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Between Waves - David Fonseca

Seis anos após o lançamento do seu primeiro álbum a solo, Sing Me Something New, David Fonseca regressa agora com Between Waves, lançado no passado dia 2 de Novembro, que está a fazer sensação entre o público português. Com Dreams in Colour, último álbum do cantor, de 2007, David Fonseca tinha já conseguido definir um estilo próprio, uma marca indelével que o identificava como único no panorama nacional e até mesmo internacional, atraindo inúmeros fãs para a sua mistura própria de pop, electrónico, acústico, indie, rock ‘n’ roll e alternativo. Dois anos depois, este Between Waves é a sua verdadeira consagração como um dos melhores cantores e compositores portugueses do momento.

O álbum abre com (Baby) All I Ever Wanted, uma boa música que enuncia desde logo a magnificência do resto do álbum, embora esconda ainda as surpresas que a segunda faixa, Walk Away When You’re Winning, nos oferece de mão beijada. Esta segunda música é de uma beleza incrível, não só pelo ritmo alternado, pela letra calma e confiante, mas também pela forma como fica na cabeça e nos parece acompanhar durante horas e horas.

A terceira música é a já famosa A Cry 4 Love, primeiro e único single do álbum, até ao momento, que já conquistou as rádios e os corações dos ouvintes. Apesar de, aparentemente, ser algo diferente do estilo de David Fonseca a que estamos habituados, depressa nos apercebemos na forma como toca, como agarra, como o refrão se adequa na perfeição a esta era de consagração do cantor, e igualmente ao álbum em questão.U Know Who I Am é a quarta faixa, apresentando-se mais calma, suave, quase uma canção verdadeiramente romântica, com um ritmo leve e uma melodia para ouvir vezes sem conta.
There’s Nothing Wrong With Us, a quinta música do álbum, assemelha-se a um hino ao ser humano, aos seus erros, às suas características, que são tudo menos perfeitas, mas são as correctas para a espécie. Com um ritmo mais definido, prevalecendo a percussão e as palmas que o próprio David Fonseca imprime na maioria das suas canções. Uma vez mais, como se observa durante todo o disco, a letra prima pela magnífica coordenação com os instrumentos e o ritmo, em perfeita harmonia.

A sexta faixa, a uma primeira audição, pode até parecer algo despropositada, sobretudo no meio do álbum, pelo seu ritmo demasiado acelerado. Mas tendo em conta o que conseguimos ver de David Fonseca em Owner Of Her Heart, essa opinião é imediatamente posta de lado. De novo, a percussão e o famoso “clapping”, o refrão que não conseguimos apagar da memória, o ritmo que o identifica e que imprime também uma identidade única à canção. E apercebemo-nos desde logo que David Fonseca, para além de um excelente compositor e músico a todos os níveis, é coerente na forma como junta todos esses elementos e os transforma numa composição sem rpecedentes.

It’s Just a Dream II prima pela letra, pelo ritmo de novo suave e sincero, pelo sonho de que o cantor tanto fala e quase consegue mostrar por imagens através da música. Little Things II, a oitava faixa, destaca-se pela facilidade com que nos toca, pelo refrão definido pela voz de David Fonseca, e não tanto pelo ritmo que caracteriza algumas das suas músicas. Realça-se ainda a letra e a predominância da simbologia do telefone, ao longo do álbum, através de chamadas telefónicas ou simplesmente da referência ao objecto de comunicação à distância.
A nona música, Stop 4 a Minute, é talvez a mais “estranha” de todo o álbum, diferente de todas as outras, no ritmo, da composição, até na própria letra. Podemos dizer que é mais pop, que é mais focada no cantor, através do coro que o próprio faz e da letra muito centralizada no homem. No entanto, não deixamos de ver nela a marca inconfundível de David Fonseca, das suas composições sempre geniais, e apesar de ser mais fácil de gostar e deixar levar pelo som, acabamos por nos habituar progressivamente e por gostar cada vez mais da melodia, que deixamos de estranhar após a primeira audição.

Morning Tide (I Just Can’t Remember) inclui talvez uma das melhores letras de todo o álbum, contando uma história, entrelaçada com a percussão e certos sons electrónicos que começamos a observar cada vez mais na obra de David Fonseca, e que ajudam à consagração do seu estilo próprio. O refrão da música é propositadamente focado nos instrumentos e no tom baixo em que o músico canta, embora por vezes a letra não seja tão perceptível como deveria ser, não deixando de ser uma grande canção.

A finalizar o álbum, uma das melhores músicas de Between Waves, com um ritmo maravilhoso, acústico, sentindo-se o som da guitarra, ouvindo-se por vezes o som da harmónica. This One’s So Different marca uma verdadeira apologia da canção, do género do cantor, que é no fundo não ter género nenhum, mas sim uma série de elementos de todos eles, juntos em composições que soam, aos nossos ouvidos, sempre melodiosas e características.
De referir que as imagens que fazem parte do design do álbum ajudam a caracterizar este maravilhoso mundo de David Fonseca em Between Waves, significando possivelmente os altos e baixos da sua história, memórias da sua longa caminhada de vida, estando sempre “entre as ondas”. É isto que o torna “grande”, peculiar, intemporal, e nos faz ficar tão agradados com a simplicidade, a beleza e a suavidade de toda a sua obra musical, que não cessamos de elogiar. Between Waves é um excelente álbum, que pode surpreender uns, mas dificilmente desiludirá outros.

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Diana Krall: Quiet nights in... Lisboa

Nasceu canadiana, mas o seu coração reparte-se agora um pouco por todo o mundo. Diana Krall veio a Lisboa, no sábado passado, apresentar o seu mais recente álbum, Quiet Nights, numa noite mágica no Campo Pequeno. Acompanhada por três músicos fantásticos, cantou durante quase duas horas, sempre amável e comunicadora. E encantou o público lisboeta.

Diana Krall surge em palco elegante, graciosa, num vestido preto fechado, bonita e de sorriso fácil. Senta-se cautelosamente ao piano, os longos dedos sobre as teclas brancas. Começa a cantar e a tocar, a sua voz melodiosa contrastando com o instrumento, o contrabaixo e a bateria a marcarem o ritmo, a guitarra a completar o cenário. E, num momento de silêncio, respira fundo e murmura: “Olá”.

O público entusiasta aplaude, sorri, deixa cair a lagrimazinha ao canto do olho. Diana interrompe alguns momentos musicais para falar do marido que está longe, dos filhos gémeos que a acompanham nesta digressão e falam melhor português que ela, de como gosta de tocar àquela hora da noite e poder passar o dia “de robe e chinelos”. Diz-se feliz por estar na sua “beloved Lisbon”, que gostava de ter visitado há mais tempo, e vai animando a plateia, que retribui com risos sinceros e muitas palmas. Depois volta ao piano, aos seus ritmos de jazz, bossa nova e samba, encantando a sala de espectáculos com os longos instrumentais e a voz poderosa.
Alguém grita da plateia “You’re beautiful!” e, mais tarde, outro alguém faz-se ouvir com “We love you Diana!”. A cantora volta a sorrir e a engraçar com os comentários, mostrando a sua boa disposição, o seu bom humor e a sua simpatia. Prestes a recomeçar a cantar, Diana baixa então o olhar e a voz, murmurando baixinho “I love you too”. É esta graciosidade, esta magnificência, que a tornam uma deusa em palco, que a fazem ganhar a atenção e a admiração do público português.

Este décimo segundo álbum que, segundo a própria cantora, é um dos mais intimistas, reúne canções como Quiet Nights, Walk on By, I’ve Grown Accustomed to His Face, So Nice, Este Seu Olhar (única música interpretada em português) e The Boy From Ipanema (variante da música A Garota de Ipanema, de Tom Jobim), todas estas interpretadas no concerto em Lisboa. Diana mistura o jazz característico da sua voz com os ritmos brasileiros, e a sua maravilhosa banda contribui com os sons da guitarra, do contrabaixo e da bateria, para o cunho pessoal que dá à música. De realçar estes três homens, Anthony Wilson, Ben Wolfe e Karriem Riggins que, através dos solos e dos improvisos, provaram, em concerto, que Diana Krall não é apenas uma mulher, mas um quarteto, uma mulher e a sua banda, uma voz e um grande poder do instrumental na sua produção musical.
Para além das músicas deste novo álbum, Diana Krall encantou o público com a sua interpretação de Cheek To Cheek e Let's Face The Music And Dance, ambas de Irving Berlin, e Let’s Fall in Love. Apesar do seu estilo marcadamente sereno, Diana e os seus músicos animaram o público com ritmos mais mexidos, nomeadamente por parte do piano da cantora, e tiveram até de regressar ao palco uma vez, após uma ovação em pé, depois da qual Diana afirmou que, para a próxima, permaneceriam em Lisboa por “duas semanas”. O único aspecto negativo a referir, no concerto, foi a péssima acústica do espaço que, apesar de tudo, não afectou a excelência do concerto.

Diana Krall, quarenta e quatro anos, passou por Lisboa neste dia 10 de Outubro, e deu outro magnífico concerto no dia seguinte, no Palácio de Cristal, no Porto. Conquistou os portugueses com a sua simpatia e a voz que fazem delirar todo o mundo. Esperemos voltar a ser contemplados com a sua presença num futuro próximo. Vê-la ao vivo é algo que não devemos perder.

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'5 Para a Meia-Noite': Os Bastidores

Estúdios Valentim de Carvalho. Paço d’Arcos. Estúdio 4. A porta envidraçada descobre a entrada do estúdio, as paredes cimentadas e as escadas que dão acesso ao interior. A ilustre D. Helena surge na sua vestimenta azul – pequena, sorridente, amorosa, pronta para tirar fotografias com as pessoas que vão chegando e sempre adivinhando no seu rosto a frase popularizada nas participações ocasionais no programa. Uma porta abre-se para o maravilhoso mundo da televisão, com cenários à direita, à esquerda e em frente. É Sexta-feira. Passa das onze horas da noite. Falta pouco mais de uma hora para o espectáculo começar.

O 5 Para a Meia-Noite é um programa de humor alternativo, inspirado nos late night shows americanos, ao estilo de Jay Leno ou Conan O’Brien, que teve início no mês de Junho e terminará no final de Setembro. Apresentado por cinco apresentadores diferentes, durante os cinco dias úteis da semana, o programa é transmitido por volta das cinco para a meia-noite, e conta diariamente com convidados, rubricas e diversos sketches humorísticos para animar as noites da RTP2. Cada semana tem um verbo como temática para o humor, e os apresentadores – são eles Filomena Cautela, Fernando Alvim, Nilton, Pedro Fernandes e Luís Filipe Borges, por ordem de dias –, aproveitam o tema como bem entendem, de forma sempre criativa e audaz, conseguindo uma intensa interacção com os espectadores, em estúdio e através da televisão.

Sexta-feira é o dia de Luís Filipe Borges, conhecido vulgarmente como Boinas, devido ao objecto que raramente retira da cabeça. O apresentador surge ainda de t-shirt, boné na cabeça e um estilo descontraído, conversando com as pessoas que já chegaram ao estúdio para assistir. Ricardo Jorge Tomé, da RTP2, faz a reportagem fotográfica da noite, enquanto se aguarda pela hora do programa. Invulgarmente, neste último dia da semana, o estúdio está cheio. Nunca esteve tão lotado, nunca se pensou que alguma vez viesse a estar. Mas está. São mais de cinquenta as pessoas que se começam a concentrar entre as paredes cimentadas do estúdio para entrar no cenário do 5 Para a Meia-Noite. E lá dentro existem apenas quinze lugares sentados.
O cenário, em si, é um choque à primeira vista. Pequeno, acolhedor, mas totalmente diferente do que se vê na televisão, parece ter encolhido uns bons metros desde que o vimos na noite anterior a partir da caixinha mágica que temos em casa. Colorido, vivo, hospitaleiro, faz adivinhar um ambiente de enorme descontracção e alegria entre a equipa do programa, o que se denota imediatamente na forma como o público é permitido de entrar e conhecer o espaço antes do início do espectáculo. Salta à vista o frigorífico esverdeado, com o verbo da semana, lucubrar, fixo por íman (dentro do frigorífico, podem encontrar-se canecas com o ícone do programa, das que se oferecem aos convidados, e inúmeras buzinas que o Nilton e o Boinas tanto gostam de usar), tal como o relógio que marca irremediavelmente a meia-noite menos cinco minutos e o aquário com os peixinhos de diversos tamanhos e feitios.

À esquerda, a parede com as imagens dos cinco apresentadores e uns quantos objectos conhecidos dos mais admiradores do 5 Para a Meia-Noite, como o pote da Mena e o Boininhas em versão portátil. À direita, o ecrã onde passam os sketches e o famoso cacto com fotografias nos espinhos. Em frente, a secretária do apresentador e o sofá esbranquiçado e confortável onde se sentam os convidados. As câmaras a postos, o teleponto a mostrar as primeiras frases, algumas pessoas já sentadas nas cadeiras disponíveis. A lotação mais do que esgotada obriga à alteração do cenário e ao acrescento de bancos para o público se sentar, bancos esses que são colocados numa posição estratégica abrangida pelas câmaras. O público mais jovem vai aparecer no directo.

Faltam cinco minutos, avisa o senhor brasileiro a quem chamam de Betão. Está tudo a postos. António Costa, o convidado da noite, sorri ao ver o cenário pronto e a tranquilidade com que se prepara o directo. Dois minutos. O público já está mais descontraído, após a gravação da promo do programa da Sexta-feira seguinte, onde já apareceu em frente às câmaras e leu em coro as palavras do teleponto. Cinquenta segundos. Silêncio no estúdio, Boinas maquilhado e preparado para entrar pela porta de fachada que cria o ambiente informal do programa. Passa o genérico, que já todos conhecem. Três, dois, um, zero. E inicia-se o directo.
Gargalhadas, gargalhadas e mais gargalhadas. O teleponto auxilia o apresentador a coordenar o programa, mas o auricular que tem ao ouvido é uma ajuda preciosa para o improviso. Do outro lado da linha, André Ferreira, o génio das piadas e produtor do 5 Para a Meia-Noite, vai criando algumas das frases que ouvimos da boca de Luís Filipe Borges, ele próprio rindo-se do que acaba de dizer. António Costa apresenta-se totalmente descontraído, abraçando a tarefa de ler a letra de Taras e Manias e sorrindo com algumas piadas e sketches que passam e com o humor do actor de serviço, conhecido como Raminhos.

Sempre que o directo faz uma pausa, para passar um sketch ou uma rubrica, a iluminação é reduzida, a maquilhagem concertada e a respiração regularizada. São cerca de dois, três minutos, nos quais o tempo pára, literalmente, até regressar em cheio com o reacender das luzes e o aviso do Betão, que logo pede entusiasticamente aos espectadores no estúdio para baterem palmas. Regressa o poder das câmaras, das piadas, dos célebres sons (que se ouvem baixo, em pequenas colunas espalhadas pelo estúdio) e da conversa com o convidado, na que é uma hora bem passada na companhia de toda uma equipa amável e descontraída.

Boinas prepara-se para dizer as últimas palavras, levanta-se, sorri, adora o facto de ter a “casa cheia” e o público sorridente com o que acaba de assistir. 3, 2, 1, corta. Foi o quinquagésimo quinto 5 Para a Meia-Noite. Subitamente, tudo acaba: as palmas extinguem-se, as pessoas começam a caminhar para a saída, o apresentador retira a maquilhagem da cara, as cadeiras são deixadas para trás, tal como os bancos onde o público estava sentado. O apresentador é rodeado pelos fãs, e grande parte deles permanece dentro da sala, aproveitando para tirar fotografias e observar melhor o cenário. É Sexta-feira, último programa da semana, o que significa uma mudança de letras magnéticas no frigorífico – realizando-se a transferência para o verbo vampirizar –, a cobertura do sofá com um pano vermelho, para o proteger, e a arrumação do estúdio e do que foi alterado para albergar o público excedente. Em poucos minutos, o silêncio e a escuridão regressam ao cenário.
O 5 Para a Meia-Noite tem sido um fenómeno de audiências desde a sua estreia, no início do Verão. Share sempre próximo dos 10 por cento – com picos superiores –, e um enorme apoio nas redes sociais e na Internet em geral (nomeadamente a partir do twitter, do live chat e da Webcam live), são apenas alguns exemplos desse sucesso que o programa late night tem tido entre miúdos e graúdos. É inconvencional, é original, é divertido. Depende sempre dos convidados e dos apresentadores, tal como do tema da semana, mas no geral é um programa acarinhado pelo público e encarado como uma modernização do segundo canal e da noite na televisão portuguesa. Com fim marcado para o final do mês, está na mira um possível regresso do formato para o ano de 2010, ainda sem data prevista.

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Maioria dos tweets são sobre 'nada'

O Twitter e a sua utilização foram recentemente analisados num estudo da Pear Analytics, que mostrou alguns pormenores curiosos acerca desta rede social. O estudo examinou duas mil mensagens (tweets), escritas em inglês, divididas por seis categorias: ‘notícias’, ‘spam’, ‘auto-promoção’, ‘conversas’, ‘nada’ e ‘RTs’. Contrariamente ao que se previa, os tweets categorizados como ‘spam’ e ‘auto-promoção’ não foram os mais registados no período analisado. A principal conclusão retirada deste estudo foi o predomínio dos tweets sobre ‘nada’, mensagens sem conteúdo relevante, como por exemplo “estou a comer uma sandes”.

Cerca de 41% dos tweets são, portanto, sobre ‘nada’. Seguem-se os tweets categorizados como ‘conversas’, trocados entre utilizadores, com cerca de 38%, e os ‘RTs’, em terceiro lugar, com um valor percentual muito próximo de 9, ou seja, muito inferior aos dois primeiros. Os valores de ‘spam’ foram muito abaixo do esperado, e os valores de ‘conversas’ e ‘nada’ foram muito elevados. O valor de ‘notícias’ foi também inferior ao que se previa, tendo em conta a utilização do twitter como meio de divulgação de informação e a sua utilidade para o jornalismo.

O que significa este estudo? Que o Twitter não é, afinal de contas, uma ferramenta maioritariamente utilizada para divulgar acontecimentos? Que os tweets desinteressantes, sobre nada em especial, são os que mais se escrevem e publicam?

Primeiro, temos de ter em conta que a amostra utilizada neste estudo se refere apenas a dois mil tweets, todos na língua inglesa, ou seja, a maioria dos tweets portugueses não se poderia incluir nesta análise. Segundo, qual é o verdadeiro propósito do Twitter? A pergunta-base que nos leva a começar a escrever é “O que está a fazer?”, e não “O que aconteceu de importante no mundo?” ou “O que pretende publicitar?”. O próprio Twitter solicita aos utilizadores que partilhem o que estão a fazer, por mais desinteressante que seja. Assim, deveria ser esperado que as respostas fossem, na sua maioria, com pouco conteúdo relevante… incluídas na categoria ‘nada’. Não é esse o propósito da rede social?

Agora, a questão é o que o Twitter se tornará num futuro próximo. Continuará a ser uma rede onde as pessoas publicam as suas actividades, que pouco têm a ver com os interesses gerais? Ou tornar-se-á um local mais sério, onde a circulação de notícias será o conteúdo da maior parte dos tweets? Esperemos para ver os próximos estudos.

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17 Again...

Será que tomámos o caminho correcto? Teremos vivido tal como estava destinado, ou podíamos ter alterado o nosso percurso, lutado por coisas diferentes e ter sido mais felizes? Estas são algumas questões levantadas pelo filme 17 Anos, outra vez! e as principais indecisões do protagonista, Mike O’Donell. Mike tem quase quarenta anos e está prestes a divorciar-se da esposa, Scarlet, namorada do liceu com a qual se viu ‘obrigado’ a casar precocemente ao saber que estava grávida. Culpando-a sempre por ter destruído toda uma vida que se apresentava brilhante à sua frente, Mike torna-se alguém que não queria ser, um homem que nem sequer consegue ser promovido no emprego e manter uma relação estável com os filhos. Ao desejar regressar ao passado e remediar o que fez e não fez, a oportunidade é-lhe dada sem que se aperceba… e quando dá por si tem, de novo, dezassete anos, e uma vida inteira pela frente.

O conceito de comédia romântica com leves toques de drama e ficção científica não é novo. Temos em Big um dos melhores exemplos do género, e em De Repente, já nos 30! outro filme bem-humorado e com características muito semelhantes. Mas o ‘voltar atrás no tempo’ é uma fórmula que pode sempre ter sucesso, dependendo da história que envolve a situação, a realização e as interpretações. E no caso deste filme, é uma fórmula ganha, que o torna um dos melhores do género entre os que já tivemos oportunidade de ver este ano. É de louvar a realização brilhante de Burr Steers, um ilustre desconhecido neste mundo cinematográfico. O filme tem um ritmo impressionante, permite a absorção de cada momento e não leva o espectador a dispersar a sua atenção para pormenores desinteressantes. Como história em si, não figurará no panorama de grandes argumentos de cinema. É previsível, é lamechas (se assim o quisermos chamar…), é banal, até. Mas capta a atenção, é comercial, cativa o público pela sua simplicidade. De realçar ainda a banda sonora, contemporânea, juvenil, fresca, e o genérico final, ilustrado com fotografias dos actores quando eram novos… original e divertido.Em relação às interpretações, há também muito a apontar. Mattthew Perry é um senhor da comédia, um actor que nunca foi muito aclamado mas que dá passos nesta indústria há muitos e vai captando, de tempos a tempos, a atenção dos mais distraídos. Representando Mike O’Donell enquanto adulto, não se adequa na perfeição às exigências do papel, mais dramático e maduro… mas ainda assim consegue realizá-lo. Falta-lhe talvez um pouco mais de protagonismo, apenas. Thomas Lennon é o protagonista dos momentos mais humorísticos do filme, na pele de Ned, amigo inseparável de Mike, o que retira alguma seriedade ao filme e é, seguramente, propositado, de modo a tornar mais leve o ambiente carregado da história.

Quanto a Zac Efron, as coisas são totalmente diferentes. Primeiro aviso: esqueçam High School Musical, Hairspray, e tudo o mais que já viram com o actor de comédias adolescentes. Em 17 Anos, outra vez!, Zac torna-se um homem, ao interpretar Mike O’Donell enquanto jovem. A forma como capta a maturidade da personagem e como corresponde na perfeição às suas exigências, é simultaneamente surpreendente e fascinante, no verdadeiro sentido das palavras. Representa um homem de quarenta anos na pele de um rapaz de dezassete… a tarefa não parece fácil, mas Zac consegue cumpri-la. E nunca pensei dizer isto, mas acredito que o rapaz de vinte e dois anos pode vir a tornar-se um grande actor dramático, para além da comédia e do romance. Fiquemos atentos. Acima de tudo, 17 Anos, outra vez! é mais um típico filme de Domingo à tarde, para toda a família, divertido, com alguns momentos mais sérios, mas que prima sobretudo pela mensagem que pretende transmitir. Ao voltar ao liceu, Mike compreende que a sua missão é não só ajudar os filhos adolescentes a ultrapassar os momentos difíceis da juventude, como também aproveitar a segunda oportunidade, não para remediar o passado, mas para melhorar o futuro e mudar quem é no presente. E as pessoas identificam-se com essa mensagem, tenham elas dezassete anos ou quarenta, porque todos vivemos e nos arrependemos de algumas acções efectuadas no passado. Vale a pena ver o filme, pela realização, pela mensagem, e pela consagração de Zac Efron como um dos actores em ascensão no panorama de Hollywood. E porque saí da sala de cinema com uma sensação enorme de preenchimento, de dever cumprido, de realização. Aconselha-se vivamente.

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Redes Sociais: a era da partilha digital

Estamos na era digital, das novas tecnologias e da sua adaptação cada vez maior à vida quotidiana. Para termos uma ideia clara, são cerca de 625 milhões os utilizadores activos da Internet, em todo o mundo, segundo o mais recente estudo da Universal McCann. No caso específico do nosso país, contam-se 2,9 milhões de utilizadores activos – muito abaixo dos cerca de 23 e 19 milhões registados, respectivamente, na Alemanha e em França, países europeus líderes neste ponto; mas ainda assim um número considerável tendo em conta os 10 milhões de portugueses. Agora o aspecto mais surpreendente deste estudo, no que diz respeito a Portugal: destes utilizadores activos, 2,1 milhões criaram perfis em redes sociais. Cerca de 73 por cento, valor superior à média universal de dois terços.


Quando falamos em redes sociais, vêm-nos sobretudo à memória as chamadas redes de social network, com uma componente social e pessoal. Delas são exemplos o hi5, o Facebook e o MySpace. Permitem a partilha de imagens, informações pessoais, eventos, criando relações de “amizade” agrupadas por interesses comuns, na maior parte das vezes apenas virtuais.

Mas existem outros tipos de redes sociais, igualmente conhecidos do grande público. As redes de share (partilha), como o
Youtube, o Flickr, e o Delicious, por exemplo, permitem a publicação de conteúdos online, desde fotografias, vídeos, a informações diversas. Existem ainda as redes de publish, como os blogs, através das quais qualquer cidadão pode dar a sua opinião livremente e publicá-la; e as redes de microblogging, como o Twitter, com um carácter maioritariamente de divulgação de informação, permitindo a partilha de ideias, notícias, fotografias, tudo isto em tempo real.

O estudo já referenciado revela outro pormenor curioso: ao nível global, os principais objectivos dos frequentadores de redes sociais na Internet, ao criarem os seus perfis, são o envio de mensagens a amigos, a publicação de fotografias, o reencontro de antigos amigos e o estabelecimento de novas amizades. Revela ainda que, no domínio da Internet, os blogs estão a perder terreno no que respeita à partilha de informação e de conteúdos multimédia, que tem vindo a crescer progressivamente nas redes sociais. As redes permitem aos utilizadores fazerem tudo o que quiserem num blog e mais ainda, apesar de diferentes tipos de redes se adequarem a diferentes tipos de utilizadores e mercados dominantes. Estas plataformas continuam a crescer, enquanto outros elementos dos social media estagnam ou entram em declínio.

Entre
as diversas redes sociais, e tendo particularmente em conta as mais conhecidas do público, os dados estatísticos mostram as divergências de utilização e a sua importância nas vidas dos utilizadores da Internet. Em Portugal, o hi5 é o site mais visitado e conta cerca de 3,2 milhões de perfis registados. Em termos de comparação, no nosso país, o Facebook regista apenas 400 mil utilizadores. Ao nível internacional porém, os números são bastante diferentes. O Facebook é a rede social com mais adeptos em todo o mundo, ultrapassando os 260 milhões de registos. O MySpace continua a ser outra grande força, apesar de ultrapassado pelo Facebook, e conta mais de 125 milhões de utilizadores. São as redes de
social network mais populares, seguidas pelo LinkedIn, com mais de 40 milhões de utilizadores, e pelo Twitter, rede de microblogging, que também já chegou à fasquia dos 40 milhões.

Ilações gerais a retirar destes dados são a perda de terreno do MySpace em relação ao Facebook, nos últimos anos, e a vulgarização deste como meio de partilha de informação. Se observarmos bem, a maioria destas redes de social network foi fundada entre 2003 e 2004 (hi5, Facebook, MySpace, LinkedIn…), sendo as diferenças de utilizadores entre elas justificadas pelas suas diferentes funcionalidades e a sua atractividade para os utilizadores da Internet. O LinkedIn, exemplificando, é uma rede voltada para as empresas, registando mais de 170 indústrias diferentes, não sendo tão vulgarizado como, por exemplo, o hi5, que foi abraçado maioritariamente pelas camadas etárias mais jovens. O Twitter é a excepção neste grupo de redes sociais: fundado há três anos, está neste ano de 2009 a começar a ser conhecido e vulgarizado entre os utilizadores frequentes das novas tecnologias, e a sua técnica algo inovadora, de microblogging, começa lentamente a atrair não só jornalistas, mas também o público em geral, que procura estar mais próximo da informação.


Outra estatística curiosa: o Second Life, também fundado em 2003, regista apenas 500 mil utilizadores em todo o mundo… e cerca de 95 por cento encontram-se inactivos na plataforma. O Orkut, por seu lado, é apenas líder no Brasil e na Índia.

A questão não é, portanto, se vale ou não a pena aderir, se há ou não interesse em criar um perfil numa rede social, se x ou y são redes para aderir ou evitar. A verdadeira questão é: será que o entusiasmo de aderir a uma rede social e criar um perfil se desvanece passado algum tempo? Depende, claro, como tudo na vida… Depende da rede social em causa, do tempo, da disponibilidade do utilizador, das suas intenções ao criar o perfil. Para além disso, existe a questão das modas: a rede que está em voga hoje pode já não estar amanhã, e a rotatividade é constante. A própria moda das redes sociais pode vir terminar num abrir e fechar de olhos. No entanto, o estudo da Universal McCann revela que quase 65 por cento dos utilizadores activos da Internet, com perfis em redes sociais, gastam tempo a actualizar as suas informações e conteúdos exibidos nos perfis, o que contradiz a opinião de muitos que referem a perda de interesse das redes sociais e o consequente perecimento do interesse depositado nelas por parte dos utilizadores.

Em relação à importância das redes sociais, sabemos que têm os seus prós e contras. Por um lado, promovem a abertura à informação global (aproveitando a expressão, são uma “janela aberta para o mundo”) e ao conhecimento do que nos rodeia. Por outro, podem levar à exclusão social e à supressão do contacto face-to-face, principal crítica endereçada às redes na Internet. Porém, ao nível do jornalismo, com a revolução que se está a verificar, através da partilha de informação em tempo real, o valor destas redes é incalculável. Estão a alterar por completo a face da informação, a impulsionar o jornalismo de cidadão – qualquer um de nós pode relatar um acontecimento para o mundo –, a mudar o papel do jornalista na sociedade de informação. Ao nível das empresas, as redes sociais surgem como meios de divulgação de actividades, de produtos, de informação, e podem vir a tornar-se fundamentais como elemento de contacto entre trabalhadores e clientes. Ao nível da política institucional, surgem também como meio de aproximação entre eleitos e eleitores, como forma de divulgação de eventos e opiniões, e até como sensibilização para as questões que preocupam o país e o mundo.

Queiramos ou não fazer parte do progresso, é fundamental abraçar e acompanhar a modernização que se verifica nos dias de hoje, e a adesão e exploração das redes sociais faz parte desse processo evolutivo.

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Sócrates e a Blogosfera

Sempre na vanguarda das novas tecnologias e da sua utilização na política, o deputado Jorge Seguro, em conjunto com Rui Grilo e o jornalista Paulo Querido, convidaram o Primeiro-Ministro e Secretário-Geral do Partido Socialista, José Sócrates, para um encontro com bloggers, ao estilo de uma conferência de imprensa. A blogconferência teve lugar na Segunda-feira dia 27 de Julho, pelas cinco horas e meia da tarde, na Cantina Lx Factory em Lisboa.

José Sócrates chegou ao local e, acompanhado por Carlos Zorrinho, responsável pelo Plano Tecnológico, aprontou-se a cumprimentar os vinte bloggers presentes no encontro, que aguardavam o início da conferência sentados à volta de uma mesa em “U”, com os computadores portáteis ligados à Internet, prontos para colocarem as suas questões.
Paulo Querido, pivô e moderador da conferência, deu início à sessão, colocando desde logo a sua questão para José Sócrates. No twitter, em simultâneo, criticava-se o facto de a transmissão do encontro na Internet ter falhado, o que ainda não foi explicado. Paulo Querido, Jorge Seguro e Rui Grilo lamentaram a falha técnica que impossibilitou os ausentes da Cantina Lx Factory da visualização da conferência. Os presentes, por seu lado, sobretudo os bloggers, contribuíam através dos seus twitters pessoais para a transmissão das ideias da conferência, utilizando a hashtag #BlogConf, um dos trending topics do dia entre os twitters portugueses.

O calor apertava. A Cantina, um espaço agradável e subtil, convidava a uma tarde tranquila e produtiva, que acabaria por se prolongar para o início da noite. Carlos Zorrinho tirou a gravata, a uma certa altura; José Sócrates desapertou ligeiramente a sua. Com o passar do tempo e o desaparecimento do sol no horizonte, as luzes da Cantina acenderam-se, e o som dos comboios a passar foi dissimulado progressivamente pela conversa interessante que se desenrolava no interior do espaço.
As questões para o Primeiro-Ministro sucederam-se, sempre num ambiente leve, informal, com algum humor à mistura e a maior descontracção possível, mesmo durante as intervenções dos bloggers ditos “de direita”. José Sócrates afirmou logo no início: “Dizem que os blogues falam mal de mim, e eu quis verificar isso e ter oportunidade de me defender.” Durante mais de quatro horas, os bloggers presentes intervieram com as suas questões. Mais do que uma conferência, a sessão tornou-se uma conversa, uma espécie de debate ponderado, com troca de ideias e de opiniões. Interrompido sucessivamente pelo pivô, preocupado com os seus discursos alongados, José Sócrates respondia prontamente: “Eu tenho tempo…”.

No seu twitter, Jorge Seguro revelou também que estas iniciativas promovem a democratização da política. No final do encontro todos puderam afirmar que, efectivamente, uma sessão de esclarecimento como aquela blogconferência aproxima a política dos cidadãos e contribui para uma elucidação directa dos objectivos que, neste caso específico, o Partido Socialista enumera para a próxima legislatura, caso vença as eleições. Da economia ao ambiente, da cultura à ciência, das politiquices às medidas relevantes, José Sócrates mostrou-se disponível para responder às questões dos bloggers e conversar sobre políticas levadas a cabo e políticas a trabalhar nos próximos anos. Aqui fica a
lista dos participantes, entre os quais se inclui este blog (que, ao contrário do que se diz na comunicação social, não se chama Cronistas Para Mais Tarde Recordar… o endereço é
www.cronicasparamaistarderecordar.com, o nome do blog é From Here To Eternity :D). Esclarecimento: a comunicação social, e o próprio José Sócrates, referiram diversas vezes que os vinte bloggers eram os principais do país, os mais famosos de Portugal. A verdade é que eram, simplesmente, os que primeiro se inscreveram no site http://blogconf.org/ , e nada mais do que isso. Fica o esclarecimento.

Mais do que uma possível acção de campanha, mais do que uma simples conferência de perguntas e respostas, a #BlogConf foi um encontro de José Sócrates com alguns dos bloggers portugueses que se mostram interessados pela política e pelo que se faz no país. Escreveu-se, de novo, uma página na história, e a iniciativa, abraçada pela maioria como esclarecedora e frutífera, criou a expectativa de uma possível repetição. Tendo em conta o sucesso desta “primeira vez”, excepto no que respeita à transmissão na Internet, a ideia ficou em aberto.

Aqui ficam algumas notícias referentes à blogconferência:

SIC ; Jornal de Notícias ; Jornal de Negócios ; TSF ; Correio da Manhã ; EPA.

Os vídeos da blogconferência podem ser vistos aqui:


Agradecimento a Ana Martins e Rui Grilo pelas fotografias. E agradecimento especial a Jorge Seguro, Paulo Querido e Rui Grilo pela organização da iniciativa.

Word cloud


www.wordle.net de novo em acção :D Adoro estas nuvens de palavras!

Ser Jornalista

Existem inúmeros cursos de Jornalismo / Comunicação em Portugal. Apesar da elevada taxa de desemprego e das dificuldades que o sector está a viver, centenas de jovens candidatam-se, anualmente, a cursos relacionados com a área das ciências da comunicação e do jornalismo, em Portugal.

A comunicação continua a ser uma das áreas mais procuradas, e este ano de 2009 não será excepção. De 13 a 24 de Julho decorrerá o período de candidaturas ao Ensino Superior, por parte dos estudantes que finalizaram, em Junho, o Ensino Secundário, e pretendem ingressar na Universidade para o ano lectivo 2009/2010. De novo, centenas de jovens, a maioria nos seus dezassete, dezoito anos, tentarão alcançar um lugar nas faculdades pretendidas. E assim, daqui a três anos, centenas de jornalistas recém-licenciados sairão às ruas à procura de um emprego que não têm garantido.
O que devem os estudantes que pretendem seguir Jornalismo procurar num curso? Nos dias que correm, as boas médias não são suficientes para captar atenções; é necessária uma certa persistência, alguma experiência e diversificação de capacidades. O mundo da comunicação está a tornar-se cada vez mais exigente, valorizando cada vez mais a parte prática dos cursos, a experiência no terreno, do que propriamente o que se aprende dentro das salas de aula.

A opinião de quem se pretende candidatar, de actuais alunos, de recém-licenciados e de jornalistas profissionais irá dar algumas linhas directrizes decisivas para quem aspira a ser jornalista.


O SONHO DE SER JORNALISTA

As expectativas de quem quer seguir um curso de comunicação/jornalismo são sempre elevadas. Há uma boa dose de visão romântica do jornalismo e um desconhecimento do que o espera durante a licenciatura. A parte prática e formação profissional de jornalismo são por norma pontos comuns nas expectativas de quem aspira a ser jornalista.

Pedro Coelho tem 18 anos, é de Oliveira do Hospital, e terminou este ano o Ensino secundário. O passo seguinte será a candidatura à universidade e a tentativa de colocação na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Tal como refere na entrevista, apesar de não ter ainda a formação em jornalismo, a experiência na rádio Boa Nova, rádio Local de Oliveira do Hospital, tem-no ajudado a compreender o difícil mundo da comunicação e a contactar com esta realidade.
[ entrevista]

A REALIDADE FACE ÀS EXPECTATIVAS

Se as expectativas são muitas a realidade acaba sempre por desiludir. Alguns alunos de cursos de comunicação de várias universidades portuguesas dão-nos conta das expectativas iniciais e da realidade que encontraram sem deixar de falar do futuro que esperam.

Diogo Cavaleiro tem 19 anos e é aluno do segundo ano de Ciências da Comunicação, vertente Jornalismo, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Quando entraste no curso, esperavas que fosse como é, na realidade, ou tinhas uma ideia totalmente diferente do que seria estudar jornalismo?

Tinha uma ideia diferente. Apesar de me ter informado sobre o curso e a faculdade, a diferença face ao que esperava foi notória. Pensei em algo muito teórico mas também que houvesse um complemento prático maior do que o que, efectivamente, existe. E as ideias que temos sobre o que é estudar jornalismo alteram-se conforme o que se vai aprendendo. Todos os dias vamos aprendendo e percebendo novos objectivos.

Achas que o curso está adequado ao que se pretende num jornalista?

Por um lado sim, porque tem uma vertente teórica importante, com partes de cultura essenciais para alguém que quer ser um jornalista. No entanto, por ser um curso de Ciências da Comunicação e não de Jornalismo, essa parte sofre em termos de quantidade e de qualidade. Na área do jornalismo, fazia-nos falta mais condições técnicas e mais cadeiras. E essencialmente, segundo penso, um olhar mais real para o jornalismo actual com o qual só temos contacto com certos professores.

Porquê este curso?

Na altura das candidaturas, tive dúvida entre a FCSH e a UCP. Acabei por optar pela UNL por ser pública, porque tinha prestígio, porque achei interesse na oferta curricular.

Quais as perspectivas de futuro com a licenciatura em jornalismo?

Não são muito grandes. Toda a gente sabe que é uma área saturada e não há medidas em relação a isso. Não se diminuem as vagas e continua-se a aceitar um número enorme de pessoas na área em que dificilmente conseguem todos emprego. É tudo uma questão de trabalho, esforço, interesse mas também sorte.

A frequentar o segundo ano do curso de Ciências da Comunicação na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), Ana Fernandes de 19 anos considera que o curso corresponde às suas expectativas destacando que a falta de tempo para desenvolver assunto e matérias será o maior problema. [ entrevista]

Marco Almeida Paulo é um jovem de 22 anos, estudante de Ciências da Comunicação e da Cultura, vertente Jornalismo, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa. O jornalismo é a sua grande paixão, a par do cinema, da música e dos videojogos. Participa na revista online de cinema Red Carpet, e tem ainda outros blogues e sites onde escreve sobre os mais diversos assuntos.

Quando entraste no curso, esperavas que fosse como é, na realidade, ou tinhas uma ideia totalmente diferente do que seria estudar jornalismo?

Quando entrei no secundário não tinha qualquer intenção de seguir jornalismo. Só após dois anos num outro agrupamento é que comecei a despertar para o jornalismo, assim como o meu gosto por essa área começou a aumentar. Quando então decidi mudar de agrupamento comecei desde logo a informar-me acerca de todas as saídas que tinha após terminar o secundário e quais me interessavam. Sabia que um curso baseado em teoria, onde a verborreia fosse uma constante, não me seria útil. Hoje em dia interessa saber o que fazes e não o que outros possam ter feito. Certamente ajuda, para que não caias nos mesmos erros, mas tem muito mais relevância saber com o que irás lidar na vida profissional do que propriamente com o que outros lidaram. A Universidade Lusófona foi assim a minha primeira, talvez única, escolha pois era o curso que apresentava, e apresenta, as cadeiras mais práticas, que realmente ensinam algo de útil, não pondo de parte alguma teoria, mas não a usando como base. Posso assim dizer que a ideia que tinha do curso em ser bem mais focado na prática do que as restantes universidades não se mostrou falso e hoje em dia não podia estar mais contente com a escolha. Tenho estudado todas as bases do jornalismo, que em todo o lado as ensinam, e que preparam o aluno para o futuro.

Achas que o curso está adequado ao que se pretende num jornalista?

Como respondi anteriormente, o curso é bem focado no mercado de trabalho, com a realidade do jornalista. E como mostrar essa realidade? Usando profissionais, actualmente no activo, a leccionar as cadeiras, que cativem os alunos, que realmente mostrem o que se passa fora das quatro paredes de uma sala de aula. Num curso como jornalismo não basta colocar um professor qualquer a relatar matéria para que o aluno mais tarde a despeje num exame, aliás, várias cadeiras dispensam o exame obrigando o aluno a realizar trabalhos práticos que irá efectuar no seu emprego, se houver emprego! Reportagens televisivas, radiofónicas ou de imprensa ou notícias para os vários meios, é tudo feito a pensar na melhor forma de ensinar os jornalistas de amanhã. Se está bem adequado, ou não, ao que se pretende num jornalista é uma questão que talvez não possa responder da forma mais correcta, já que não frequentei outros cursos, mas olhando para as cadeiras, e respectivos objectivos, de outras universidades, acho que o curso onde estou, Ciências da Comunicação e da Cultura, é dos melhores que actualmente existem na grande Lisboa. Aliás, nem sou só eu que o digo, mas sim todo um conjunto de profissionais e instituições que elegem este curso como um dos mais competentes na actual formação de jornalistas.


Porquê este curso?

Repetindo algumas das coisas já ditas, este curso é mais prático que os demais. Tinha mais alternativas para além de uma Universidade privada, que actualmente o único senão é pagar-se bem mais que o normal, além de não ser assim tanto quanto isso, pois de resto é tão boa ou melhor que uma pública! Contudo, se vou pagar, seja que quantia for, para uma formação a pensar no meu futuro, que pague por algo que realmente vá valer a pena, que não tenha como único e simples propósito chegar ao final e poder dizer que tenho um curso mas que me tenha dado boas bases para continuar a aprender na minha profissão e, ao mesmo tempo, praticá-la da melhor forma que me for possível!

Quais as perspectivas de futuro com a licenciatura em jornalismo?

As perspectivas são as mesmas que todos os jovens licenciados: encontrar trabalho na área que me andei a formar! Actualmente, seja em jornalismo, medicina, design, direito ou engenharia, é difícil encontrar emprego. A situação não vai ser a melhor assim que tente entrar no mercado de trabalho e ter consciência disso é meio caminho andado para me incentivar a dar o meu melhor para que, mais facilmente, alguém decida apostar em mim, e isto não se resume somente a alguém que esteja a seguir jornalismo. Felizmente, apostarmos em nós mesmos, na carreira de jornalista, é algo, consideravelmente, fácil de se fazer! Talvez seja mais fácil para quem se encontre perto da capital já que por cá existe o Centro Protocolar de Formação Profissional de Jornalistas (Cenjor) que apoia jovens licenciados, ou quem queira ingressar numa carreira jornalística, e lhes dá uma ponte entre a parte académica e a parte profissional através de um estágio que coloca o recém-licenciado a trabalhar na sua área de interesse (televisão, rádio, imprensa ou multimédia). Basicamente, as perspectivas que tenho com uma simples licenciatura são poucas ou, praticamente, nenhumas, daí que desde cedo tenha decidido a apostar ainda mais além de uma licenciatura, não só através de especialização em várias áreas, pois hoje em dia quanto mais versátil for, mais cobiçado se é, mas também apostar em línguas estrangeiras como uma boa forma de me valorizar. Após tudo isso talvez consiga ter uma perspectiva de um futuro melhor, onde possa encontrar mais facilmente algo do meu agrado. Não só gostaria de trabalhar na minha área, como qualquer licenciado, assim como gostaria de trabalhar em algo do meu interesse. Tal situação torna-se mais verosímil se tiver melhores e maiores conhecimentos para além daquilo que me ensinaram na Universidade.

A VISÃO DOS PROFISSIONAIS

Jornalistas de formação e de experiência têm visões diferentes do papel dos cursos de comunicação e de jornalismo. a oferta das universidades deve ser consistente e actualizada face ao mercado de trabalho mas cabe também ao estudante procurar diversificar e consolidar conhecimentos e experiências.

Alexandre Brito é coordenador da redacção multimédia da RTP, onde está desde 2002. Anteriormente, esteve na SIC Online, SIC Notícias e no Canal de Notícias de Lisboa (CNL). Alexandre Brito é licenciado em Comunicação Social e "Master of Broadcast Journalism" pela Universidade de Boston, EUA. Foi aqui que ganhou o gosto pelas novas tecnologias ao tirar uma especialização em jornalismo online. Terminou a passagem pelo estrangeiro em Londres, onde esteve durante seis meses a realizar um estágio profissional na CNN. Actualmente, participa ainda na RTPN, nomeadamente no “À Noite a Net”.

Quais as exigências a que deve um curso de jornalismo responder?

Com as alterações tecnológicas em curso, deve ser ágil ao ponto de ensinar e preparar os alunos para os novos desafios, para as novas ferramentas. A parte académica é de extrema importância, e deve ser reforçada, mas é fundamental que os alunos deixem as universidades com domínio total dos equipamentos utilizados todos os dias nas redacções – tv, rádio, imprensa, áudio. A componente prática tem que ser reforçada. A escrita tem que ser reforçada. Não é admissível que alunos deixem as universidades sem saber escrever um LEAD devidamente, e isso, infelizmente, ainda acontece.

A componente teórica é importante ou devem os cursos apostar sobretudo na vertente prática e técnica da profissão?

Devem ser complementares. A teoria deve ser reforçada para abrir os horizontes dos alunos mas deve ser uma teoria que tenha realmente aplicação prática. A especialização, com escolha de disciplinas próprias por aluno, deve ser uma aposta. É um sistema que funciona e resulta, por exemplo, nos EUA. A prática é fundamental. De nada serve saber escrever se não sei como é que a caneta funciona.

É só a experiência que faz um jornalista ou uma licenciatura também ajuda?

Todos nós acabamos por perceber e sentir falta do tempo de estudo durante uma licenciatura. Ela é fundamental para dar corpo a qualquer futuro jornalista. Deve ser aproveitada ao máximo. Se duas pessoas partiram do mesmo sítio, uma com licenciatura e outra sem, certamente que quem tem o diploma acabará por vencer. A licenciatura é parte fundamental da experiência de um jornalista. Essa pergunta aparece porque os cursos de jornalismo são relativamente recentes em Portugal e, como tal, há muitos e bons jornalistas que não são licenciados e que por vezes olham com desdém para os cursos de jornalismo. Algumas vezes com razão pela falta de qualidade….. Mas a licenciatura é apenas o início. É a viola…quem tem unhas toca, quem não tem, não toca. As licenciaturas de jornalismo deviam apostar na especialização, o que na maioria dos casos não acontece. Por exemplo: economia, saúde, etc. E não fiquem à espera de receber tudo dos professores. Vão à procura. Vejam muita tv, ouçam muito rádio, naveguem na net…sejam proactivos.

Qual o motivo que o levou a seguir jornalismo?

Influência familiar, fascínio com a televisão, gosto e loucura… ;)

Conselhos para "aspirantes" a jornalistas.

Primeiro aprendam a escrever. Quem não sabe escrever não vinga nesta área. Depois, especialização. Escolham uma área para aprofundar os conhecimentos mas continuem com olhos bem abertos para tudo o que está à vossa volta. Finalmente, persistência. É quase impossível conseguir hoje um emprego decente em jornalismo quando se sai da faculdade. Se querem mesmo seguir a profissão, não desistam. Se não, saltem já.

Este artigo foi realizado em conjunto por:
Raquel Silva (texto + entrevistas)
João Simão (texto + entrevistas + edição)

Artigo completo em COMUNICAMOS


O Twitter e a Política - a (r)evolução constrói-se

Tudo começou há semanas atrás, quando Jorge Seguro Sanches, deputado do Partido Socialista por Castelo Branco, teve a ideia de organizar um encontro de twitters na Assembleia da República. O Twitter, para quem desconhece, é uma espécie de rede social que funciona num sistema de microblogging, com a emissão de mensagens com 140 caracteres, no máximo, e a sua difusão para utilizadores em todo o mundo. Jorge Seguro foi um dos primeiros deputados portugueses a aderir à nova moda e a utilizar as novas tecnologias para contactar directamente com o público.

2 de Julho de 2009 foi a data escolhida para o encontro, também data do debate do Estado da Nação, o último da legislatura do governo de José Sócrates – pelo menos até às eleições legislativas, agendadas para 27 de Setembro deste mesmo ano. Jorge Seguro recebeu os seus convidados à porta do Parlamento, dando as instruções necessárias e respondendo a algumas questões da comunicação social. O encontro, esse, teria uma forte componente histórica e progressista: pela primeira vez na história da Assembleia da República e do nosso país, cidadãos portugueses tiveram a oportunidade de entrar no edifício do Parlamento com computadores portáteis e telemóveis e twittar das galerias, comentando o debate e divulgando de forma ainda mais rápida as novidades que nele iam acontecendo, acompanhando os deputados que normalmente o fazem durante as sessões.
Cerca das 14 horas e pouco, com a chegada dos twitters e dos deputados convidados por Jorge Seguro, também eles utilizadores acérrimos do Twitter – Nuno Antão, do PS; Hermínio Loureiro, do PSD; e Pedro Mota Soares, do CDS-PP –, deu-se início à visita guiada pelos corredores e inúmeras salas do Parlamento Português. Marco Sargento, Relações Públicas da Assembleia da República, foi o guia desta visita e a fonte histórica de todos os pormenores observados ao longo da mesma. Cerca das 15 horas, com a aproximação do início do aguardado debate, a campainha ensurdecedora que pretende impelir os deputados a ocuparem os seus lugares no Parlamento iniciou a sua actividade e prolongou-se durante mais de quinze minutos consecutivos. Entretanto, os membros do Governo iniciaram, lentamente, a sua chegada à sala principal.

José Sócrates cumprimentou Jorge Seguro e, estando a par da iniciativa e observando os convidados twitters que se encontravam no átrio, aprontou-se a cumprimentar alguns dos presentes, brindando-os com o sorriso habitual e o olhar sempre atento. Ouviu-se no ar: “Então, quando vai aderir ao Twitter?”. A verdade é que José Sócrates ficou curioso e garantiu que ia experimentar o Twitter, um dia. Após o término da visita guiada pelo edifício, os twitters ocuparam então os seus lugares na galeria reservada para o efeito, que permitia o acesso à Internet através da utilização da rede wireless do Parlamento. Apoio técnico foi providenciado aos utilizadores que não se conseguiam ligar à Internet, e o Debate da Nação iniciou-se, pela primeira vez na história, com uma galeria recheada de cidadãos com computadores e o Twitter ligado.
@FLima90 ; @ rpcaldeira ; @filiprib ; @Janito ; @ annamartins ; @PauloQuerido ; @ritacteixeira ; @lmferreira2 e @marciaLis foram alguns dos presentes no encontro de twitters na Assembleia da República, que se aprontaram a ligar os computadores e twittar durante todo o debate. O debate no Twitter, esse, era tanto ou mais intenso do que a discussão parlamentar do Estado da Nação, com a chuva de opiniões e os comentários ao que ia acontecendo em directo. Até o computador Magalhães de um dos twitters presentes foi alvo de humor no grupo e de foco por parte da comunicação social que acompanhou energicamente todo o encontro histórico.

Jorge Seguro confirmou a importância das novas tecnologias e, neste caso específico, do Twitter, para o exercício do poder político: “Desde que tenho Twitter, sinto-me mais perto dos cidadãos e as suas opiniões/ideias podem chegar-me de forma mais directa” afirmou o deputado, que aderiu à rede há alguns meses e, desde essa altura, confessa o ‘vício’ que esta tem provocado. Filipe Lima, um dos twitters presentes na Assembleia, reforçou a ideia de que o Twitter surge “como uma das mais mediáticas tecnologias e como meio moldador da opinião pública”, permitindo, “de uma forma directa, o contacto entre eleitos e eleitores. E - sem dúvida - esse é um grande passo no exercício do poder político. Por um lado, os eleitos, passam a poder dar resposta curta e concisa às necessidades dos twitters que os seguem, por outro, estes últimos sentem o estímulo para se envolverem nos assuntos políticos ao verem as suas preces atendidas.”.
O debate do Estado da Nação, marcado por esta inovação tecnológica, foi também distinto, como era esperado, pela intervenção do Primeiro-Ministro José Sócrates, defendendo as políticas do Governo e as medidas tomadas ao longo dos quatro anos da legislatura, e pelas intervenções críticas da oposição. O Primeiro-Ministro reforçou a ideia de qualificação e formação profissional da população como aposta para o futuro, ideia essa que tem vindo a defender desde o início da legislatura e à qual o seu Governo tem procurado dar resposta. No discurso inicial, reforçou ainda a aposta fundamental nas energias renováveis, histórica e decisiva para o futuro do país e da Europa, e da qual Portugal é um país pioneiro. José Sócrates revelou ainda o investimento público na requalificação de centros de saúde e urgências, e o reforço na construção de novos equipamentos sociais, sendo esta uma das principais medidas anunciadas neste debate.

O Governo criticou também a insuficiência de propostas por parte da oposição, não só durante este debate, mas ao longo da legislatura. Sócrates apelou à confiança que os portugueses podem voltar a depositar no seu Governo e a uma possível reeleição nas legislativas de Setembro. A justificação dada pelo Primeiro-Ministro em relação à crise que o país atravessa prende-se, sobretudo, com a crise que se faz sentir um pouco por todo o mundo – sobretudo o seu agravamento, já que, como José Sócrates admitiu em diversas ocasiões, Portugal é um país naturalmente mais sensível às flutuações económicas. Em nome do PSD, Paulo Rangel criticou sobretudo a falta de capacidade do Governo para contornar os chamados três D’s - desemprego, dívida externa e défice –, falando num Sócrates a viver “no país das maravilhas”. Pedindo para interpelar o Primeiro-Ministro e começando a criticar, durante a interpelação, novos temas e políticas executadas pelo Governo, o direito à palavra foi-lhe imediatamente retirado pelo Presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, originando um certo ambiente pesado entre os presentes. Este debate foi também mercado pela última intervenção de Paulo Rangel na Assembleia portuguesa, ele que foi agora eleito para o Parlamento Europeu e deixará o seu cargo como deputado. Agradeceu a todos os partidos, sem excepção, pelos momentos que passou na Assembleia.

Paulo Portas, líder da bancada do CDS-PP, criticou sobretudo o PRODEC e o modelo de avaliação dos professores, sendo que este último tema um dos mais contestados pela oposição durante a legislatura de José Sócrates. Francisco Louçã, em nome do BE, criticou as promessas feitas pelo Governo há quatro anos e que nunca chegaram a ser cumpridas, como por exemplo a redução do défice e a criação de emprego. Heloísa Apolónia, líder do PEV, criticou também as promessas que José Sócrates não cumpriu, segundo a sua opinião, nomeadamente o programa de desenvolvimento rural.
O Estado da Nação deste dia 2 de Julho de 2009 sofreu um forte abalo com a atitude indisciplinada do Ministro da Economia, Manuel Pinho, ao fazer um gesto despropositado dirigido à bancada do PCP, mais especificamente ao deputado Bernardino Soares. O incidente provocou imediatamente uma grande agitação no Parlamento, sobretudo quando a fotografia e os vídeos captados no momento começaram a circular pela Internet e em papel por todos os deputados e twitters nas galerias. O pedido de desculpas à comunicação social foi endereçado pelo próprio ministro, que abandonou o debate, e mais tarde José Sócrates desculpou-se pela atitude do membro do seu governo. Já depois de os twitters abandonarem o debate, e se despedirem do deputado Jorge Seguro nas galerias, soube-se que o ministro se tinha demitido, que a sua demissão tinha sido imediatamente aceite pelo Primeiro-Ministro, e que a pasta da Economia será, agora, acumulada pelo Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.

No balanço do dia, história foi, realmente, feita, embora com mais nuances do que inicialmente se esperava. Há quem diga que a presença dos twitters na Assembleia e o protocolo especial que foi preparado para os receber, tal como a permissão de comentar, em directo, no Twitter, o debate do Estado da Nação, conduziram ao aumento da divulgação de informação no Parlamento e à consequente difusão de fotografias e vídeos ilustrativos do gesto levado a cabo pelo Ministro da Economia. Por outro lado, há quem diga que a oposição, sentindo-se a perder o debate para o Governo, e ainda abalada pela atitude incorrecta de Paulo Rangel perante a Assembleia, aproveitou o deslize do ministro para terminar o debate e voltá-lo para um assunto que muito menos importância tem para a Nação Portuguesa do que o seu próprio estado. A verdade é que o dia foi longo e recheado, no que diz respeito à política portuguesa e à evolução social e popular que o encontro de twitters e o último grande debate desta legislatura despertaram.



NOTA: Agradecimento especial ao deputado Jorge Seguro pela iniciativa e acompanhamento, e a Filipe Lima, Paulo Querido e Ana Martins pela cedência das fotografias.

Missão Croquete - Twitter alarga horizontes

O twitter continua a surpreender, todos os dias. Não, não se tornou uma moda passageira, como todos pensavam que aconteceria. Não, os seus membros não deixaram de passar metade dos seus dias na rede social que parece constituir um vício eterno. Pelo contrário. O conceito está mais vivo do que nunca, as conversas via twitter estão cada vez mais difundidas, e as utilizações do serviço diversificam-se a cada dia que passa. Hoje, pela primeira vez na história do twitter, um grupo de oito pessoas foi esperar uma outra, apenas conhecida no twitter, ao aeroporto. Será a amizade nas novas tecnologias?

João Tiago Calviño, mais conhecido por @Calvas, regressava hoje a Portugal vindo de um longo período a viver no Dubai, por motivos profissionais. A emoção do regresso mesclava-se com a mágoa do fim de um ciclo importante na sua vida, mas a ânsia de voltar a ver o seu país falava mais alto. Durante a sua estadia no Dubai, os amigos que conheceu através do twitter ajudaram-no a relembrar Portugal e a preparar o retorno, nove meses depois. A chegada a Frankfurt, uma das etapas do regresso, aconteceu cerca das seis horas da manhã, hora portuguesa. Só faltava mesmo aterrar no aeroporto da Portela e chegar a casa, por volta das onze horas e meia. Entretanto, e sem @Calvas suspeitar de tal coisa, alguns dos seus amigos twiterianos preparavam uma recepção para o «emigrante» na Portela, desde as onze horas e pouco. Com rissóis, cerveja, uma mesinha onde colocar os aperitivos e pequenos cartazes a dizer «Missão Croquete» e «@Calvas, estamos aqui!», a designada Comissão de boas-vindas a João Calviño preparava-se para surpreender e receber de braços abertos o amigo que apenas conheciam do twitter, e que chegaria no voo TP 6700 FRANKFURT.

Pedro Aniceto, um dos amigos que se deslocou ao aeroporto, afirma que a ideia da Comissão de boas-vindas surgiu há meses atrás, «com uma conversa sobre caracóis em que ele disse que tinha era saudades de comer rissóis». Assim, «eu prometi-lhe uma travessa de rissóis no Aeroporto. Hoje cumpriu-se a promessa». Para além dos prometidos rissóis, a mesinha e as ‘minis’ não faltaram na recepção. Inês Ribeiro refere que «sempre que se falava de comida, o @Calvas babava; quando íamos aos petiscos, o @Calvas salivava». E hoje aconteceu o encontro, com os aperitivos à mistura – «só faltou os caracóis», acrescenta.
Paula Pico confirma: «Por brincadeira nasceu a ideia… e hoje foi o cumprir da promessa». @Calvas diz ainda que a brincadeira começou quando o grupo fez uma petiscada com a Alberta Marques Fernandes e ele próprio disse que, quando regressasse, tinham de combinar uma refeição juntos, ideia que recebe a confirmação de Joel e Sandra Silva, também membros da Comissão de boas-vindas.

@Calvas confessa que não esperava a recepção, e que nem sabe muito bem como se sentiu ao ver os amigos twitterianos à sua espera no aeroporto, com cartazes de boas-vindas e um ambiente festivo e acolhedor: «Como é que reagi? Nem eu sei bem… acho que mesmo assim nem queria acreditar!» afirmou mais tarde. Questionado se gostara da surpresa, a sua reacção foi inevitável: «Claro que sim! É impossível de não gostar!». Os que não puderam acompanhar a Comissão de boas vindas e receber @Calvas na Portela encheram a sua timeline no twitter de mensagens, tentando saber minuto a minuto como estava a decorrer a missão #welcomecalvas e recebendo simultaneamente fotografias do aeroporto. Mais tarde, @Calvas agradeceu a todos os seus amigos no twitter, tanto à Comissão de boas-vindas, membros aos quais chamou «os maiores», como aos que inundaram o seu ecrã de amáveis mensagens de acolhimento, referindo que «assim é muito mais fácil regressar».
Terminada a missão, que todos os participantes declararam cumprida, Luís Lopes, também da Comissão de boas-vindas, fez o ponto da situação: «E foi assim mais um episódio do twitter. Obrigado a todos os participantes, aos rissóis, broa, às minis,...à mãe do @Calvas». E foi realmente um episódio do twitter, mas não apenas mais um. Foi algo inédito na história. Oito pessoas que não se conheciam de lado nenhum, que nunca se tinham visto na vida, que apenas tinham comunicado através do twitter, encontraram-se no aeroporto da Portela, em Lisboa, para receber e dar as boas-vindas a outra pessoa que apenas conheciam da Internet, e que regressava de uma longa viagem de avião. É inédito. E é uma fantástica prova de amizade
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