frente, os ponteiros do relógio seguissem na direcção contrária. Mas parar, não se consegue parar o tempo.
O melhor: A magia e originalidade da história, a perfeição da sequência narrativa e um Brad Pitt versátil. | Reacções: |
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“Busca Implacável"
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Digam o que disserem, pensem o que pensarem acerca da sua forma de escrever – criticada por muitos devido à quase total ausência de pontuação –, gostem ou não das suas crenças políticas e religiosas… Saramago é um génio, e tal facto é inegável. A forma como transmite a sua visão do mundo para o papel, recorrendo a metáforas inteligentes e consistentes, destrona qualquer outro escritor e coloca-o no pedestal mais elevado entre os escritores portugueses de todos os tempos. Ensaio sobre a Cegueira é uma obra complexa, intensa, improvável de ser adaptada ao cinema devido à sua ambiguidade, mas Fernando Meirelles aceitou o desafio, e ainda bem que o fez. Saramago chorou ao ver o resultado final. E é mesmo para chorar.| Reacções: |
